Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Beto Almeida: Uma Bolsa Família Internacional para o Haiti


O presidente Lula, escolhido como o estadista do ano, poderia propor ao mundo a implantação de um programa Bolsa-Família Internacional para o Haiti.

Por Beto Almeida*, em Carta Maior

Se no Brasil o Bolsa-Família foi capaz de assegurar alimentação diária para 44 milhões de seres humanos que viviam , ou melhor, vegetavam dormindo e acordando com fome, como não será possível que algumas dezenas de países juntos, sobretudo os ricos, destinassem parte de seus recursos para assegurar a 10 milhões de haitianos que possam alimentar-se regularmente, enquanto o país é reconstruído?

É verdade que muitos países estão já repartindo parte de suas receitas com os haitianos. O Brasil aprovou recursos de 350 milhões de reais para a ilha caribenha. Cuba mandou para lá cerca de 600 médicos e já está montando o quinto hospital de campanha, com a ajuda dos países que formam a ALBA – Aliança Bolivariana dos Povos da América.

A Unasur estará reunindo-se por estes dias também para propor uma ação concreta de ajuda ao Haiti.

Mas, a diferença de um Programa Bolsa-Família Internacional é que daria regularidade, sustentação e promoveria o compromisso da comunidade internacional com a sorte daquele povo que já sofreu invasões militares tanto de franceses como de norte-americanos, que já teve seus recursos rapinados, que foi obrigado a pagar uma dívida escorchante com a França, que teve que suportar uma sanguinária ditadura apoiada pelos EUA e agora tem que reconstruir-se todo após o terremoto.

É evidente que com uma pequena parcela do que estes países ricos gastam em armamentos, em cosméticos, em comida para cachorro, em alcool e guloseimas, já seria possível garantir o funcionamento de um Bolsa-Família no Haiti. O que deve ser indagado, com veemência, é se querem mesmo salvar o Haiti, como afirmam neste circo midiático que se formou ou se vão, uma vez mais, condenar o Haiti à morte?

No caso brasileiro, também é importante que além dos médicos, alimentos, medicamentos, veículos e maquinário para realização de obras de infra-estrutura, o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro, os programas de reconstrução que Lula está direcionando para o Haiti incluíssem a proposta de Bolsa-Família Internacional.

Isto porque não é difícil prever, lamentavelmente, que um país que já praticamente não tinha uma economia de pé, que teve sua agricultura destruída colonialismo, agora, após um terremoto deste porte, venha a sofrer também efeitos catastróficos da fome e da desnutrição. Sem contar, infelizmente, com alguma possibilidade grave de epidemias, como alertam já os profissionais de saúde.

Rádio Solidariedade

O Bolsa-Família, por meio do cadastramento das mães, permitiria salvar as crianças, a parte mais frágil de tudo isto, bem como os idosos e enfermos. O uso do rádio pode ser decisivo para orientar e dar informações de utilidade pública para toda uma população que hoje vive sob barracas, ao relento, sem endereço, sem instalações sanitárias, sem água, luz etc.

Por isso, é positiva a idéia de algumas entidades sindicais e comunitárias brasileiras de coletar milhares de radinhos de pilha e doar ao Exército Brasileiro para distribuir entre os haitianos. Assim, os haitianos podem ser alcançados pela programação da Rádio ONU, por exemplo, ou outra que cumpra a função social e humanitária, rigorosamente obrigatórias.

A depender de avaliação do Exército - consultas estão em curso - estas entidades poderiam também enviar transmissores de rádios comunitárias, desde que assegurado o seu funcionamento seguro e adequado, já que há ainda a atuação de grupos armados que organizam saques.

Assim, caberia também ao governo pensar na instalação de um Ponto de Cultura do Minc por lá, tal como o já existente em Caracas. Assim, a solidariedade brasileira ao Haiti ganharia em qualidade com a participação popular, tal como está propondo o MST, disposto a enviar técnicos agrícolas, sementes, ferramentas.

Vale lembrar que relatório da FAO indica que existe uma produção de feijão com risco de perda já que os haitianos tudo perderam, estão cuidando dos enfermos, não têm transporte, não há infra-estrutura para promover esta colheita. Quantas brigadas de solidariedade não se enviaram à Nicarágua e a Cuba para a colheita do café da cana. É hora de refazê-las.

O movimento estudantil, os sindicatos, as universidades brasileiras também poderiam oferecer ajuda, seja coletando os radinhos, ou sementes, seja desenvolvendo programas técnicos adequados para a situação, seja por meio do envio de brigadas, que atuariam em coordenação com o Exército Brasileiro, conformando uma aliança cívico-militar que já atuou de forma muito positiva em nossa História, por exemplo, na Campanha “O Petróleo é Nosso”, que resultou na criação da Petrobrás.

Integração latino-americana e caribenha

Há uma disputa de ocupação estratégica naquela região. Mesmo nas tragédias, os planos mais sinistros vicejam. Se há supostos missionários dos EUA presos por tentarem seqüestrar crianças haitianas...como denunciou a Telesur. O Brasil tem realizado obras importantes no Caribe, com a presença de suas empresas estatais - como a Petrobrás que está ampliando e modernizando o Porto de Mariel , em Cuba - e esta presença deveria ser consolidada, qualificada, obviamente, não com o sentido colonialista como se aventa maliciosamente nas páginas do jornalismo de desintegração. O sentido deve ser o de promover a legítima e necessária integração dos países da América Latina e Caribe.

No Caribe está a Quarta Frota dos EUA, que despejaram mais de 13 mil fuzileiros no Haiti. Por ali também navega a Frota Russa. Ali está a Venezuela nacionalizando seus recursos e onde estão importantes empresas estatais e privadas brasileiras. E sabemos que não é apenas no filme “Avatar” que o complexo militar-industrial possui planos agressivos contra a Pátria de Bolívar.

Já Cuba tem hoje no Haiti 600 médicos. Já tinha centenas antes do terremoto, além de programas de alfabetização em dialeto creole, desenvolvido por pedagogos cubanos, com o uso criativo do rádio. Detalhe: em Cuba já não há mais analfabetismo, há décadas! E agora o país também está enviando para Porto-Príncipe jovens haitianos que estudam na Escola de Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana.

Nesta Escola também estudam, gratuitamente, 500 jovens estadunidenses, em sua maioria negros e pobres dos bairros do Harlem e do Brooklin. Alguns destes estudantes estadunidenses também estão sendo enviados para o Haiti para atender os enfermos.

O episódio caracteriza uma situação muito interessante para ser examinada não à luz da medicina, mas da política: o mais rico país do mundo, que tem o maior número de médicos do mundo, que tem também o maior orçamento militar de todo o mundo, desembarca 13 mil soldados no país destroçado.

E Cuba, que é um país de escassos recursos materiais, além de permitir que jovens pobres e negros estadunidenses formem-se em medicina - um deles declarou que se continuasse no Harlem provavelmente cairia nas mãos do narcotráfico - os envia para prestar solidariedade a um povo negro e irmão, evidenciando o sentido simbolicamente antagônico das duas iniciativas.

Lá no Haiti, este estudante armado de idéias, de sabedoria e uma consciência de medicina social, tal como o Che praticou, quando se defrontar cara a cara com um mariner armado, preparado para matar, revelará ao mundo uma das mais generosas lições do dolorido Haiti.

* Beto Almeida é membro da Junta Diretiva da Telesur e presidente da TV Cidade Livre de Brasília

Fonte: Carta Maior

Leia também:
Haiti: Unasul debate ajuda humanitária e ações de reconstrução
‘Militarização da ajuda humanitária está destruindo mais o Haiti’
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En el marco de soberanía y dignidad
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El presidente ecuatoriano, Rafael Correa, firmó este martes el documento para legalizar a los haitianos que se encuentran en su país y que facilita el traslado de sus familiares que se encuentran en la devastada nación caribeña Leer más

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Rescatan hombre luego de 28 días del devastador terremoto

Un hombre de 28 años de edad fue rescatado hoy con vida de entre los escombros de un mercado de Puerto Príncipe, a 28 días del devastador terremoto que sacudió Haití y que ha cobrado la vida de al menos 250 mil personas, según cifras oficiales.
YVKE Mundial

Colômbia: candidatura de Uribe enfrenta resistência


O tempo passa e a via jurídica para o presidente Alvaro Uribe tentar outra reeleição e concorrer ao 3º mandato não se pavimenta. A proposta de emenda constitucional que lhe possibilitaria um novo mandato sofreu um revés na Justiça e a discussão pode se prolongar por mais 60 dias, ou seja, até abril, mês que antecede a eleição, marcada para 30 de maio.E, no que se refere ao posicionamento perante a opinião pública, o governo levou golpes de dois outros setores da sociedade nos últimos dias.
No dia 3 de fevereiro, a ONG Human Rights Watch (HRW) apresentou seu informativo mais recente: “Herdeiros dos Paramilitares: A Nova Cara da Violência na Colômbia”, que estuda a transformação dos antigos grupos paramilitares nas gangues criminosas que surgiram em várias regiões do país.

Segundo Maria McFarland, pesquisadora senior da HRW que trabalhou nesse estudo por dois anos, "as novas gangues são integradas por paramilitares desmobilizados, por outros que nunca se desmobilizaram e por recrutas jovens”. Ou seja, os novos paramilitares são os mesmos de antes, mas com uma cara nova.

O diretor para as Américas da HRW, José Miguel Vivanco, confirma que estes novos grupos operam da mesma maneira e nas mesmas regiões dos antigos: “Vivem do narcotráfico, controlam o território e cometem abusos contra a população civil”.

O informe menciona a presença destes grupos em 24 dos 32 departamentos (estados) colombianos, com um total de 10.200 homens. Quase o mesmo número de paramilitares que eram registrados antes do processo de paz realizado pelo governo Uribe.

Ainda que normalmente seja utilizado o nome de "Aguilas Negras", os novos grupos têm nomes locais como “urabeños", “paisas” ou "nova geração". Não parecem ter um comando nacional unificado, o que os diferencia da AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia), o velho grupo paramilitar que se desmobilizou durante a presidência de Uribe.

O governo rejeitou o informe. “Reconhecemos o problema das guerrilhas emergentes, mas não estamos de acordo com a HRW sobre a natureza e o alcance do problema. Não acreditamos que seja uma extensão do paramilitarismo, mas sim um problema motivado pelo narcotráfico”, disse Carlos Franco, diretor do Programa Presidencial de Direitos Humanos.

Mas, segundo José Miguel Vivanco, também os velhos paramilitares deixaram a ideologia de lado e se dedicam ao narcotráfico. "Independentemente de como sejam chamados estes grupos (paramilitares, gangues criminosas ou outra denominação), não se deve minimizar o impacto que têm atualmente para os direitos humanos na Colômbia. As vítimas mais frequentes são sindicalistas, jornalistas, defensores de direitos humanos e civis que se opõe ao controle destes grupos”.

Estado de opinião

No mesmo dia em que a organização internacional denunciou estes fatos, acontecia o mais duro debate público da história republicana colombiana durante a visita de Uribe à Universidade Jorge Tadeo Lozano, como definiram alguns analistas. O presidente foi questionado duramente por acadêmicos respeitados, como a cientista política Claudia López, a decana Natalia Springer e o reitor José Fernando Isaza.

Este último atacou a ideia do “estado de opinião”: “Saddam Hussein foi também escolhido sob o estado de opinião. E, no estado de opinião, quando se perguntou se as pessoas preferiam Jesus ou Barrabás, escolheram Barrabás". Claudia López questionou a autoridade moral do presidente, que respondeu: “Foi necessário que chegasse este governo para que os crimes fossem investigados e as ligações com o terrorismo e com o narcotráfico fossem reveladas. Não me questione a autoridade moral!". Uribe disse também que nunca colocou o “estado de opinião” acima do “estado de direito”.

Além disso tudo, a lei do referendo sobre o terceiro mandato, que se encontra sob análise da Corte Constitucional, recebeu, poucas horas depois, um duro golpe quando o juiz Humberto Sierra pediu que fosse declarada inconstitucional. No comunicado, de mais de 400 folhas, o magistrado alegou que os “vícios formais” foram tão graves que não poderiam ser relevados.

A corte tem até 60 dias para debater e votar a lei, e tudo pode mudar. Mas a possibilidade de Uribe concorrer nas eleições presidenciais do dia 30 de maio parecem ter diminuído ainda mais.


Fonte: Opera Mundi

vermelho.org.br


Escobar foi um aliado de Uribe
Colômbia

Criminoso de guerra Tony Blair, um homem sem remorsos


Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, "socialista", católico recém-convertido, atual conselheiro de empresas e conferencista de temas vários, fez declarações inquietantes a uma comissão de inquérito sobre as suas responsabilidades na Guerra do Iraque. Há muito, perdera a dignidade; restava-lhe, acaso a tivesse, um mínimo de decência.

Por Baptista-Bastos, para o Informação Alternativa

"Faria tudo outra vez", disse, sem que a cara se lhe transformasse em sal podre. Ante o assombro dos inquiridores confessou: em nenhuma circunstância da sua vida, posterior à invasão de Bagdá, "houve arrependimento, nem desculpas, nem remorsos".

Sabe-se: a política deixou de ser pedagogia, para se converter em malícia, omissão e mentira. Neste caso, como em muitos outros, deixa atrás de si um caudal de morte, de destruição, de horror e de ressentimento.

Quando da Cúpula dos Açores, em 2003, na qual Durão Barroso foi o mordomo jovial e adulador de Bush, de Blair e de Aznar, os dados estavam lançados e as informações adquiridas.

O diplomata sueco Hans Blix, chefe da missão das Nações Unidas, procurara, em vão, durante 2002, as "armas de destruição em massa" de que Saddam teria posse.

As advertências de Blix, para travar o inevitável, chegaram a ser excruciantes. Mas o monumental embuste fora montado com cínica minúcia e calculada eficácia.

Os senhores da guerra e os seus catecúmenos berravam com tal amplidão que abafavam as vozes da sensatez e do acerto. A lista daqueles que, em Portugal, alinharam na infâmia, só não é patética porque excessivamente abominável.

Perante a tragédia no Iraque, com o lúgubre desfile de crimes contra a Humanidade, de sórdidos negócios de que o ex-secretário de Defesa dos EUA Donald Rumsfeld é um dos beneficiários (está relacionado com empresas de construção, a actuar em Bagdá), pode alguém, e ainda por cima católico, como Blair, manifestar ausência de arrependimento, sendo um dos responsáveis da carnificina?

A inversão de valores parece ter encontrado, no comportamento de muitos políticos, a verdadeira natureza dos seus objetivos. Desejam tornar conversíveis para a "normalidade" o que, ainda não há muito tempo, era entendido como desonestidade e vileza.

Blair e seus cúmplices são culpados não somente do que acontece de medonho no Iraque como, também, de manipulação emocional e intelectual de milhões de pessoas.

As coisas vão perpassando, as afirmações de arrogância sucedem-se, a soberba das decisões chega a ser afrontosa porque resulta na miséria moral em que o mundo se afunda - e ninguém é apontado à execração, poucos combatem a hegemonia da desigualdade e da injustiça. Entretanto, os assassinos andam por aí.

Fonte: Informação Alternativa

vermelho.org.br >> Mundo

Editorial
Minas de José Alencar dá exemplo ao Brasil

Munduruku: a literatura indígena é engajada e tem qualidade

‘Militarização da ajuda humanitária está destruindo mais o Haiti’

"Outras denúncias sobre a atuação dos Estados Unidos no Haiti estão relacionadas a uma suposta "máquina americana de fabricar terremotos", conhecida por Projeto Haarp que teria causado a tragédia de 12 de janeiro, o tsunami na Indonésia e terremotos na China, entre outras tragédias de grandes proporções.

"Não podemos descartar a ciência como uma força que organiza nossas vidas e também a vida dos Estados. A capacidade cientifica dos cientistas americanos é muito grande. Essas informações são preciosas, mas não são definitivas. Podem ser verdade, mas é preciso ter cautela. O que nós não podemos fazer é descartar, temos que analisar e seguir acompanhando tudo o que acontece no Haiti", opina Ouriques.
"


Fonte: Adital

Domingo, Fevereiro 07, 2010

Vuela alto hermano mío. Que en tu vuelo toco al fin la libertad


Difícil es el amanecer
Profundo este anochecer
Suave es el silencio que huele a ti
Que frágil es lo que yo te doy
Que fuerte aun cuando yo no estoy
Que eterno para quien lo quiera romper
No me dejes que esta noche soy cobarde
Estoy desnudo de valor
Quédate hermano mío que tu sombra es
Mi refugio y mi calor
Tu eres mi debilidad
Mi océano y mi tempestad
Podrías destruirme y volverme a inventar
Quisiera abrirte de par en par
Vibrar en tu sensibilidad
Tenerte en exclusiva, poderte robar
La nostalgia que me brilla en la mirada
Es por que no estas aquí
Vierta el cielo sus estrellas sobre ti
Y te traiga hasta mi
No ha habido nunca una mujer
Nadie antes nadie después
Capaz de conquistarme como lo haces tu
Decir te quiero, así sin mas
Y limitar mi devoción
Seria traicionarte por pudor
Quiero ser protagonista de tu vida
Ser tu amigo de verdad
Vuela alto hermano mío
Que en tu vuelo toco al fin la libertad
Vuela alto hermano mío
Que en tu vuelo toco al fin la libertad
Vuela alto hermano mío
Que en tu vuelo toco al fin la libertad.

Letra Hermano Mio de Miguel Bosé



♠♥♣.

Dolores Ibarruri Gómez, «La Pasionaria» ♥Mas
tu serás bela, furiosa, intrépida, inflamada pela indignação.
Chamar-te-ão a Passionária, para indicar o fogo que te incendeia o
coração.

(Antonio Tabucchi, conto "Carta de Mademoiselle Lenormand, cartomante, a Dolores Ibarruri, a revolucionária".)



"Descansa. O homem já se fez o escuro cego raivoso animal que pretendias"

(trecho de Amavisse, Via Vazia VII - Hilda Hilst).

EL CONDOR PASA




Hasta Siempre, Comandante!




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LITERATURA

Os novos Espelhos de Galeano

Escritor uruguaio lança seu livro mais recente: "Espejos. Una historia casi universal". Em tom de crônica poética, obra passeia por temas como arte, desigualdade, feminismo, mídia, impérios e resistências. "Le Monde Diplomatique" publica uma seleção de trechos, cedidos e escolhidos pelo próprio autor

Eduardo Galeano

Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos lembram.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?

Este livro foi escrito para que não partam.
Nestas páginas unem-se o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que ergueram os palácios e os templos de seus amos;
as mulheres, ignoradas por aqueles que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados por aqueles que
desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que o mundo contém e esconde;
os pensadores e os que sentem;
os curiosos, condenados por perguntar, e os rebeldes e
os perdedores e os lindos loucos que foram e são o
sal da terra

Fundação da poluição

Os pigmeus, que têm corpo pequeno e memória grande, recordam os tempos de antes do tempo, quando a terra estava acima do céu.

Da terra caía sobre o céu uma chuva incessante de pó e de lixo, que sujava a casa dos deuses e lhes envenenava a comida.

Os deuses estavam, havia uma eternidade, suportando essa descarga sebosa, quando sua paciência acabou.

Enviaram um raio, que partiu a terra em dois. E através da terra aberta lançaram para alto o sol, a lua e as estrelas, e por esse caminho subiram eles também. E lá em cima, distante de nós, a salvo de nós, os deuses fundaram seu novo reino.

Desde então, estamos embaixo.

Fundação da beleza

Estão ali, pintadas nas paredes e nos tetos das cavernas.

Estas figuras, bisões, alces, ursos, cavalos, águias, mulheres, homens, não têm idade. Nasceram há milhares e milhares de anos, mas nascem de novo a cada vez que alguém as olha.

Como eles conseguiram, nossos remotos avós, pintar de maneira tão delicada? Como eles conseguiram, esses brutos que de mão limpa lutavam contra as feras, criar figuras tão cheias de graça?Como eles conseguiram desenhar essas linhas voadoras que escapam da rocha e se vão para o ar? Como eles conseguiram …?

Ou seriam elas?

Fundação da arte de te desenhar

Em algum leito do golfo de Corinto, uma mulher contempla, à luz do fogo, o perfil de seu amante adormecido.

Na parede, reflete-se a sombra.

O amante, que jaz ao seu lado, partirá. Ao amanhecer partirá para a guerra, partirá para a morte. E também a sombra, sua companheira de viagem, partirá com ele e com ele morrerá.

Ainda é noite. A mulher recolhe um tição entre as brasas e desenha, na parede, o contorno da sombra.

Esses traços não partirão.

Não a abraçarão e ela sabe disso. Mas não partirão.

Fundação literária do cão

Argos foi o nome de um gigante de cem olhos e de uma cidade grega há quatro mil anos.

Também se chamava Argos o único que reconheceu Odisseu, quando chegou, disfarçado, a Ítaca.

Homero nos contou que Odisseu regressou, ao final de muita guerra e muito mar, e se aproximou de sua casa fazendo-se passar por um mendigo enfermiço e andrajoso.

Ninguém se deu conta de que ele era ele.

Ninguém, salvo um amigo que não sabia mais latir, nem podia caminhar, nem sequer se mover. Argos jazia, às portas de um galpão, abandonado, crivado pelos carrapatos, esperando a morte.

Quando viu, ou talvez farejou, que aquele mendigo se aproximava, levantou a cabeça e abanou o rabo.

Fundação do machismo

De uma dor de cabeça pode nascer uma deusa. Atena brotou da dolorida cabeça de seu pai, Zeus, que se abriu para lhe dar à luz. Ela foi parida sem mãe.

Tempos depois, seu voto foi decisivo no tribunal dos deuses, quando o Olimpo teve que pronunciar uma sentença difícil.

Para vingar seu pai, Electra e seu irmão Orestes haviam decepado, de uma machadada, o pescoço de sua mãe.

As Fúrias acusavam. Exigiam que os assassinos fossem apedrejados até a morte, porque a vida de uma rainha é sagrada e quem mata a mãe não tem perdão.

Apolo assumiu a defesa. Sustentou que os acusados eram filhos de mãe indigna e que a maternidade não tinha a menor importância. Uma mãe, afirmou Apolo, não é mais que o sulco inerte onde o homem planta sua semente.

Dos treze deuses do júri, seis votaram pela condenação e seis pela absolvição.

Atena decidia o desempate. Ela votou contra a mãe que não teve e deu vida eterna ao poder masculino em Atenas.

Fundação dos contos de fadas

No início do século dezoito, Daniel Defoe, o criador de Robinson Crusoe, escreveu alguns ensaios sobre temas de economia e comércio. Em um de seus trabalhos mais difundidos, Defoe exaltou a função do protecionismo estatal no desenvolvimento da indústria têxtil britânica: se não fosse pelos reis que tanto ajudaram o florescimento fabril com suas barreiras aduaneiras e seus impostos, a Inglaterra continuaria sendo uma fornecedora de lã crua para a indústria estrangeira. A partir do crescimento industrial da Inglaterra, Defoe podia imaginar o mundo do futuro como uma imensa colônia submetida a seus produtos.

Depois, à medida que o sonho de Defoe ia se tornando realidade, a potência imperial foi proibindo, por asfixia ou a tiros de canhão, que outros países seguissem seu caminho.

Quando chegou ao topo, chutou a escada – disse o economista alemão Friedrich List.

Então, a Inglaterra inventou a liberdade de comércio: em nossos dias, os países ricos continuam contando esse conto aos países pobres, nas noites de insônia.

Fundação da linguagem

Em 1870, ao final de uma guerra de cinco anos, o Paraguai foi aniquilado em nome da liberdade de comércio.

Nas ruínas do Paraguai, sobreviveu o primeiro: entre tanta morte, sobreviveu o nascimento.

Sobreviveu a língua original, a língua guarani, e com ela a certeza de que a palavra é sagrada.

A mais antiga das tradições conta que nesta terra cantou a cigarra carmim e cantou o gafanhoto verde e cantou a perdiz e então cantou o cedro: da alma do cedro ressoou o canto que na língua guarani chamou os primeiros paraguaios.

Eles não existiam.

Nasceram da palavra que os nomeou.

Fundação de Hollywood

Cavalgam os mascarados, túnicas brancas, brancas cruzes, tochas ao alto: os negros, famintos de brancas donzelas, tremem diante destes cavaleiros vingadores da virtude das damas e da honra dos cavalheiros.

Em pleno auge dos linchamentos, o filme de D. W. Griffith, O nascimento de uma nação, eleva seu hino de louvor à Ku Klux Klan.

Esta é a primeira superprodução de Hollywood e o maior êxito de bilheteria de todos os anos do cinema mudo. É, também, o primeiro filme que estréia na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, o aplaude de pé. O aplaude, se aplaude: este defensor da liberdade é o autor dos principais textos que acompanham as épicas imagens.

As palavras do presidente explicam que a emancipação dos escravos foi uma verdadeira derrocada da Civilização no Sul, o Sul branco sob os calcanhares do Sul negro.

A partir de então, reina o caos, porque os negros são homens que ignoram os usos da autoridade, exceto suas insolências.

Mas o presidente acende a luz da esperança: Por fim foi dada à luz uma grande Ku Klux Klan.

E até Jesus em pessoa desce do céu, no final do filme, para dar sua bênção.

Fundação do Faroeste

Os cenários dos filmes do Oeste, onde cada revólver disparava mais balas que uma metralhadora, eram aldeias miseráveis, onde o único som eram os bocejos e os bocejos duravam muito mais que as badernas.

Os cowboys, esses taciturnos cavalheiros, cavaleiros empertigados que atravessavam o universo resgatando donzelas, eram peões mortos de fome, sem nenhuma companhia feminina além das vacas que fustigavam, através do deserto, arriscando a vida em troca de um salário de fome. E não se pareciam nem um pouquinho com Gary Cooper, nem com John Wayne, nem com Alan Ladd, porque eram negros ou mexicanos ou brancos desdentados que nunca haviam passado pelas mãos de uma maquiadora.

E os índios, condenados a trabalhar como extras no papel de maus, perversos, nada tinham a ver com esses débeis mentais, emplumados, mal pintados, que não sabiam falar e uivavam em volta da diligência crivada de flechadas.

A saga do Faroeste foi a invenção de um punhado de empresários vindos da Europa Oriental. Estes imigrantes tinham bom olho para o negócio, Laemmle, Fox, Warner, Mayer, Zukor, que nos estúdios de Hollywood fabricaram o mito universal de maior sucesso do século vinte.

Mais

Espejos. Una historia casi universal foi lançado em abril, simultaneamente na Argentina, Espanha e México. Ainda não disponível em português, a obra pode ser adquirida pela internet. No jornal mexicano La Jornada é possível encontrar uma longa entrevista com o autor (traduzida para o português e reproduzida pela agência Carta Maior) e uma crítica alentada do livro, por Jorge Gomez Naredo.




Carlos Puebla - Hasta Siempre

Hasta Siempre, Comandante!


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Ernesto Che Guevara

Ao meu irmão, Antonio Umberto, à sua memória dedico, sentidamente ...

"...desencajado
en una realidad cerril y desgraciada, en un mundo para gente hábil y
fría con el corazón envuelto en rosas de plástico."
por Allan Mcdonald de Honduras, hermano mío...

♠♣.♥

Hasta Siempre, Commandante

Sábado, Fevereiro 06, 2010

Petróleo en Haití: Motivos de la ocupación EE.UU. - Parte II

Por años los EE.UU. sabían de las inmensas reservas petroleras de Haití, e incluso en los años 70 quedaron catalogadas como parte de las reservas estratégicas estadounidenses
Marguerite Laurent
Yo escribí la parte 1 del Petróleo en Haití, las razones económicas de los EE.UU. y la ocupación de la ONU (1) en octubre de 2009.

Después del terremoto me preguntaba si la extracción de petróleo podría haber provocado el terremoto (véase el artículo) ¿La minería y la perforación petrolera pusieron en marcha el terremoto de Haití? (2)

Entonces, después de años de pasar golpeándome contra la roca oficialista colonial que siempre continuó negando que Haití había recursos importantes ....
www.kaosenlared.net/noticia/petroleo-haiti-motivos-ocupacion-ee.uu-parte-ii


Petróleo en Haití: Motivos de la ocupación EE.UU. - Parte II
Marguerite Laurent

Por años los EE.UU. sabían de las inmensas reservas petroleras de Haití, e incluso en los años 70 quedaron catalogadas como parte de las reservas estratégicas estadounidenses

5-2-2010 |

Ezili Danto / Marguerite Laurent
www.margueritelaurent.com

1. http://www.margueritelaurent.com/pressclips/oil_sites.html#shopping_in_Haiti
2. http://www.opednews.com/articles/Did-mining-and-oil-drillin-by-Ezili-Danto-100123-329.html
3. http://www.businessweek.com/news/2010-01-26/haiti-earthquake-may-have-exposed-gas-deposits-aiding-recovery.html
4. http://www.guardianlies.com/Section%206/page36.html
5. http://www.margueritelaurent.com/pressclips/oil_sites.html#oil_GeorgesMichelEnglish
6. http://www.margueritelaurent.com/pressclips/oil_sites.html#full_of_oil
7. http://www.margueritelaurent.com/pressclips/oil_sites.html#shopping_in_Haiti

Artículo original en inglés, en Global Research: "Oil in Haiti: Reasons for the US Occupation, Part II"
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=17293

Publicado en español en www.corneta.org
Más información:
Rel. Internacionales / Geopolítica


Los ojos abiertos de América Latina
Félix López

Gobierno de Panamá pone fin, unilateralmente, a la Operación Milagro, que ha devuelto la vista a 1,8 millones de seres humanos de 35 países



Colombia: “Sí la violé. ¿Y? ¡Demándeme!…
Azalea Robles

Colombia, Criminal:“Sí la violé. ¿Y? ¡Demándeme!… a nosotros no nos pueden hacer nada”… Ya van decenas de casos (conocidos) de niñas colombianas violadas por marines USA…en la impunidad



KALVENDARIO 2010
DESKARGA DE GRATIX!
www.kalvellido.net

"Venezuela califica declaraciones de Shannon de inaceptables e injerencistas"


O desafio do controlo das armas convencionais
Frida Berrigan
Frida BerriganHá cerca de um ano, Obama apresentou uma “proposta de desarmamento nuclear, apelando para “um mundo sem armas nucleares” e “ comité Nobel da Paz mostrou-lhe reconhecimento por este empenho e aspiração com o prémio entregue em Dezembro em Oslo”.

Agora, a uma petição de Obama, “o Congresso concedeu 68 milhões de dólares à Boeing Corporation para acelerar a aquisição e desenvolvimento de 10 a 12 MOP’s (…), “arma de opção” para uma “necessidade operacional urgente.”

A proposta de desarmamento nuclear de Obama foi a fórmula encontrada pelos EUA para se desfazerem de um arsenal velho e de elevada manutenção por um outro arsenal mais moderno e o controlo do comércio de armas mundial.


06.02.10
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A Unidade Popular, meta permanente

Comissão Politica do Partido Comunista da Bolívia

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REBELIÓN
Haití y Honduras
Paralelo más que simbólico entre golpes y temblores
Karen Bähr Caballero (06-02-2010)

Los secuestradores norteamericanos ya tienen quien les defiende
El diario El País defiende a los secuestradores de niños en Haití
Ernesto Pérez Castillo
06-02-2010

Haití
Las claves de la ocupación militar
Noel E. Martínez
06-02-2010

Cuba abrirá su quinto hospital de campaña en Haití
Raymundo Gómez Navia
06-02-2010

Global Research revela interés de EEUU por recursos naturales de Haití
05-02-2010

Chile
Declaración del Movimiento Patriótico Manuel Rodríguez
"Es hora de la izquierda revolucionaria"
(06-02-2010)

Venezuela
Venezuela califica declaraciones de Shannon de inaceptables e injerencistas
(06-02-2010)
La Cancillería venezolana indicó que el embajador EE.UU. en Brasil debería dedicarse a su misión, en vez de usar el territorio de un país amigo para agredir o intervenir en los asuntos internos de Venezuela.

Más que un simple videojuego
David Brooks (06-02-2010)
El juego es una ventana a lo que es un creciente, cada vez más poderoso y diverso movimiento de base ultraconservador en Estados Unidos que ya provoca preocupación a las cúpulas y hasta impacto político nacional.

Conocimiento Libre
El gobierno se opone a acuerdo editorial de Google en EEUU
(06-02-2010)

Fonte: REBELIÓN

Rusia: Presidente Medvedev aprueba una nueva doctrina que permite ataques nucleares preventivos

Insurgentes somalíes hacen efectiva ayuda a víctimas de Haiti
Por: Agencia Matriz del Sur
Fonte: aporrea.org/
Insurgente somalí
Credito: Agencia Matriz del Sur


Somalia, febrero 6 - Días después del anuncio de ayuda hacia los damnificados por el devastador terremoto que azotó al territorio haitiano, los insurgentes somalíes cumplieron con su promesa de ayuda solidaria a la población de Haití.

En un comunicado enviado por correo electrónico y publicado por la Agencia digital de noticias Panorama Alternativo, el representante de uno de los grupos que actúan en aguas del Océano Indico identificado con el nombre Husein, señaló que “como había sido anunciado y como un compromiso humanitario asumido ante los pueblos oprimidos del mundo, se hizo efectiva la colaboración hacia el pueblo hermano de Haití a través de enlaces que se encuentran en Puerto Príncipe y que están colaborando con las víctimas”.

Indicó además que “la presencia de tropas de Estados Unidos y países de la Unión Europea en territorio haitiano es una muestra más de la soberbia y falta de humanismo de quienes han expoliado a millones de personas en todo el mundo durante cientos de años”.

“Reiteramos la falta de autoridad moral para ayudar, de quienes nunca han ayudado”.

Consideran en el comunicado que “el retiro de la flota naval británica semanas antes del terremoto en Haití muestra la debilidad y cobardía de los grandes piratas de la historia” e indicaron que “próximos buques de bandera británica serán abordados cuando se acerquen a las aguas de Somalía”.

“Continuaremos confiscando mercancías de las empresas transnacionales que circulen por nuestras aguas”, expresó el vocero de los insurgentes.

(con información de Panorama Alternativo)



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Por Kalvellido

(“ALCArajo el Imperialismo”).

(FOTO: Lucas Dolega) Un manifestante contra la OTAN enfrenta con gestos a los policías que lanzan gases lacrimógenos en Neuhof, Estrasburgo.

"A la derecha no se le puede dar tregua" (Vladimir Acosta, Venezuela)

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Revelan interés de Estados Unidos por petróleo de Haití


"Miséria é miséria em qualquer canto/ Riquezas são diferentes"

("Miséria", Titãs)

Médicos americanos formados em Cuba entram em ação no Haiti

vermelho.org.br >>

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http://www.telesurtv.net/multimedia/imagenes/caricatura/ICG788_1083.jpg
Por Kalvellido

Según un artículo del sitio web Global Research
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Actualmente Estados Unidos dispone junto a sus tropas en el terreno de varios buques, entre ellos un portaviones nuclear y un barco-hospital. Foto: Archivo

Prensa Yvke Mundial/Abn
Viernes, 5 de Feb de 2010.
Keila Sandia


Según hace público un artículo del sitio web Global Research “Estados Unidos busca hace décadas apropiarse de los recursos petrolíferos de Haití para cuando sus reservas en el Medio Oriente se acaben”.
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Según hace público un artículo del sitio web Global Research “Estados Unidos busca hace décadas apropiarse de los recursos petrolíferos de Haití para cuando sus reservas en el Medio Oriente se acaben”.

Ante los cuestionamientos internacionales surgidos por la presencia de casi 15 mil soldados estadounidenses en la nación caribeña luego del terremoto que la asoló el pasado 12 de enero, hacen más vigentes de nunca lo publicado por primera vez en octubre 2009 por el mencionado portal.

El artículo se sustenta en un estudio del doctor Georges Michel, publicado en marzo de 2004, sobre la historia de las exploraciones y las reservas del carburante en el territorio antillano.

El propósito norteamericano sobre el petróleo haitiano, según afirma el texto, afloró cuando fuerzas especiales de la ONU invadieron y ocuparon Haití en el 2004, y sacaron del poder al mandatario Jean Bertrand Aristide, enviado posteriormente a Sudáfrica.

En el estudio del doctor Michel se señala que la acción tuvo el objetivo de facilitar la ocupación y dominio de los recursos nacionales por largo tiempo y que no protegió los derechos de los haitianos ni su seguridad.

Leopoldo Espaillat, ex presidente de la Refinería Dominicana de Petróleo, dijo que investigaciones geológicas realizadas en suelo haitiano, indican que dicha nación comparte con su país el yacimiento de oro negro sin explotar más grande del mundo.

Precisó nota de Prensa Latina que Haiti posee reservas de iridio, un mineral poco conocido y escaso que es vital para la construcción de naves espaciales.

Actualmente Estados Unidos dispone junto a sus tropas en el terreno de varios buques, entre ellos un portaviones nuclear y un barco-hospital.
YVKE Mundial
Revelación, 18 años después
Hugo Chávez junto a Arias Cárdenas, ambos líderes de la rebelión militar

Prensa YVKE Mundial/Mariandry Laclé
Miércoles, 3 de Feb de 2010.

Iván Freites salió el 4 de febrero de 1992 con un ejército aguerrido a dar la pelea por el rescate de la dignidad del pueblo venezolano. Sin embargo, antes de alcanzar la victoria, debía ejecutar una orden movida por intereses que traicionaban el proceso revolucionario
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YVKE Mundial

Inculpados de secuestro los 10 religiosos que intentaron sacar a 33 niños de Haití

Varios norteamericanos son acusados de secuestro en Haití

ONU reconoce la mala distribución de la ayuda en Haití

Paulo Nogueira Batista Jr.
Haiti precisa de ajuda, não de ser ocupado militarmente

Para reviver o universo criativo de Chico Science

Começa no RS o Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe

Juiz se coloca contra possibilidade de nova reeleição para Uribe

Robert Fisk: Israel sente-se sitiada; como se fosse vítima

Editorial
A impaciência da Economist com Serra e a pobreza no Brasil


vermelho.org.br >> América Latina

Pochmann: Brasil requer novos métodos de combate à pobreza

O Brasil requer inovadores métodos de combate às diferentes formas de pobreza, sobretudo na desigual repartição da renda.

Por Marcio Pochmann, no jornal Folha de S. Paulo

"Miséria é miséria em qualquer canto/ Riquezas são diferentes"

("Miséria", Titãs)


vermelho.org.br >> Economia


(“ALCArajo el Imperialismo”).
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El juego de EEUU en América Latina


La injerencia estadounidense en la política de Haití y Honduras es sólo el ejemplo más reciente de su larga lista de intervenciones en Latinoamérica


Portada :: América Latina

05-02-2010

El juego de EEUU en América Latina

The Guardian

Cuando escribo sobre la política exterior de los Estados Unidos en países como Haití o Honduras, mis lectores frecuentemente me comentan que es difícil creer que estos países les importan lo suficiente al gobierno de los Estados Unidos como para intentar controlarlos o derrocar a sus gobiernos. ¿Por qué les importaría a los responsables de política en Washington quiénes gobiernan países tan pequeños y pobres con pocos recursos naturales y mercados subdesarrollados?

Desafortunadamente sí les importa y les importa mucho. Haití les importa lo suficiente como para derrocar al Presidente Jean-Bertrand Aristide dos veces. La primera vez, en 1991, fue clandestina. Nos enteramos después del hecho que los responsables del golpe fueron financiados por la CIA. Además, Emmanuel Constant, el líder del escuadrón de la muerte más notorio en Haití – que mató a miles de los partidarios de Aristide – le contó al noticiero CBS que el también fue financiado por la CIA.

La participación de los Estados Unidos en el golpe de 2004 fue mucho más obvia. Washington lideró la suspensión de casi toda la ayuda internacional a Haití, asegurando la eventual caída del gobierno. El New York Times informó que al mismo tiempo que el Departamento de Estado le insistía a Aristide que llegue a un acuerdo con la oposición política (financiado por millones de dólares estadounidenses), el Instituto Internacional Republicano le decía a la oposición que se niegue.

En Honduras durante el último verano y otoño, el gobierno de los Estados Unidos hizo todo lo posible para evitar que el resto del hemisferio arme una efectiva oposición política al gobierno golpista hondureño. Por ejemplo, bloquearon una medida dentro de la Organización de Estados Americanos que no reconocería el resultado de las elecciones celebradas bajo la dictadura. Al mismo tiempo, el gobierno de Obama públicamente fingió estar en contra del golpe.

Desde el punto de vista de relaciones publicas, esta estrategia solo fue parcialmente exitosa. La mayoría del público estadounidense piensa que el gobierno de Obama estaba en contra del golpe; pero al llegar noviembre del año pasado aparecieron numerosos informes y hasta críticas editoriales que Obama cedió a la presión Republicana y no hizo lo suficiente. Pero esa era una mala interpretación de lo que sucedió en verdad: la presión Republicana simplemente cambio la estrategia mediática del gobierno, no su estrategia política. Los que siguieron los hechos de cerca desde el comienzo entendían que la estrategia política era trabar y limitar cualquier esfuerzo para restituir al presidente democrático y al mismo tiempo fingir que el retorno a la democracia era el objetivo.

Los gobiernos de América Latina entendían esta estrategia, incluyendo el influyente Brasil. Esto es importante porque demuestra que el Departamento de Estado estaba dispuesto a pagar un gran precio político para ayudar a la derecha en Honduras. De esta manera, el Departamento de Estado demostró a la gran mayoría de los gobiernos de Latinoamérica que su política en el hemisferio es idéntica a la del gobierno de Bush, lo que no es una conclusión muy apetecible desde el punto de vista de la diplomacia.

¿Por qué les importa tanto quien gobierna estos países pobres? Como lo sabe cualquier buen jugador de ajedrez, los peones son importantes. La pérdida de un par de peones al principio de un juego puede marcar la diferencia entre la victoria y la derrota. El gobierno de los Estados Unidos mira a estos países a través de la simple óptica del poder. Le gustan los gobiernos que están de acuerdo con maximizar el poder de los Estados Unidos en el mundo y no aquellos gobiernos que tienen otras metas – aunque no estén necesariamente en contra de sus intereses.

Lógicamente, los aliados más confiables del gobierno de Obama en el hemisferio, aunque él mismo no es de derecha, son gobiernos derechistas como Colombia o Panamá. Ésto resalta la continuidad de una política de control. La victoria de la derecha en Chile la semana pasada (la primera vez que la derecha a ganado una elección en medio siglo) fue una importante victoria para el gobierno de los Estados Unidos. La posible derrota del Partido de los Trabajadores de Lula da Silva en las próximas elecciones presidenciales en Brasil significaría una victoria aún más importante para el Departamento de Estado. A pesar que funcionarios estadounidenses bajo las administraciones de Bush y Obama han mantenido una postura amistosa hacia Brasil, es obvio que le guardan profundo rencor a los cambios en la política exterior de Brasil, puesto que han alineado al país con otros gobiernos sociales democráticos, así como también a sus posiciones independientes en torno al Medio Oriente, Irán y otros lugares.

De hecho, los Estados Unidos se ha entrometido en la política brasileña recientemente. Por ejemplo, el año 2005 se organizó una conferencia para promover un cambio legal que le haría más difícil a legisladores cambiarse de partidos políticos. Ésto habría fortalecido a la oposición al gobierno del Partido de los Trabajadores (PT) de Lula ya que el PT impone disciplina partidaria mientras muchos partidos opositores no lo hacen. Esta intervención por el gobierno de los Estados Unidos sólo fue descubierta el año pasado tras una solicitud a través de la Ley de Libre Información (Freedom of Information Act) hecha en Washington. Hay muchas más intervenciones ocurriendo ahora a lo largo del continente que aún no conocemos. Los Estados Unidos ha estado involucrado en la política de Chile desde los 60s, mucho antes que organizaran el golpe contra la democracia chilena en 1973.

En Octubre de 1970, el Presidente Richard Nixon estaba maldiciendo al gobierno social democrático del Presidente de Chile, Salvador Allende. “¡Ese hijo de puta!” dijo Nixon el 15 de Octubre de 1970. “Ese hijo de puta deAllende – lo vamos a aplastar.” Un par de semanas después explicó porqu:
“La principal preocupación con Chile es que Allende consolide su gobierno, y la imagen proyectada al mundo sea de su éxito… Si permitimos que posibles líderes en América Latina piensen que se pueden comportar como Chile y tenerlos de ambas maneras, tendremos serios problemas…”
Esta es otra razón de porqué importan los peones. Además, la pesadilla de Nixon se realizó un cuarto siglo después cuando países, uno tras otro, eligieron gobiernos independientes izquierdistas que Washington no quería. Los Estados Unidos terminó “perdiendo” a la mayoría de la región. Pero están intentando recuperarlos, un país a la vez.

Los países más pequeños, pobres y cercanos a los Estados Unidos corren el mayor riesgo. Honduras y Haití tendrán elecciones democráticas algún día, pero sólo cuando se disminuya la influencia de Washington en sus políticas.

Mark Weisbrot es codirector del Center for Economic and Policy Research (CEPR), en Washington, D.C. Obtuvo un doctorado en economía por la Universidad de Michigan. Es coautor, junto con Dean Baker, del libro Social Security: The Phony Crisis (University of Chicago Press, 2000), y ha escrito numerosos informes de investigación sobre política económica. Es también presidente de la organización Just Foreign Policy.

Fuente: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cifamerica/2010/jan/29/us-latin-america-haiti-honduras

Traducido por CEPR: http://www.cepr.net/index.php/other-languages/spanish-op-eds/razon-por-que-washington-importan-paises-como-haiti-honduras/

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“Las vacunas son efectivas para prevenir las enfermedades infecciosas aunque no todas las enfermedades infecciosas pueden tener vacunas"
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“Vamos a estar cuando todos se hayan ido”
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-Obama, Premio Nobel de la Paz, impulsa el gasto militar más alto de la historia de los EEUU
Aura Ribeiro

Global Research revela interés de EEUU por recursos naturales de Haití
05-02-2010

Los delitos que se le imputan al ex dictador prescribieron, se argumenta en la sentencia
Tribunal Supremo de Suiza rechaza devolver a Haití el dinero de Baby Doc
05-02-2010

REBELIÓN

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(“ALCArajo el Imperialismo”).

(FOTO: Lucas Dolega) Un manifestante contra la OTAN enfrenta con gestos a los policías que lanzan gases lacrimógenos en Neuhof, Estrasburgo.

"A la derecha no se le puede dar tregua" (Vladimir Acosta, Venezuela)

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

FLAVIO DALOSTTO: LIBRO SOBRE LA HISTORIA DE LOS INDIOS QOM DEL CHACO


LIBRO SOBRE LA HISTORIA DE LOS INDIOS QOM DEL CHACO
FLAVIO DALOSTTO / Información a opinargentina@gmail.com


NUEVO LIBRO SOBRE INDIOS QOM DEL CHACO / opinargentina@gmail.com, ou visite o blog:
http://la-opinion-argentina.blogspot.com/



REBELIÓN

América Latina
Haití, Cuba y la ley primera
José Steinsleger

Brasil
La esclavitud es una realidad actual
Tania Jamardo Faillace (04-02-2010)

Argentina
La biografia del nuevo responsable del Banco Central
Un legajo traspapelado del prontuario de Miguel Pesce
Marcelo Ramal/Jorge Altamira (04-02-2010)

Venezuela
Un informe de Inteligencia de EEUU clasifica a Venezuela como ''Líder antiestadounidense''
Eva Golinger (04-02-2010)
La importancia que se da a Venezuela en este informe evidencia que las acciones y operaciones de inteligencia y seguridad de Washington contra el gobierno de Hugo Chávez se incrementarán durante 2010.

Chile
El Opus Dei, al asalto del Arzobispado de Santiago
Jaime Escobar (04-02-2010)

México
Defensores de derechos humanos en riesgo
Sara Lovera (04-02-2010)

Cuba
Más de mil cubanos y jóvenes haitianos apoyan a esa nación del Caribe
Raymundo Gómez Navia (04-02-2010)

Colombia
De los “falsos positivos” a la muerte en Afganistán
La muerte que ronda a los jóvenes de Soacha
Juan Cendales (04-02-2010)

Chile
Declaración de la Organización Comunista Libertaria
"Una oportunidad histórica para la acumulación de fuerzas de la izquierda revolucionaria"
(04-02-2010)

Movilización popular en Haití
Exigen salida de las tropas extranjeras, principalmente de EEUU y Brasil
(04-02-2010)

Entrevista a Leandra Perpétuo, integrante de la comisión sindical internacional que ha visitado Haití
“Es falsa esa idea de que la gente está loca y salta sobre quien está ofreciendo auxilio”
Alex Praça (04-02-2010)

Bolivia
Denunciado por terrorismo en Bolivia, Marinkovic encontró refugio en Estados Unidos
Jean-Guy Allard (04-02-2010)

Uruguay
Pepe espera paciente
Carlos Díaz (04-02-2010)

Iraq
El acertijo del petróleo iraquí
Energía y poder en Oriente Próximo
Michael Schwartz

Mentiras y medios
Un repaso a la cobertura del terremoto en los medios españoles
Y Haití fue noticia
Pascual Serrano

Cultura
http://www.rebelion.org/


* Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, escritor, arabista e professor. Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association.

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Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

A quem interessar possa: o Haiti não é o Afeganistão


DEBATE ABERTO

Os 20 mil soldados norteamericanos no Haiti, país com 9 milhões de habitantes perfaz proporção superior às forças conjuntas dos Estados Unidos e da OTAN no Afeganistão nesse primeiro ano do governo Obama: 70 mil para uma população de 28 milhões.

Jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pelaUNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.orgEmail - wlaraujo9@gmail.com

Colunistas| 03/02/2010 | Copyleft

"Futuro democrático depende de conhecermos horrores da ditadura"


A Seccional da OAB no Estado do Rio vai lançar nos próximos dias a Campanha pela Memória e pela Verdade, o que inclui a defesa da abertura dos arquivos da repressão política na ditadura militar. As razões que justificam a campanha são muitas. Há, em primeiro lugar, razões humanitárias. A mais evidente delas diz respeito ao elementar direito das famílias de desaparecidos políticos de dar-lhes uma sepultura.

Por Wadih Damous*, em Folha de S.Paulo

Aliás, esse direito é recorrente na história da humanidade. Provavelmente, a primeira menção a ele se dá na "Ilíada", de Homero (século 8 a.C.), que nos fala de interrupções nos combates na Guerra de Troia para que os exércitos homenageassem seus mortos e enterrassem seus corpos.

Séculos depois, Sófocles tratou do tema em sua peça "Antígona", encenada na Grécia em 422 a.C., como bem lembrou Marcello Cerqueira em recente artigo na edição de dezembro de 2009 da "Folha do IAB" (Instituto dos Advogados Brasileiros).

Assim, desde que a humanidade se reconhece como tal, é respeitado o direito das famílias de enterrar seus mortos. É o que faz, aliás, Antígona, na citada peça de Sófocles. Ela cavou com as próprias mãos a sepultura do irmão Polinices e pagou com a vida o desafio às ordens de Creonte, rei de Tebas.

Polinices fora condenado à morte e a não ter direito a uma sepultura, para que seu corpo ficasse à disposição de cães e aves de rapina. Ele -a exemplo do que se repetiria com outros personagens até nossos tempos- desafiara o déspota de então.

No Brasil, conhecem-se casos de mães que, durante décadas, recusaram-se a mudar de endereço ou a trocar a fechadura da porta de casa, na esperança de que um filho preso um dia reaparecesse.

Sabe-se de muitos natais em que famílias prepararam a ceia deixando uma cadeira vaga na mesa, enquanto esperavam, em vão, o retorno de um ente querido para festejar a data com os seus.

Conhecer o destino dos desaparecidos políticos, saber em que circunstâncias morreram, quem os assassinou e a mando de quem é um direito das famílias. Tanto quanto dar-lhes uma sepultura digna. Tal como quis Antígona para seu irmão Polinices.

Mas não só razões humanitárias exigem a abertura dos arquivos da repressão política.

Os que se opõem a ela e propugnam que se ponha uma pedra sobre o assunto lembram a necessidade de olhar para o futuro, e não para o passado. É argumento de peso. Afinal, o ressentimento é, sempre, mau conselheiro. Na vida pessoal e na política.

Mas justamente a necessidade de construir um futuro democrático é que torna necessário o conhecimento dos horrores acontecidos durante a ditadura. Mesmo que isso signifique submeter a sociedade a um verdadeiro choque e desagradar aos militares.

Arrastar o lixo para baixo do tapete só fará com que ele possa ressurgir mais tarde. Já a luz do Sol sobre o acontecido fará com que se criem anticorpos, impedindo a repetição da barbárie.

O golpe de 1964 é, até hoje, cultuado nos quartéis. Chegou-se ao ponto de, no primeiro governo Lula, um ministro da Defesa demitir-se por não obter apoio do presidente ao questionar uma ordem do dia, lida nos quartéis, de exaltação à ditadura.

Ora, não é assunto exclusivo das Forças Armadas o tipo de formação ministrada aos nossos jovens que se dedicam à carreira militar. Ao contrário, essa questão é de interesse da sociedade. Não é aceitável que novas gerações de militares sejam formadas com mentalidade antidemocrática.

As Forças Armadas devem ser doutrinadas e preparadas para defender a Constituição e o Estado de Direito.

Também para isso é importante a abertura dos arquivos. Ela trará para o centro da reflexão o papel desempenhado pelas Forças Armadas na ditadura e sua herança até hoje.

É mais fácil defender o direito à memória e a abertura dos arquivos da repressão esquivando-se do conflito com as Forças Armadas e afirmando que elas não participaram, como instituição, de torturas e assassinatos.

Mas isso é falso. Ainda que torturadores e assassinos tenham sido ínfima minoria dentre os militares, eles não agiram à revelia do comando. Suas ações tiveram o aval dos chefes das Forças Armadas e da ditadura.

É por isso que, hoje, o espírito de corpo se faz presente quando se fala em trazer luz sobre o que aconteceu ou em punir executores diretos dos crimes. Vivemos, então, uma situação "sui generis". Quase 25 anos depois de passarmos a um regime civil, os militares ainda se arvoram no direito de determinar os limites até onde podem ir a democracia e o conhecimento de nossa história recente.

Por isso também, abrir os arquivos é essencial para quem quer construir um Brasil melhor. Isso é o que se recomenda para quem olha para a frente. Daí a Campanha pela Memória e pela Verdade.

* Wadih Damous é advogado, presidente da OAB-RJ.


vermelho.org.br >> Brasil

Editorial
Lei fascista proíbe Partido Comunista no Chile


Há 48 anos, EUA oficializavam bloqueio total a Cuba

Colômbia: a 4 meses da eleição, Uribe atua como candidato

Un día como el de hoy, mi maestro William Faullkner dijo en este lugar: "Me niego a admitir el fin del hombre". (Gabriel García Márquez)


La soledad de América Latina
[Discurso de aceptación del Premio Nobel 1982 -Texto completo]

CiudadSeva.com

Gabriel García Márquez

Antonio Pigafetta, un navegante florentino que acompañó a Magallanes en el primer viaje alrededor del mundo, escribió a su paso por nuestra América meridional una crónica rigurosa que sin embargo parece una aventura de la imaginación. Contó que había visto cerdos con el ombligo en el lomo, y unos pájaros sin patas cuyas hembras empollaban en las espaldas del macho, y otros como alcatraces sin lengua cuyos picos parecían una cuchara. Contó que había visto un engendro animal con cabeza y orejas de mula, cuerpo de camello, patas de ciervo y relincho de caballo. Contó que al primer nativo que encontraron en la Patagonia le pusieron enfrente un espejo, y que aquel gigante enardecido perdió el uso de la razón por el pavor de su propia imagen.

Este libro breve y fascinante, en el cual ya se vislumbran los gérmenes de nuestras novelas de hoy, no es ni mucho menos el testimonios más asombroso de nuestra realidad de aquellos tiempos. Los Cronistas de Indias nos legaron otros incontables. Eldorado, nuestro país ilusorio tan codiciado, figuró en mapas numerosos durante largos años, cambiando de lugar y de forma según la fantasía de los cartógrafos. En busca de la fuente de la Eterna Juventud, el mítico Alvar Núñez Cabeza de Vaca exploró durante ocho años el norte de México, en una expedición venática cuyos miembros se comieron unos a otros y sólo llegaron cinco de los 600 que la emprendieron. Uno de los tantos misterios que nunca fueron descifrados, es el de las once mil mulas cargadas con cien libras de oro cada una, que un día salieron del Cuzco para pagar el rescate de Atahualpa y nunca llegaron a su destino. Más tarde, durante la colonia, se vendían en Cartagena de Indias unas gallinas criadas en tierras de aluvión, en cuyas mollejas se encontraban piedrecitas de oro. Este delirio áureo de nuestros fundadores nos persiguió hasta hace poco tiempo. Apenas en el siglo pasado la misión alemana de estudiar la construcción de un ferrocarril interoceánico en el istmo de Panamá, concluyó que el proyecto era viable con la condición de que los rieles no se hicieran de hierro, que era un metal escaso en la región, sino que se hicieran de oro.

La independencia del dominio español no nos puso a salvo de la demencia. El general Antonio López de Santana, que fue tres veces dictador de México, hizo enterrar con funerales magníficos la pierna derecha que había perdido en la llamada Guerra de los Pasteles. El general García Moreno gobernó al Ecuador durante 16 años como un monarca absoluto, y su cadáver fue velado con su uniforme de gala y su coraza de condecoraciones sentado en la silla presidencial. El general Maximiliano Hernández Martínez, el déspota teósofo de El Salvador que hizo exterminar en una matanza bárbara a 30 mil campesinos, había inventado un péndulo para averiguar si los alimentos estaban envenenados, e hizo cubrir con papel rojo el alumbrado público para combatir una epidemia de escarlatina. El monumento al general Francisco Morazán, erigido en la plaza mayor de Tegucigalpa, es en realidad una estatua del mariscal Ney comprada en París en un depósito de esculturas usadas.

Hace once años, uno de los poetas insignes de nuestro tiempo, el chileno Pablo Neruda, iluminó este ámbito con su palabra. En las buenas conciencias de Europa, y a veces también en las malas, han irrumpido desde entonces con más ímpetus que nunca las noticias fantasmales de la América Latina, esa patria inmensa de hombres alucinados y mujeres históricas, cuya terquedad sin fin se confunde con la leyenda. No hemos tenido un instante de sosiego. Un presidente prometeico atrincherado en su palacio en llamas murió peleando solo contra todo un ejército, y dos desastres aéreos sospechosos y nunca esclarecidos segaron la vida de otro de corazón generoso, y la de un militar demócrata que había restaurado la dignidad de su pueblo. En este lapso ha habido 5 guerras y 17 golpes de estado, y surgió un dictador luciferino que en el nombre de Dios lleva a cabo el primer etnocidio de América Latina en nuestro tiempo. Mientras tanto 20 millones de niños latinoamericanos morían antes de cumplir dos años, que son más de cuantos han nacido en Europa occidental desde 1970. Los desaparecidos por motivos de la represión son casi los 120 mil, que es como si hoy no se supiera dónde están todos los habitantes de la ciudad de Upsala. Numerosas mujeres arrestadas encintas dieron a luz en cárceles argentinas, pero aún se ignora el paradero y la identidad de sus hijos, que fueron dados en adopción clandestina o internados en orfanatos por las autoridades militares. Por no querer que las cosas siguieran así han muerto cerca de 200 mil mujeres y hombres en todo el continente, y más de 100 mil perecieron en tres pequeños y voluntariosos países de la América Central, Nicaragua, El Salvador y Guatemala. Si esto fuera en los Estados Unidos, la cifra proporcional sería de un millón 600 mil muertes violentas en cuatro años.

De Chile, país de tradiciones hospitalarias, ha huido un millón de personas: el 10 por ciento de su población. El Uruguay, una nación minúscula de dos y medio millones de habitantes que se consideraba como el país más civilizado del continente, ha perdido en el destierro a uno de cada cinco ciudadanos. La guerra civil en El Salvador ha causado desde 1979 casi un refugiado cada 20 minutos. El país que se pudiera hacer con todos los exiliados y emigrados forzosos de América latina, tendría una población más numerosa que Noruega.

Me atrevo a pensar que es esta realidad descomunal, y no sólo su expresión literaria, la que este año ha merecido la atención de la Academia Sueca de la Letras. Una realidad que no es la del papel, sino que vive con nosotros y determina cada instante de nuestras incontables muertes cotidianas, y que sustenta un manantial de creación insaciable, pleno de desdicha y de belleza, del cual éste colombiano errante y nostálgico no es más que una cifra más señalada por la suerte. Poetas y mendigos, músicos y profetas, guerreros y malandrines, todas las criaturas de aquella realidad desaforada hemos tenido que pedirle muy poco a la imaginación, porque el desafío mayor para nosotros ha sido la insuficiencia de los recursos convencionales para hacer creíble nuestra vida. Este es, amigos, el nudo de nuestra soledad.

Pues si estas dificultades nos entorpecen a nosotros, que somos de su esencia, no es difícil entender que los talentos racionales de este lado del mundo, extasiados en la contemplación de sus propias culturas, se hayan quedado sin un método válido para interpretarnos. Es comprensible que insistan en medirnos con la misma vara con que se miden a sí mismos, sin recordar que los estragos de la vida no son iguales para todos, y que la búsqueda de la identidad propia es tan ardua y sangrienta para nosotros como lo fue para ellos. La interpretación de nuestra realidad con esquemas ajenos sólo contribuye a hacernos cada vez más desconocidos, cada vez menos libres, cada vez más solitarios. Tal vez la Europa venerable sería más comprensiva si tratara de vernos en su propio pasado. Si recordara que Londres necesitó 300 años para construir su primera muralla y otros 300 para tener un obispo, que Roma se debatió en las tinieblas de incertidumbre durante 20 siglos antes de que un rey etrusco la implantara en la historia, y que aún en el siglo XVI los pacíficos suizos de hoy, que nos deleitan con sus quesos mansos y sus relojes impávidos, ensangrentaron a Europa con soldados de fortuna. Aún en el apogeo del Renacimiento, 12 mil lansquenetes a sueldo de los ejércitos imperiales saquearon y devastaron a Roma, y pasaron a cuchillo a ocho mil de sus habitantes.

No pretendo encarnar las ilusiones de Tonio Kröger, cuyos sueños de unión entre un norte casto y un sur apasionado exaltaba Thomas Mann hace 53 años en este lugar. Pero creo que los europeos de espíritu clarificador, los que luchan también aquí por una patria grande más humana y más justa, podrían ayudarnos mejor si revisaran a fondo su manera de vernos. La solidaridad con nuestros sueños no nos haría sentir menos solos, mientras no se concrete con actos de respaldo legítimo a los pueblos que asuman la ilusión de tener una vida propia en el reparto del mundo.

América Latina no quiere ni tiene por qué ser un alfil sin albedrío, ni tiene nada de quimérico que sus designios de independencia y originalidad se conviertan en una aspiración occidental.

No obstante, los progresos de la navegación que han reducido tantas distancias entre nuestras Américas y Europa, parecen haber aumentado en cambio nuestra distancia cultural. ¿Por qué la originalidad que se nos admite sin reservas en la literatura se nos niega con toda clase de suspicacias en nuestras tentativas tan difíciles de cambio social? ¿Por qué pensar que la justicia social que los europeos de avanzada tratan de imponer en sus países no puede ser también un objetivo latinoamericano con métodos distintos en condiciones diferentes? No: la violencia y el dolor desmesurados de nuestra historia son el resultado de injusticias seculares y amarguras sin cuento, y no una confabulación urdida a 3 mil leguas de nuestra casa. Pero muchos dirigentes y pensadores europeos lo han creído, con el infantilismo de los abuelos que olvidaron las locuras fructíferas de su juventud, como si no fuera posible otro destino que vivir a merced de los dos grandes dueños del mundo. Este es, amigos, el tamaño de nuestra soledad.

Sin embargo, frente a la opresión, el saqueo y el abandono, nuestra respuesta es la vida. Ni los diluvios ni las pestes, ni las hambrunas ni los cataclismos, ni siquiera las guerras eternas a través de los siglos y los siglos han conseguido reducir la ventaja tenaz de la vida sobre la muerte. Una ventaja que aumenta y se acelera: cada año hay 74 millones más de nacimientos que de defunciones, una cantidad de vivos nuevos como para aumentar siete veces cada año la población de Nueva York. La mayoría de ellos nacen en los países con menos recursos, y entre éstos, por supuesto, los de América Latina. En cambio, los países más prósperos han logrado acumular suficiente poder de destrucción como para aniquilar cien veces no sólo a todos los seres humanos que han existido hasta hoy, sino la totalidad de los seres vivos que han pasado por este planeta de infortunios.

Un día como el de hoy, mi maestro William Faullkner dijo en este lugar: "Me niego a admitir el fin del hombre". No me sentiría digno de ocupar este sitio que fue suyo si no tuviera la conciencia plena de que por primera vez desde los orígenes de la humanidad, el desastre colosal que él se negaba a admitir hace 32 años es ahora nada más que una simple posibilidad científica. Ante esta realidad sobrecogedora que a través de todo el tiempo humano debió de parecer una utopía, los inventores de fábulas que todo lo creemos, nos sentimos con el derecho de creer que todavía no es demasiado tarde para emprender la creación de la utopía contraria. Una nueva y arrasadora utopía de la vida, donde nadie pueda decidir por otros hasta la forma de morir, donde de veras sea cierto el amor y sea posible la felicidad, y donde las estirpes condenadas a cien años de soledad tengan por fin y para siempre una segunda oportunidad sobre la tierra.

Agradezco a la Academia de Letras de Suecia el que me haya distinguido con un premio que me coloca junto a muchos de quienes orientaron y enriquecieron mis años de lector y de cotidiano celebrante de ese delirio sin apelación que es el oficio de escribir. Sus nombres y sus obras se me presentan hoy como sombras tutelares, pero también como el compromiso, a menudo agobiante, que se adquiere con este honor. Un duro honor que en ellos me pareció de simple justicia, pero que en mí entiendo como una más de esas lecciones con las que suele sorprendernos el destino, y que hacen más evidente nuestra condición de juguetes de un azar indescifrable, cuya única y desoladora recompensa, suelen ser, la mayoría de las veces, la incomprensión y el olvido.

Es por ello apenas natural que me interrogara, allá en ese trasfondo secreto en donde solemos trasegar con las verdades más esenciales que conforman nuestra identidad, cuál ha sido el sustento constante de mi obra, qué pudo haber llamado la atención de una manera tan comprometedora a este tribunal de árbitros tan severos. Confieso sin falsas modestias que no me ha sido fácil encontrar la razón, pero quiero creer que ha sido la misma que yo hubiera deseado. Quiero creer, amigos, que este es, una vez más, un homenaje que se rinde a la poesía. A la poesía por cuya virtud el inventario abrumador de las naves que numeró en su Iliada el viejo Homero está visitado por un viento que las empuja a navegar con su presteza intemporal y alucinada. La poesía que sostiene, en el delgado andamiaje de los tercetos del Dante, toda la fábrica densa y colosal de la Edad Media. La poesía que con tan milagrosa totalidad rescata a nuestra América en las Alturas de Machu Pichu de Pablo Neruda el grande, el más grande, y donde destilan su tristeza milenaria nuestros mejores sueños sin salida. La poesía, en fin, esa energía secreta de la vida cotidiana, que cuece los garbanzos en la cocina, y contagia el amor y repite las imágenes en los espejos.

En cada línea que escribo trato siempre, con mayor o menor fortuna, de invocar los espíritus esquivos de la poesía, y trato de dejar en cada palabra el testimonio de mi devoción por sus virtudes de adivinación, y por su permanente victoria contra los sordos poderes de la muerte. El premio que acabo de recibir lo entiendo, con toda humildad, como la consoladora revelación de que mi intento no ha sido en vano. Es por eso que invito a todos ustedes a brindar por lo que un gran poeta de nuestras Américas, Luis Cardoza y Aragón, ha definido como la única prueba concreta de la existencia del hombre: la poesía. Muchas gracias.

FIN

A justeza (ou não) da política externa brasileira


Elias Jabbour *


A não solução do problema de Honduras e as imposturas do imperialismo no Haiti, numa grande jogada bandida, levaram os “meios de comunicação” em conluio com uma das piores direitas do mundo a iniciar nova onda de contestação à nossa política externa. Ela é equivocada e/ou voluntarista?

Para a oposição disposta a retomar o caminho da transformação do Brasil em uma república de bananas, pode ser. Para nós que falamos em nome da nação popular , o buraco deve ser mais embaixo, procurando – por um lado - posicionar nossas relações exteriores dentro das necessidades do quinto maior país do mundo e uma das dez maiores economias do planeta e por outro reconhecendo que no atual estágio de desenvolvimento das forças produtivas no mundo e no Brasil, a política externa é um marco na transição de um sistema de relações internacionais baseado na anarquia da produção para outro, de caráter planejado. Mais: a própria política externa transforma-se num problema eminentemente financeiro. Deve ser lastreada financeiramente.

Da substituição de importações ao comércio exterior planejado

O governo Lula, com todos seus limites que – de minha parte – já cansei de repetir neste espaço, retomou um ciclo cristalizado no final da ditadura militar de cada vez maior independência de nossos assuntos externos, colocando – inclusive – os interesses de nossas empresas como a mola de nossa relação com o mundo. Foi assim que fomos o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola, antes da URSS. Reatamos, sob protestos norte-americanos, nossas relações com a China e aprofundamos nossos laços com o Oriente Médio numa sofisticada planificação de nosso comércio exterior que envolvia troca de automóveis brasileiros por petróleo iraquiano.

Naquele momento foi a coroação de uma nação que saiu da Idade Média em 1930 para adentrar a contemporaneidade em 1980. Na segunda metade da década de 1970, sob o governo Geisel, nosso processo de industrialização foi completado com a implantação de uma indústria mecânica pesada e consagrada com a inauguração do metrô mais moderno do mundo (em São Paulo) com vagões, trilhos, escadas rolantes e composições fabricadas no Brasil. Itaipu foi inaugurada com a utilização de cadeias produtivas em grande parte nacionais. Fechava-se o ciclo substitutivo de importações e iniciava-se uma era de transição a um capitalismo de Estado que surgia, nas elaborações leninistas de Ignácio Rangel, a partir de nossas relações com o exterior. Afinal, para um país periférico, onde comércio exterior constitui-se em variável central, é pelas relações exteriores que se avança civilizacionalmente, inclusive ao socialismo conforme o próprio Lênin vaticinava na década de 1920.

Internamente, esse salto se materializava com o surgimento de uma ampla rede bancária estatal e privada denunciando a luta que travamos, inclusive na atualidade da fusão entre o banco e a indústria dando contornos claros as duas faces da chamada “questão nacional”: o planejamento de nosso comércio exterior e a constituição de um amplo sistema de intermediação financeira com capacidade de sustentar nosso esforço de aprofundamento da revolução burguesa, o que por si só, demonstra o caráter antiimperialista do desenvolvimento na periferia, cuja luz no fim do túnel seria (e é) a transição ao socialismo pela via do “capitalismo de Estado”. Algo muito próximo do que propõe o PCdoB sob o certeiro rótulo de um “Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”.

Sem grandes delongas ufanistas e com argumentos baseados unicamente na necessidade de defender esse (o nosso) governo e que sempre fazem com que a discussão se faça sobre parâmetros pequenos, o mais importante é situar a atual política dentro de um escopo histórico mais amplo, de continuidade com os próceres da Revolução de 1930, de um Estado capaz de percorrer, em 50 anos, um caminho que a Europa percorreu em 600 anos e descobriu petróleo em águas profundas. Enfim, nossa política externa é correta e em correspondência com as necessidades nacionais brasileiras de aprofundar nossas relações comerciais com a Ásia e a África, quebrar nossos laços externos de dependência comercial com um único mercado e mostrar ao mundo que podemos ter uma voz em concomitância com nosso tamanho territorial. Não existe nada de revolucionário nisso. O contrário sim é ultrarreacionário, pequeno, tacanho e com ares de discurso moderno, porém com o mesmo espírito preconizado na década de 1920 por nossos intelectuais financiados por um capital comercial decrépito e apeado do poder com a Revolução de 1930. Essa mentalidade levou a Argentina a entrar na Commonwealth na década de 1930 com a missão de continuar suprir commodities ao Reino Unido e o Brasil a romper com o capital comercial inglês no mesmo período. O Brasil virou potência industrial. E a Argentina?

O ônus da prova da justeza não deve recair sobre quem quer uma política externa para enfrentar os desafios do século XXI e sim sobre quem não quer enfrentar os desafios do presente século, porém se pautando com parâmetros consagrados no início do século passado. As posições tomadas na década de 1930 (nação ou submissão), inclusive a que levou a contrarrevolução de 1932, continuam ao leme e continuarão por muito tempo.

Haiti e Mercosul

Não gosto de perder meu precioso tempo comentando posições de extrema-esquerda. A mesa de minha residência está empilhada de livros e leituras a fazer e minha companheira não aguenta mais a bagunça em casa. Infelizmente, o tempo corre contra minha vontade (e até missão, por que não?) que consiste em desvelar caminhos ao futuro de nosso país. Algo muito complicado, concordo. Mas que tem de ser enfrentado com bases em uma política justa e uma teoria correta. Na verdade nem sou de levar a sério o que essa gente gosta de amplificar, mas é interessante o ponto de concordância com a (extrema) direita em alguns pontos, entre eles nossa presença no Haiti e o próprio Mercosul.

O Brasil não deveria estar no Haiti “assinando” embaixo de uma política imperialista. Afinal para muitos “intelectuais” entrincheirados nessas brincadeiras de debate sobre o futuro da humanidade e do Brasil, mas lembrando certas assembleias da II Internacional (os fóruns sociais mundiais da vida), nosso país pratica uma espécie de subimperialismo. O que é risível (nem vou me alongar em explicar o que é imperialismo em Lênin, seria demais da conta isso), pois o processo de integração não obedece a uma lógica ideológica, mas sim de necessidade histórica em que o país mais industrializado e rico torna-se o centro dinâmico do espraiamento de uma divisão regional e internacional do trabalho que pode (dentro dos marcos do planejamento do comércio exterior) beneficiar um punhado de países com a transferência de cadeias produtivas de menor valor agregado (como a China faz hoje com o Vietnã, por exemplo), exploração de recursos naturais como o dínamo financeiro de caráter industrializante e por ai vai. Perguntem ao nosso querido Evo Morales se ele não quer vender gás ao Brasil e se Hugo Chavez não perdeu noites de sono com as imposturas do senado brasileiro e a novela de admissão ou não da Venezuela no Mercosul. É a tal relação econômica e integracional da plena utilização dos fatores internos de produção e o conseqüente lançamento de bases à utilização de fatores externos de produção. Daí a necessidade do intercâmbio e do capitalismo de Estado. Fora disso não existe progresso nacional e social para ninguém. Nem ao Brasil, nem à Bolívia, aos irmãos paraguaios e muito menos ao Haiti.

Abrindo parênteses, já tive que me deparar com afirmações absurdas entre elas para quem a tal da ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas) é maior que o Mercosul por conta de uma falsa aritmética do número de países-membro. Respondi perguntando qual país da ALBA tem siderurgia. A resposta aguardo até hoje, pois num primeiro momento a siderurgia é a base sob a qual se assenta qualquer país que aspire a independência. Já num segundo momento essa independência só pode ocorrer nos marcos da fusão do banco com a indústria. Mas a ALBA merece nosso respeito e solidariedade.

Por fim, o Brasil deveria sim estar no Haiti praticando um soft power bem brasileiro e o Mercosul deve avançar inclusive com sua integração financeira conforme proposto por nosso governo alguns anos atrás. Deveríamos condenar o golpe em Honduras alojando Manoel Zelaya em nossa embaixada sim. Qual a opinião de nossa mídia de aluguel quando os EUA financiavam massacres como o ocorrido na Indonésia ou na África do Sul do apartheid? De nosso lado, não estamos propondo pogrons, nem massacres. Nem interesses da plutocracia brasileira e sim o justo e o direito. A resposta deles é de que deveríamos invadir a Bolívia quando Morales colocou no devido lugar os interesses de seu povo.

Será que deveríamos invadir os EUA no momento em que unilateralmente abandonaram os marcos de Bretton Woods, passaram a emitir dólar a seu bel prazer e ferindo, consequentemente, os interesses nacionais brasileiros que sofreram um duro golpe com a elevação absurda da dívida externa (por conta da elevação dos juros praticados nos Estados Unidos), sangrando nossos recursos em nome dos interesses estratégicos do imperialismo?

Os problemas são de outra natureza

A fúria mercenária e oportunista dos EUA serviram sim, também, para expor os limites da atual política externa. Não faz mal constatar isso, se for do interesse nacional. Por exemplo, deveríamos estar prontos para enviar alguns bilhões de dólares para esta nação. Colocar nossas empresas em prontidão para enfrentar o desafio de reconstruir o país-irmão. Mas a bem da verdade, não dispomos desta quantia financeira, nossas grandes empresas estão a sair do Brasil não para concorrer com as multis estrangeiras e sim para fugir dos altos custos de produção originados por uma política monetária antinacional e antipopular (câmbio e juros, diga-se de passagem). Isso é fato e que deve ser enfrentado com a eleição de Dilma Roussef. O problema, da correlação de forças no Brasil, não se restringe sobre como e por onde podemos avançar e sim na real hipótese de regressão. E isso deve estar bem claro.

Uma política externa avançada e com traços de capitalismo de Estado não se sustenta em plena era da “globalização” e da financeirização fora de políticas internas que contemplem o desenvolvimento deste mesmo capitalismo de Estado. O que significa uma política cambial para proteger nossas empresas e dar liquidez ao conjunto econômico da nação. Deveria servir à reflexão não termos condições de levar às últimas conseqüências nossa presença no Haiti, mas – ao mesmo tempo – termos certeza do montante do orçamento que vai ser desviado para o pagamento em dia da dívida pública. É um despautério essa campanha orquestrada pela mídia (em conluio com o Banco Central) de se criar um clima de alta das taxas de juros, num momento em que o governo reage contra os males do câmbio com a introdução do IOF de 2% sobre a entrada de capitais no Brasil. Tudo isso desgasta e serve para minar as possibilidades de nossa política externa, pois política externa se faz com financiamento de exportações e importações. Política externa se faz com empresas nacionais protegidas e com crédito farto internamente para tocar seus projetos internos e externos, assim como política no sentido lato senso do termo só tem consequência se amparada por farta base material . Política externa se faz com uma Vale do Rio Doce tratando de viabilizar uma grande siderurgia nacional antes que a Mittal indiana e a Baosteel chinesa nos engula (Lula estava certo em pressionar a Vale à construção de um imenso pólo siderúrgico nacional). Política externa se faz com capitalismo de Estado, meus amigos.

Transição ao socialismo (no fundo é disso que estamos tratando quando se orquestra política externas avançadas) sem sistema financeiro nacional é arremedo de soluções de tipo “socialismo do século XXI” como alguns intelectuais latinoamericanos e brasileiros (que compõe uma plêiade de assessoria de Chavez) vem propondo; uma brincadeira. E capital financeiro nacional é sinônimo de capitalismo de Estado. Um capitalismo de Estado um dia sonhado por Lênin para sua Rússia arrasada.

Nesse caso o que significa o governo Lula?


Sempre critiquei pesadamente a política econômica do governo. Inclusive, de forma ácida. O que não significa perceber o grande avanço que ele representou na re-elevação de nosso poderio internacional, de aumento da autoestima do povo e do breque dado ao processo criminoso de privatizações e de proscrição dos direitos dos trabalhadores. Nunca me ufanei deste governo, pois sei das grandes possibilidades do Brasil. Não acho Lula um estadista, mas é um presidente pelos menos umas 500 vezes melhor que FHC. O Brasil com Lula voltou a trilhar um caminho de encontro consigo mesmo, inclusive na política externa e isso deve ser louvável. A volta ao passado incomoda, dá medo...

Por tudo isso exposto sobre os limites colocados perante os rumos de nossa nação (e de nossa política externa justa e acertada) é que creio ser os dois mandatos de Lula apenas a transição para algo mais avançado. Esse algo avançado só pode ser a nacionalista Dilma Roussef que pelo que se percebe não leva jeito para o tal João Grilo de “O Auto da Compadecida”. Precisamos de mais 20 anos para colocar nosso país no eixo. A batalha é muito dura, mas um chega pra lá nessa turma do Banco Central será a pedra de mote deste processo. Sem isso não poderemos dar conseqüências práticas ao nosso projeto de nação. Eis o problema de nosso país. Eis o problema de nossa política externa.

Mas a vontade não está acima das leis da natureza.

Felizmente ou infelizmente...


* Doutorando e Mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP, membro do Conselho Editorial da Revista Princípios e autor de "China: infra-estruturas e crescimento econômico" (Anita Garibaldi).

vermelho.org.br >> Colunas


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www.kalvellido.net

El Movimiento Continental Bolivariano denuncia planes de asesinatos y amenazas de muerte contra sus dirigentes


Asesinos colombianos, entrenados por la CIA y el MOSSAD, planifican asesinatos contra el MCB

La Rosa Blindada
Portada :: Colombia
http://www.rebelion.org/

El Movimiento Continental Bolivariano MCB, se hace parte, mediante la presente declaración, de la denuncia realizada por el Partido Comunista de Venezuela, en cuanto a la intromisión, en territorio venezolano, de un comando de elite colombiano, entrenado desde hace 2 años por la CIA y el Mossad, para realizar actos de asesinato y secuestro contra dirigentes revolucionarios venezolanos e internacionalistas, entre ellos miembros de nuestro movimiento.

Antecedentes:

1. Los días 8 y 9 de diciembre del 2009, se constituye en Caracas el MCB, como una organización anti-imperialista, bolivariana e internacionalista, con la participación de más de 1200 delegados, contando con la representación de 30 países y una diversidad de organizaciones políticas, sociales y culturales.

2. Días antes de la inauguración de nuestro Congreso , el Gobierno Colombiano se encargó de desplegar una campaña de criminalización de nuestro movimiento, bajo el pretexto del nombramiento de Alfonso Cano, máximo líder de las FARC-EP, en la presidencia colectiva, lanzando la amenaza de judicializar y perseguir a los miembros del MCB.

3. Un mes más tarde, en Enero del 2010, Uribe arremete nuevamente a través de su Cancillería contra las organizaciones revolucionarias y personalidades solidarias con las luchas del pueblo colombiano, acusándolos de ser criminales de cuello blanco y que serían el apoyo internacional de la insurgencia colombiana. Tras ello, anunció una ofensiva “diplomática” que semanas más tarde se materializaría en amenazas públicas contra refugiados colombianos en Suecia y Europa declarando en Radio RCN “Y a estos criminales, a este psiquiatra y otros bandidos que son colombianos profesionales que viven por allá en Suecia y otros países, a todos, a todos tenemos que acabarlos”. (cita textual).

4. En los mismos días de Enero del 2010, se criminalizó a través de la prensa Española y colombiana (El País y El Tiempo) al dirigente e intelectual marxista del País Vasco Iñaki Gil de San Vicente, residente en España. De la misma manera, en Republica Dominicana, se han detectado y denunciado varios planes de asesinato contra el dirigente revolucionario Narciso Isa Conde, ambos miembros de la Presidencia colectiva del MCB.

5. Posteriormente será el periodista colombiano y ex director de Telesur, Jorge Enrique Botero, quien recibiría serias amenazas públicas, por su participación en el Congreso del MCB, de parte del principal asesor de Uribe José Obdulio Gaviria.

Es en este contexto que hace algunos días, la inteligencia revolucionaria y popular, ha descubierto un plan criminal contra dirigentes revolucionarios venezolanos e internacionalistas vinculados al MCB , entre ellos miembros del PCV, el PSUV, el M-28 y la Coordinadora Cultural Simón Bolívar, encontrándose amenazado así mismo, el Secretario general de la dirección ejecutiva del MCB y Miembro del Comité Central del Partido Comunista de Chile , camarada Carlos Casanueva quien se encuentran en Venezuela.

Debemos destacar que esta campaña se realiza en medio de una nueva ofensiva del imperio en contra de los gobiernos revolucionarios y progresistas de nuestro continente, en un intento por revertir el avance de los pueblos del mundo por organizarse y liberarse del yugo imperialista.

Es por ello que responsabilizamos al imperialismo yanqui y su títere en la Región el Gobierno Narco-paramilitar de Uribe Vélez, de lo que pueda ocurrirles a estos dirigentes bolivarianos.

Reafirmando nuestro compromiso con la lucha de los pueblos de nuestra América y el mundo, llamamos a los movimientos revolucionarios y populares a denunciar y desenmascarar este nuevo plan criminal que pretende internacionalizar el conflicto colombiano , como ya lo realizaron hace dos años en el Ecuador.

http://www.rosa-blindada.info/?p=311

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América Latina
La nueva ofensiva imperialista en América Latina
La jugada del Caribe
Ana Esther Ceceña, Humberto Miranda, David Barrios, Rodrigo Yedra

Mentiras y medios
Perlas informativas del mes de enero 2010
Pascual Serrano

Ecología social
Entrevista con el politólogo francés Franck Gaudichaud
"Crear un movimiento eco-socialista mundial desde 'abajo'"
Mauricio Becerra R.

-Asesinos colombianos, entrenados por la CIA y el MOSSAD, planifican asesinatos contra el MCB
El Movimiento Continental Bolivariano denuncia planes de asesinatos y amenazas de muerte contra sus dirigentes

Cuba
-Consumo de libros y literatura en Cuba
Jaqueline Laguardia Martínez, Diosnara Ortega González y Ernesto Morejón Sosa

Soldados de EE.UU. y cascos azules arremeten contra haitianos que esperaban alimentos
03-02-2010

Los países bolivarianos siguen comprometidos con el pueblo haitiano
El ALBA aumenta la ayuda en Haití pese a los obstáculos de los EEUU
Aura Ribeiro
03-02-2010

Iván Lira

http://www.rebelion.org/

El Gran Mariscal de Ayacucho

Sucre es considerado uno de los militares más completos entre los próceres de la independencia suramericana.

Un tres de febrero del año 1795 nace en Cumaná el Gran Mariscal de Ayacucho, Antonio José de Sucre, conmemorándose hoy 3 de febrero de 2010, 215 años de su natalicio.
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Venezuela celebra XI aniversario del Gobierno Bolivariano

El Gobierno de Haití contabiliza ya 200.000 muertos por el terremoto
YVKE Mundial

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Alvaro Garcia Linera: "A Bolívia será socialista e libertária"


Em entrevista a jornal italiano Rifondazione Comunista, vice-presidente da Bolívia, Alvaro Garcia Linera, fala sobre mudanças no país e defende socialismo como um processo de radicalização da democracia. 02/02/2010

(Entrevista para o jornal italiano Rifondazione Comunista, feita por Angela Nocioni)
http://www.jornada.unam.mx/2006/11/22/fotos/portada3.jpg

Alvaro Garcia Linera

- Você disse, na cerimônia de posse que o horizonte estatal será o socialismo. O quer isso quer dizer?

Linera: Que toda a sociedade política tende a se diluir na sociedade civil. Isto está começando a acontecer na Bolívia. Há uma ampliação da base da tomada de decisões que tem a ver com o país que se estão socializando. É um processo gradual e complexo, mas que está em andamento. É a idéia gramsciana do Estado integral: nós a estamos realizando. O horizonte socialista não é um tema que se decide por decreto. Na Bolívia, a questão da modernidade estatal está sendo assumida pelas classes populares e indígenas. Não era um caminho ineludível, mas avança nessa direção. Por causa da natureza social deste bloco dirigente, que pede redistribuição e igualdade, as decisões estão se socializando. O que é o socialismo, senão isto? É um processo de radicalização da democracia. Não estou falando de um método de produção pos-capitalista, estou falando de uma estrutura política que se funde permanentemente com a sociedade civil.

- Como pensa evitar que tudo isso desemboque em um capitalismo de Estado, em que reina a burocracia?

Linera: Através do exercício da hegemonia. Ao socialismo chegaremos por uma vida democrática. A própria realidade está mostrando que as classes populares e indígenas não querem suprimir o setor empresarial. Aqui se fazem acordos práticos em torno das necessidades das classes populares, promovendo por essa via a hegemonia. O exercício da hegemonia é a chave para não cair nem no capitalismo de Estado burocratizado, Nem o totalitarismo, porque se baseia na capacidade guiar material e moralmente setores sociais não populares.

Quem tentou de outra forma a expropriação da empresa, deu lugar a degenerações burocráticas. Aqui estamos incorporando os setores empresariais, golpeando evidentemente os interesses dos latifundiários e dos grandes investidores externos, mas com os outros setores estamos conseguindo. O socialismo não é um novo modo de produção, mas um regime estatal e uma modalidade de redistribuição da riqueza. Não queremos estatizar. A economia boliviana é feita de uma estrutura comunitária produtiva e de investimentos produtivos privados, muitos até estrangeiros.

- Como pensa incorporar ao seu projeto a extrema direita, que é maioria em Santa Cruz? Ela também faz parte da Bolívia, lhe odeia e não está lhe oferecendo um ramo de rosas.

Linera: O Estado já controla o núcleo econômico dessa região, mesmo que essas elites não querem admiti-lo ainda. Santa Cruz tinha três grandes fontes de poder econômico: a renda da terra vinculada a brasileiros, a peruanos, a coreanos, para produzir, o conjunto dos serviços da atividade petrolífera e o comércio. O Estado retomou o controle da terra e a redistribuiu. Foi alterada a estrutura da propriedade da terra em Santa Cruz. O Estado interveio junto aos pequenos produtores camponeses e tem, por exemplo, uma presença agora na cadeia produtiva da soja que vai para a exportação e o transporte. Quando chegamos controlávamos 0% da cadeia produtiva, agora 35%.

- Você está dizendo que a hegemonia passa por aí?

Linera: É um primeiro passo. A hegemonia não é uma questão só de palavras. É preciso a base material para realizá-la. O Estado entrou na produção dos hidrocarburetos. Está modificando a estrutura do poder econômico, em aliança com os pequenos produtores. No âmbito político- ideológico é a ascensão extraordinária del MAS, que passou de 25% a 41%. Em quatro anos o MAS dobrou o número de eleitores. Claro, ainda falta muito. Mas o controle dos latifundiários sobre a terra, terminou. Está em processo de construção gradual um novo bloco no poder. Alguns segmentos dos setores anteriormente dominantes começam a aderir a este núcleo. A hegemonia não é irreversível. Mas estes dados mostram uma expansão, um avanço de um novo bloco no poder, mesmo no Oriente do país. Por isso Santa Cruz não contradiz o que estou lhe dizendo, mas um exemplo de como se está construindo a hegemonia.

- Você considera realmente que seja possível construir a igualdade sem afetar a liberdade individual? Como crê que vocês podem ter sucesso onde todos fracassaram?

Linera: É difícil. Mas a forte base comunitária camponesa deste processo ajuda, funciona com autoregulação interna. Nós aprendemos a arte de tecer da cultura indígena. A hegemonia não é uma garantia, mas um elemento importante para limitar tentações e riscos. Até agora fizemos sem impor expropriações, absorvendo tudo pelo caminho. É um império em decadência que tem problemas gravíssimos em outros lugares e um ambiente continental em transição, com políticas de superação do modelo neoliberal.

- Você vê concretamente políticas posneoliberais na América Latina?

Linera: Sim.

- Onde? Quais?

Linera: Não há um único modelo posneoliberal. Mas há um processo de desmantelamento do neoliberalismo em desenvolvimento, de modo disperso, com modalidades diversas no continente. Este modelo econômico na América Latina se impôs com três modalidades: conversão dos bens público em bens privados, anulação dos direitos sociais e conversão do aparato produtivo baseado nas exigências do mercado externo.

- E não continua da mesma maneira?

Linera: Em parte sim e em parte não. Quando no Brasil, na Venezuela, no Equador se realiza um incremento das políticas sociais com recursos públicos, não se liquida o neoliberalismo, mas se desfere um golpe na sua característica principal que é a redução ao mínimo da proteção do bem estar coletivo. Antes a regra era a anulação dos direitos dos trabalhadores e dos benefícios coletivos da cidadania, se deixava apenas algumas proteções na educação e alguma coisa na previdência dos setores privilegiados das indústrias mais importantes. Agora não se predica mais esse modelo.

- Tomemos a Venezuela. Lá está em desenvolvimento um processo de redistribuição da riqueza. Alguns se preocupam de produzir mais riqueza e depois distribuí-la melhor? As classes populares, na sua opinião, são de fato titules de um novo poder? Tem um presidente que se dirige a eles, quando fala, mas se vê uma verdadeira distribuição do poder? Há uma distribuição da riqueza, mas isto também a direita saber fazer, não?

Linera: A minha resposta será necessariamente geral. Há processos mais e menos avançados. A Bolívia me parece uma vanguarda, mas é um fato importante que em nenhuma parte do continente, salvo em algumas universidades ligadas a grandes empresas, ninguém reivindica mais o modelo neoliberal como horizonte. Claro que esse modelo continuará a existir por muito tempo, mas o apetite social de gera outro é evidente. Serão necessárias décadas. Este modelo começou nos anos 70 com Pinochet e triunfou nos anos 90. É preciso dar tempo aos processos históricos. É preciso ser generoso com a história.

- Você não tem medo dos efeitos sobre a Bolívia, de um eventual retorno de governos de direita nos países vizinhos?

Linera: Marx falava de ondas revolucionárias. E tinha razão. Os processos profundos, não apenas os políticos, mesmos os privados, não são nunca ascendentes. Avançam por ondas. Não vejo com dramaticidade a possibilidade que em dois ou três países se dê um passo atrás. A história se move em ciclos longos, não curtos. É preciso não ter uma visão contemplativa em relação aos processos históricos. Buscaremos um tipo de convivência fraternal entre Estados. Acho que no Chile a vitória da direita era previsível, mas eu sou muito otimista sobre a continuação do Partido dos Trabalhadores no governo do Brasil, na Argentina é muito mais complicado, no Peru no entanto é possível um avanço dos setores progressistas. O problema é na Argentina, ali o futuro é imprevisível.

- Mudaram as relações entre os EUA e a Bolívia com o governo Obama?

Linera: Na atitude e na linguagem, são melhores. Nos fatos concretos, não. Eles continuam a pensar que os valores deles são os únicos e são universais.

Você acha realmente que a direita do Oriente se deixará absorver? Não tem medo de um atentado?

Linera: É um risco grande. Não têm mais a força política para tentar uma secessão. O magnicidio é considerado por alguns setores como a única solução.

Tradução: Emir Sader

Chávez é um inimigo da liberdade de imprensa?


O dogma criado pela plutocracia midiática associa uma robusta bandeira democrática com a apropriação privada dos meios para realizá-la. Liberdade de imprensa, para esses senhores e senhoras, é o direito ilimitado dos proprietários de veículos de comunicação em usufruir a bel-prazer de seus ativos de informação e entretenimento. Qualquer contestação ou regulação dessa franquia quase divina constituiria uma ameaça à democracia.

por Breno Altman*

As punições recentemente adotadas contra a RCTVI (Rede Caracas de Televisão Internacional) e outros cinco canais a cabo suscitaram forte onda acusatória contra o presidente venezuelano. Um aluvião de artigos e editoriais foi lançado a público para acoimá-lo como inimigo da liberdade de imprensa.

A mídia conservadora, como é de seu feitio, embaralha as informações para melhor articular sua escalada contra Chávez. Os motivos que levaram às medidas punitivas são omitidos ou manipulados. O vale-tudo não tem compromisso com a verdade.

Os seis canais suspensos violaram seguidamente vários dispositivos legais (obrigatoriedade de transmitir redes oficiais, programas educacionais, símbolos nacionais, classificação etária e assim por diante). Três entre esses reconheceram as irregularidades e se comprometeram a retificá-las: voltaram imediatamente ao ar. Os demais têm a mesma possibilidade. Nenhum canal foi fechado ou desapropriado.

Até mesmo alguns setores progressistas, porém, ficaram abalados com esses fatos. Muitas pessoas de bem, afinal, reagem como se o tema da liberdade de imprensa fosse sagrado. Desses sobre os quais só pode haver uma opinião possível: as demais seriam autoritárias ou, quando muito, ultrapassadas.

O dogma criado pela plutocracia midiática associa uma robusta bandeira democrática com a apropriação privada dos meios para realizá-la. Liberdade de imprensa, para esses senhores e senhoras, é o direito ilimitado dos proprietários de veículos de comunicação em usufruir a bel-prazer de seus ativos de informação e entretenimento. Qualquer contestação ou regulação dessa franquia quase divina constituiria uma ameaça à democracia.

Mas o que há de democrático na transformação de um bem público (o direito de informar e ser informado) em monopólio de corporações privadas, famílias ou indivíduos? Qual é a liberdade possível quando os instrumentos de comunicação e cultura têm seu controle originado no poder econômico?

A revolução técnico-científica das últimas décadas fez da informação e seus meios um poder fático. Sua expansão foi patrocinada por governos e grupos empresariais, cuja associação direta ou indireta com os donos dos veículos alavancou esse baronato a um papel político, cultural e econômico de ampla envergadura.

Basta um olhar ligeiro sobre a América do Sul para termos noção desse processo. Quase todas as empresas relevantes de comunicação foram criadas ou fortalecidas pelas ditaduras e seus sócios capitalistas. Os casos Clarín e Globo, mais conhecidos, estão longe de ser exceção. Na Venezuela a história não foi diferente.

A democratização do subcontinente, no entanto, jamais chegou aos meios de comunicação. Está certo que acabou a censura, mas os barões da mídia só viram sua influência e autonomia crescerem. A liberdade formal de qualquer grupo social ou indivíduo em criar seu próprio veículo foi implantada, de fato, mas a possibilidade econômica de exercer essa prerrogativa continuou nas mesmas e poucas mãos.

Os interesses nessa autonomia, no mais, vão além dos proprietários dos meios, abençoados pelas condições institucionais de difundir livremente os valores, idéias e informações que melhor lhes apetecer para a lucratividade de seu negócio.

Seu estatuto especial, o de único poder público de caráter privado, permitiu a plena realização do diagnóstico anunciado pelo pensador italiano Antonio Gramsci, há mais de setenta anos, quando afirmou que os jornais haviam se transformado nos "modernos partidos políticos da burguesia".

Os meios monopolistas de comunicação podem se exibir como neutros, objetivos ou isentos, com verniz de interesse universal que nenhuma agremiação conservadora teria como apresentar aos eleitores. Chegam à desfaçatez de alcunhar o que editam ou difundem de "opinião pública", como se a sociedade tivesse delegado a esse setor social uma procuração para falar em seu nome.

Mas não se trata apenas de aparência. Através dos meios um exército profissional de colunistas, jornalistas e produtores de entretenimento, entre outros, pode ser integralmente mobilizado para construir os valores e as informações que correspondem aos interesses de seus patrões e associados. Esses veículos cumprem a tarefa de articular o discurso e a base social das elites ao redor das quais gravitam.

Sua atividade, ao contrário das demais funções públicas, incluindo os partidos políticos, não está subordinada a qualquer mecanismo eleitoral, controle social ou fiscalização institucional, ainda que os meios audiovisuais " a ponta de lança do sistema comunicacional " operem quase sempre a partir de uma concessão do Estado.

O que esse baronato chama de "liberdade de imprensa" é de um cinismo exemplar. Trata-se apenas da sua liberdade de imprimir, difundir e entreter, às custas da negação prática desse direito a imensos grupos sociais, que não possuem os instrumentos institucionais e as possibilidades financeiras de levar a público sua própria voz.

A eleição de governos progressistas na América Latina criou a chance dessa situação antidemocrática ser superada ou, ao menos, amenizada. A presidente Cristina Kischner, na Argentina, conseguiu a aprovação de uma nova lei para os meios audiovisuais. O boliviano Evo Morales segue pelo mesmo caminho. O líder venezuelano, atropelado em 2002 por um golpe de estado urdido e animado pelos grandes meios de comunicação, foi quem primeiro ousou agarrar o touro pelos chifres.

Nenhum desses governantes propôs que fosse estabelecida alguma espécie de censura ou impedimento para a circulação de idéias. Ao contrário: suas iniciativas buscam restringir o peso dos monopólios, abrindo espaços para novos atores e regulamentando uma atividade tão estratégica para a sociedade.

Trata-se, aliás, de uma abordagem comum à maioria dos países democráticos, nos quais existem leis que limitam esses monopólios, asseguram produção nacional e programação educacional, estabelecem cláusula de consciência para os jornalistas, abrem espaço para os movimentos sociais e sindicais.

Mas a reação do baronato venezuelano, no caso específico, não se fez por esperar. Vários dos proprietários desses meios simplesmente se recusam a obedecer legislação proposta por um governo eleito pelo povo e aprovada por um parlamento legítimo. As punições que receberam foram a conta justa, e bastante moderada, para quem insiste em andar fora da lei, costume inconcebível em uma democracia.

Os monopólios estão sendo regulamentados, como é adequado a qualquer serviço público, sob o risco de perderem a concessão que receberam caso persistam em atitudes antidemocráticas. Poderiam ter sido cassados há oito anos, quando foram protagonistas da intentona golpista, mas lhes foi conferida a oportunidade de revisarem suas opções.

Os venezuelanos têm hoje um cardápio de jornais, revistas e meios audiovisuais mais amplo e plural que em qualquer momento de sua história. Muitas organizações sociais e comunidades tiveram apoio governamental para romper a ditadura do poder econômico e criar as condições materiais para o surgimento de novos veículos.

Além de manter abertas as portas da imprensa oposicionista, apesar de suas recorrentes violações constitucionais, o governo Chávez deu vida a uma importante rede de rádios comunitárias, facilitou a criação de novos canais de televisão, direcionou a publicidade estatal para jornais e revistas independentes. Não é pouca coisa.

O presidente venezuelano, de fato, não se revela amigo da mesma liberdade de imprensa apregoada pela plutocracia midiática. Presta serviço às idéias democráticas, no entanto, ao identificar no monopólio privado e desregulamentado da comunicação o maior obstáculo para o direito de informar e ser informado.

*Breno Altman é jornalista e diretor do sitio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)


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Brasil
Governo da Itália facilitou entrada de euros no Brasil para corromper políticos e agentes federais
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FSM da Bahia debateu pensamento inovador da esquerda


Um dos mais concorridos debates do Fórum Social Mundial Temático da Bahia teve lugar no domingo, 31 de janeiro, no salão de conferências do Hotel Sol Barra. No centro das atenções, o pensamento da esquerda na atualidade e as contribuições dos pensadores da América Latina e África.

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Maria Conceição Silva
 José Reinaldo

José Reinaldo, dirigente nacional do PCdoB, destacou que "a luta pelo socialismo volta à ordem do dia"

O jornalista e cientista político José Reinaldo Carvalho, dirigente nacional do Partido Comunista do Brasil, o ex-governador da Bahia, Valdir Pires, dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, o historiador José Luiz Del Royo, do Fórum Mundial das Alternativas, Lílian Celiberti, ativista dos movimentos sociais do Uruguai, e o filósofo francês Christophe Aguiton prenderam as atenções de um participativo público de 600 pessoas durante a ensolarada manhã soteropolitana a 20 metros da convidativa praia do Porto da Barra.

O historiador Del Royo abriu a conferência fazendo um chamamento pelo resgate da memória histórica. Discorreu sobre a formação do pensamento socialista e comunista no Brasil lembrando que o primeiro livro sobre o socialismo no país foi escrito nos primórdios do século 19 pelo general Abreu e Lima, filho do combatente da Revolução Pernambucana de 1917, o Padre Roma. Depois da morte de seu pai, Abreu e Lima se incorporou às hostes de Simon Bolívar nas lutas pela libertação das colônias espanholas. Sobre o surgimento e o desenvolvimento do pensamento comunista no Brasil, Del Royo enalteceu o papel de Astrogildo Pereira, fundador do Partido Comunista do Brasil (PCB), que dedicou sua vida à educação política e ideológica da classe operária, autor prolífico de artigos, ensaios e livros seminais da ciência política brasileira na primeira metade do século 20.

Diversidade de enfoques

Lílian Celiberti destacou o papel da mulher na luta pelo socialismo e, no que chamou de “mirada diferente”, discorreu sobre a necessidade da tensão crítica vis a vis os governos progressistas da América Latina. Acentuou a heterogeneidade das propostas da esquerda latino-americana e defendeu a incorporação de temas como a luta contra o racismo, o etnocentrismo e o patriarcalismo ao ideário e à ação das forças de esquerda.

O filósofo francês Christophe Aguiton destacou que a etapa atual é crucial para a humanidade, uma etapa de transição em que muita coisa se discute e se reorganiza. Para ele, a esquerda na América Latina e na África pode mostrar uma maneira diferente de pensar e agir comparativamente à experiência geral da esquerda ao longo do século 20. Ele criticou a concepção etapista vinculada à visão de “escalas de progresso” (da comuna primitiva ao comunismo) que predominou na maioria das correntes de esquerda no século 20, a visão de construção do socialismo baseada em tomada do poder, concentração dos meios de produção e planificação econômica, assim como a estratégia política de protagonismo absoluto da classe operária e do partido que resultou em sua opinião na subordinação de outros setores.

Para ele, hoje há uma visão inteiramente nova – o pluralismo e a diversidade. Ele considerou que os aportes de latino-americanos e africanos resultaram numa ruptura com o pensamento etapista, de grande importância para a formação do pensamento atual do socialismo do século 21. Aguiton destacou a contribuição do africano Leopold Senghor, do antilhano (Martinica) de origem africana, Aimé Cesaire e do latino-americano José Carlos Mariátegui.

José Reinaldo: “abrir a mente e desenvolver o marxismo-leninismo”

José Reinaldo Carvalho iniciou sua conferência valorizando o sentido progressista e revolucionário das mudanças em curso na América Latina. Para ele a grande novidade do atual momento político na região é que “a luta pelo socialismo volta à ordem do dia depois dos dois ciclos reacionários vividos nos últimos 50 anos – o ciclo das ditaduras militares e o do neoliberalismo”. Reinaldo destacou que hoje o pensamento da esquerda amadurece com a evolução desse quadro político e a sistematização da experiência vivida. Referiu-se à Revolução Cubana vitoriosa há meio século, como um grande marco, ressaltando que a conquista do poder, o esforço para construir o socialismo, a defesa das conquistas sociais e da independência permanecem como importante referência, assim como o pensamento de Fidel Castro desenvolvido no calor dessas refregas. Na opinião do dirigente do PCdoB, as experiências de governos progressistas, com muitas peculiaridades e diferenças, se generalizam e é sobre essa base que evolui o pensamento da esquerda. “Socialismo do século 21”, “Revolução Cidadã”, “Cosmogonia Indígena” são conceitos novos ligados a situações particulares do atual movimento antiimperialista, defendendo valores como nacionalismo popular, unidade e integração regional, democracia participativa e reformas sociais.

Revelando-se partidário do método de “abrir a mente”, o dirigente comunista defendeu que “o marxismo-leninismo e o socialismo científico permanecem vigentes e encontram-se em permanente atualização, como toda teoria científica, e devem dialogar com estas vertentes do pensamento”. Para ele a revolução no Brasil, “socialista em sua essência”,” será resultado dos grandes confrontos classistas e nacionais”.” Na sociedade brasileira” - prosseguiu José Reinaldo - a luta pelo socialismo é indissociável da luta de classes, da luta democrática e da luta nacional-patriótica antiimperialista, é uma luta que se volta simultaneamente contra o imperialismo e o sistema econômico e de poder das classes dominantes”.

Quanto ao pensamento socialista na América Latina, José Reinaldo lembrou a figura do peruano José Carlos Mariátegui e sua noção de que a luta pelo socialismo na América Latina não será decalque nem cópia da de outros continentes. Para José Reinaldo “o pensamento socialista na América Latina recebe a herança dos grandes pensadores antiimperialistas, destacadamente José Marti”. Ele lembrou que em Cuba a ideologia da Revolução é o marxismo martiano. Reinaldo fez um breve histórico da evolução do pensamento comunista no Brasil e destacou as contribuições de Astrogildo Pereira, Otávio Brandão, Caio Prado Júnior, Nelson Verneck Sodré, Florestan Fernandes, Carlos Marighela e João Amazonas. E defendeu o diálogo do pensamento comunista com o daqueles que contribuíram para o conhecimento científico da realidade brasileira, como Celso Furtado, Sérgio Buarque de Hollanda e Darcy Ribeiro.

Sobre a África, José Reinaldo destacou o pensamento anti-colonialista como vertente do anti-imperialismo. Lembrou o pensamento e a ação de Amilcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel e Aristides Pereira, todos lusófonos. Valorizou o pensamento anticolonialista do senegalês Leopold Senghor e do antilhano (Martinica) Aimé Césaire, que fundaram nos anos 1930 do século 20 o Movimento Literário Negritude e desenvolveram a idéia do “socialismo aplicado à realidade africana” (já citados por Aguiton); de Julius Nierere, ex-presidente da Tanzânia e vencedor do Prêmio Lênin da Paz, que escreveu várias obras sobre o “socialismo africano”, e do antilhano (Martinica) de origem africana Franz Fanon, escritor e psiquiatra, autor da obra prima “Os Condenados da Terra”.

Valdir Pires: “Nunca houve verdadeira democracia na Europa e nos EUA”

O ex-governador da Bahia e ex-ministro Valdir Pires fez um pronunciamento político. “Vivemos um instante extraordinariamente rico e ao mesmo tempo perigoso da vida da humanidade”, disse com gravidade o ex-governador. “É preciso lutar incessantemente com as antenas ligadas, com simpatia e amor a todos os pensamentos que servem a liberdade humana, nesta etapa de mudanças absolutamente novas no Brasil e na América Latina”. Para Pires, a América Latina exprime na pluralidade das suas experiências um avanço extremamente significativo, o que torna necessário “ter clareza para pensar os passos que vamos dar para a libertação do nosso povo, sem preconceitos, pensar insistentemente e definitivamente sobre como os nossos países serão capazes de mudar a realidade, vencer os aspectos mais nefastos da sociedade brasileira que nos acompanham por tanto tempo”. O líder político baiano considerou que sob o governo Lula há “avanços qualificados”. Mas insistiu em que “ainda é grande a exclusão social, apesar dos esforços do governo Lula o sentido da inclusão”.

O ex-governador da Bahia exibiu um incrível e surpreendente realismo político, bastante diferenciado das interpretações suavizadas de alguns ambientes diplomáticos e acadêmicos: “O momento que vive o mundo é grave e perigoso e nos impõe a tarefa de tomarmos decisões eficazes e rápidas, pois o tempo é escasso. Existe a possibilidade de uma quase catástrofe, num mundo de concentração de riqueza e poderes e ameaça nuclear”. Denunciando as grandes potências, disse que na Europa e nos Estados Unidos nunca houve verdadeira democracia e condenou o monopólio das armas nucleares: “Até quando as grandes potências guardarão os segredos da tecnologia e continuarão condenando os avanços tecnológicos dos outros?” Ele lembrou que o Tratado de não-Proliferação Nuclear foi assinado pela maioria dos países presumindo o desarmamento geral e a abolição das armas nucleares, mas não foi o que ocorreu.

Nesse quadro, Valdir Pires opinou que “o mundo precisa discutir coletivamente as suas necessidades de avanço político”. “ O Brasil e os países da América Latina” –disse - “não nos dispomos mais a ficar fora da participação ativa e conseqüente nas deliberações do mundo de hoje”. O ex-governador finalizou dizendo que a etapa da luta na América Latina é socialista e sobretudo democrática. Propôs a mobilização e a unidade de todos da esquerda brasileira e latino-americana por uma democracia que seja um regime de plena afirmação da dignidade humana e não uma democracia formal, apenas jurídica e manipuladora de desinformações”.

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Depois de 11 anos, Chávez continua sem adversário a altura


Após 11 anos de sua ascensão ao poder, o presidente Hugo Chávez mantém-se, hoje, como o político mais popular da Venezuela a ponto de desafiar uma nervosa oposição a realizar um referendo revogatório.

Por Miguel Lozano, em Prensa Latina

Depois de derrotar a máquina eleitoral de direita, Chávez assumiu a Presidência da República no dia 2 de fevereiro de 1999 à frente de um movimento popular cuja liderança ganhou como alternativa a quase meio século de governos corruptos.

Em um país que apesar de sua enorme riqueza petroleira, em 1998, tinha 48,1% de sua população na pobreza e 17,1% na miséria, Chávez propôs um novo modelo de distribuição que ganhou o respaldo majoritário da nação.

O fato de que 11 anos depois continue sendo um político sem um rival que aproxime-se à sua altura expressa em boa medida que a população percebe positivamente o cumprimento de seus compromissos com a aplicação de políticas de ordem social.

Em 2009, a pobreza extrema fechou em 6%, com uma redução de 11 pontos percentuais em 10 anos, enquanto a pobreza passou para 24,2%, o que significa que mais de quatro milhões saíram da pobreza e mais de dois milhões, da miséria.

Também estima-se que cerca de 15 milhões, dos 28 milhões de venezuelanos, são beneficiados pelo programa gratuito de atendimento médico Missão Bairro Adentro e outros tantos milhões são atendidos pelo plano de alimentos subsidiados Mercal.

Os programas sociais financiados pelo petróleo abarcam atenção a mães solteiras, crianças de rua, preparação profissional, financiamento de cooperativas e educação gratuita desde o primário até o nível universitário, entre outros.

A popularidade de Chávez é hoje indiscutível até por setores opositores que buscam recuperar parte do terreno perdido nas eleições parlamentares de setembro deste ano, a partir de dificuldades relacionadas com a crise mundial.

Aos problemas provocados pela queda do preço do petróleo, como resultado da crise, se soma a uma longa seca como resultado do fenômeno climático El Niño, em um país que produz mais de 70% de sua energia com hidroelétricas. No entanto, a negativa em tentar diminuir o mandato de Chávez com um referendo revogatório como permite a Constituição, indica um reconhecimento do respaldo popular do qual goza o presidente.

Diante dos recentes fatos violentos provocados pela oposição, o presidente desafiou esses setores a tentarem sua saída por vias constitucionais - como é o referendo -, uma oferta recebida com ouvidos surdos pelos partidos de direita.

Aos 11 anos de sua chegada à presidência e apesar de atravessar momentos complicados pela crise internacional, Chávez segue como um político sem um opositor de categoria que se prepara para uma nova batalha, com as eleições parlamentares.

Sem dúvidas, a figura do presidente, reforçada por seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), terá uma força importante nas eleições nas quais deve, ser eleitos os 165 membros da próxima Assembleia Nacional.

Sua projeção é obter os dois terços do parlamento, como garantia para aprofundar o processo de mudanças, passando de um projeto de melhor distribuição da riqueza a um sistema socialista que denomina Socialismo do Século XXI.

Para conseguir este propósito e seguir com a proposta apresentada para o país, não basta apenas o respaldo de Chávez, pois normalmente neste tipo de eleições têm uma grande influência fatores regionais e cada candidato possui seu peso específico. No entanto, é inegável a influência de sua liderança nas eleições, convocadas para o próximo dia 26 de setembro.

Acostumado aos desafios e otimista nos momentos difíceis, Chávez advertiu seus seguidores de que não será um caminho fácil. Diante disto é necessário reforçar a mobilização e a unidade para garantir a continuidade do processo iniciado no dia 2 de fevereiro de 1999.

Fonte: Prensa Latina

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No hubo de inmediato alertas o advertencias de tsunami.
Un sismo de magnitud 6,5 se produjo el lunes en la costa de Papúa Nueva Guinea, informó el Servicio Geológico de Estados Unidos.
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(“ALCArajo el Imperialismo”).
(FOTO: Lucas Dolega) Un manifestante contra la OTAN enfrenta con gestos a los policías que lanzan gases lacrimógenos en Neuhof, Estrasburgo.

"A la derecha no se le puede dar tregua" (Vladimir Acosta, Venezuela)

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

A IV Frota em ação: um porta-aviões chamado Haiti


Com a crise haitiana, a militarização das relações entre os EUA e a América Latina avança mais um passo, como parte da militarização de toda política externa de Washington. A intervenção é tão escancarada que o jornal chinês "Diário do Povo" pergunta se os EUA pretendem incorporar o Haiti como mais um Estado. Em apenas uma semana o Pentágono mobilizou para a ilha um porta-aviões, 33 aviões de socorro e numerosos navios de guerra, além de 11 mil soldados. A Minustah, missão da ONU para a estabilização do Haiti, tem apenas 7 mil soldados. O problema central para a hegemonia dos EUA na região é o Brasil. O artigo é de Raul Zibechi.

A reação dos Estados Unidos de militarizar a parte haitiana da ilha logo após o devastador terremoto de 12 de janeiro deve ser considerada dentro do contexto gerado a partir da crise financeira e da chegada de Barack Obama à presidência. As tendências de fundo já estavam presentes, mas a crise acelerou-as de um modo que lhes deu maior visibilidade. Trata-se da primeira intervenção de envergadura da IV Frota, restabelecida há pouco tempo.

Com a crise haitiana, a militarização das relações entre os EUA e a América Latina avança mais um passo, como parte da militarização de toda política externa de Washington. Deste modo, a superpotência em declínio tenta retardar o processo que a converterá em uma de outras seis ou sete potências no mundo. A intervenção é tão escancarada que o jornal oficial chinês Diário do Povo (de 21 de janeiro) pergunta se os EUA pretendem incorporar o Haiti como um Estado mais da União.

O jornal chinês cita uma análise da revista Time, onde se assegura que “o Haiti se converteu no 51° estado dos EUA ou, pelo menos, seu quintal”. Com efeito, em apenas uma semana o Pentágono mobilizou para a ilha um porta-aviões, 33 aviões de socorro e numerosos navios de guerra, além de 11 mil soldados. A Minustah, missão da ONU para a estabilização do Haiti, tem apenas 7 mil soldados. Segundo a Folha de São Paulo (20 de janeiro), os EUA substituíram o Brasil de seu lugar de direção da intervenção militar na ilha, já que, em poucas semanas, terá “doze vezes mais militares que o Brasil no Haiti”, chegando a 16 mil homens.

O mesmo Diário do Povo, em um artigo sobre o “efeito estadunidense” no Caribe, assegura que a intervenção militar deste país no Haiti terá influência em sua estratégia no Caribe e na América Latina, onde mantém uma importante confrontação com Cuba e Venezuela. Essa região é, para o jornal chinês, “a porta de entrada de seu quintal”, que os EUA buscam “controlar muito de perto” para “continuar ampliando seu raio de influência sobre o sul”.

Tudo isso não é muito novo. O importante é que se inscreve em uma escalada que iniciou com o golpe militar em Honduras e com os acordos com a Colômbia para a utilização de sete bases neste país. Se, a isso, somamos o uso das quatro bases que o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, cedeu a Washington em outubro, e as já existentes em Aruba e Curaçao (ilhas próximas a Venezuela pertencentes a Holanda), temos um total de 13 bases rodeando o processo bolivariano. Agora, além disso, consegue posicionar um enorme porta-aviões no meio do Caribe.

Segundo Ignácio Ramonet, no Le Monde Diplomatique de janeiro, “tudo anuncia uma agressão iminente”. Esse não parece ser o cenário mais provável, ainda que se possa concluir duas coisas: os EUA optaram pelo militarismo para mitigar seu declínio e necessitam do petróleo da Colômbia, Equador e, sobretudo, da Venezuela para afiançar sua situação hegemônica ou, pelo menos, diminuir a velocidade deste declínio. No entanto, as coisas não são tão simples.

Para o jornal francês, “a chave está em Caracas”. Sim e não. Sim porque, com efeito, 15% das importações de petróleo dos EUA provém da Colômbia, Venezuela e Equador, mesmo índice da quantidade importada do Oriente Médio. Além disso, a Venezuela caminha para converter-se na maior reserva de petróleo do planeta, assim que se confirmarem as reservas do Orinoco descobertas recentemente. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, seriam o dobro das da Arábia Saudita. Tudo isso seria suficiente para que Washington desejasse, como deseja, tirar Hugo Chávez do poder.

Ao meu modo de ver, o problema central para a hegemonia estadunidense no seu “quintal” é o Brasil. O petróleo é uma riqueza importante. Mas é preciso extraí-lo e transportá-lo, o que demanda investimentos, ou seja, estabilidade política. O Brasil já é uma potência global, é o segundo dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ficando atrás em importância apenas da China. Dos dez maiores bancos do mundo, três são brasileiros (e cinco chineses). Nenhum destes dez bancos é dos EUA ou da Inglaterra. O Brasil tem a sexta reserva de urânio do mundo (com apenas 25% de seu território investigado) e estará entre as cinco maiores reservas de petróleo quando for concluída a prospecção da bacia de Santos. As multinacionais brasileiras figuram entre as maiores do mundo. A Vale do Rio Doce é a segunda mineradora e a primeira em mineração de ferro; a Petrobras é a quarta empresa petrolífera do mundo e a quinta empresa global por seu valor de mercado; a Embraer é a terceira empresa aeronáutica, atrás apenas da Boeing e da Airbus; o JBS Friboi é o primeiro frigorífico de carne de gado bovino do mundo; a Braskem é a oitava petroquímica do planeta. E poderíamos seguir com a lista.

Ao contrário da China, o Brasil é autosuficiente em matéria de energia e será um grande exportador. Sua maior vulnerabilidade, a militar, está em vias de ser superada graças à associação estratégica com a França. Na década que se inicia, o Brasil fabricará aviões caça de última geração, helicópteros de combate e submarinos graças à transferência de tecnologia pela França. Até 2020, se não antes, será a quinta economia do planeta. E tudo isso ocorre debaixo do nariz dos EUA.

O Brasil já controla boa parte do Produto Interno Bruto da Bolívia, Paraguai e Uruguai, tem uma presença muito firme na Argentina, da qual é um sócio estratégico, assim como no Equador e no Peru, que facilitam a saída para o Pacífico. Aí está o osso mais duro para a IV Frota. O Pentágono desenhou para o Brasil a mesma estratégia que aplica a China: gerar conflitos em suas fronteiras para impedir a expansão de sua influência: Coréia do Norte, Afeganistão, Paquistão, além da desestabilização da província de Xinjiang, de maioria muçulmana.

Na América do Sul, um rosário de instalações militares do Comando Sul rodeia o Brasil pela região andina e o sul. A pinça se fecha com o conflito Colômbia-Venezuela e Colômbia-Equador. Agora contará com o porta-aviões haitiano, deslocando desta ilha a importante presença brasileira à frente da Minustah. É uma estratégia de ferro, friamente calculada e rapidamente executada.

O problema que as nações e os povos da região enfrentam é que as catástrofes naturais serão uma moeda de troca corrente nas próximas décadas. Isso é apenas o começo. A IV Frota será o braço militar mais experimentado e melhor preparado para intervenções “humanitárias” em situações de emergência. O Haiti não será a exceção, mas sim o primeiro capítulo de uma nova série pautada pelo posicionamento militar dos EUA em toda a região. Dito de outro modo: nós, latino-americanos, corremos sério perigo e já é hora de nos darmos conta disso.

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Europa
Berlín, museo del anticomunismo
Enrique Ubieta Gómez

Niños que estadounidenses intentaron sacar ilegalmente de Haití tienen familia
01-02-2010

En defensa de la soberanía latinoamericana
Atardecer, ocaso… oscura noche en Honduras
José Antonio Monje
01-02-2010

-Norman Bethune, comunista, internacionalista, revolucionario
Una vida dedicada a la lucha contra el fascismo
Erasmo Magoulas

-Howard Zinn, el imprescindible
Tanalís Padilla

Economía
-China crea un superministerio de energía
Alfredo Jalife-Rahme

Mentiras y medios
-Semiótica de las porno-catástrofes: una ofensiva inhumana
Violencia CNN contra Haití
Fernando Buen Abad Domínguez

-Sólo es violación si lo hace Cuba
Pascual Serrano

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(Foto: Argentina asume presidencia de parlamento del MERCOSUR)
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Prensa yvke Mundial, Prensa latina

Por parte del Gobierno Bolivariano

Foto: Archivo YVKE Mundial"
Creado Fondo Eléctrico Nacional de mil millones de dólares.
Foto: Archivo YVKE Mundial

Con el fin de fortalecer el desarrollo eléctrico en el país, el presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías, anunció este domingo la creación del Fondo Eléctrico Nacional.
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Fueron 33 los niños recuperados
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Los ojitos de susto mostraban el drama de la infancia en un país hundido.

"La mayoría de estos niños tienen familia. Algunos de los más grandes dijeron que sus padres están vivos, y algunos dieron una dirección y números de teléfono" Leer más

Prensa YVKE Mundial/CiudadCCS


En la provincia de Sichuan
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Más de cien casas se desplomaron en China a causa de un sismo

El movimiento telúrico, de 5 sacudió este domingo la provincia de Sichuan, en el suroeste del país, y provocó el desplome de más de 100 casas.
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Por ventas de armas valoradas en más de 6.400 millones
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Tensión entre China y EEUU

El gobierno chino anunció ayer una serie de medidas de represalia en respuesta a la próxima venta de armas de los EEUU a Taiwan, que incluyen una suspensión de la colaboración militar con Washington, y sanciones contra las compañías estadounidenses que proporcionen armas a Taipei.
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YVKE Mundial

Sábado, Janeiro 30, 2010

Dip. Carolus Wimmer: Golpe institucional, capítulo Honduras: Nuevo modelo neoliberal contra los pueblos


“ Volveremos, volveremos”, exclamó Zelaya antes de partir hacia Dominicana. Frase similar al “Por ahora”, que un 4 de febrero de 1992 pronunció un venezolano que también se rebeló contra la oligarquía de su país, y que años más tarde llegaría a la cúspide de la popularidad y cambiaría el rumbo de su nación hacia el desarrollo, Hugo Chávez Frías.


Por: Especial Vicepresidencia


Por: Aporrea.org
el vicepresidente del Grupo Venezolano del Parlamento Latinoamericano, diputado Carolus Wimmer
Credito: ABN
Caracas, 30 Enero.- La juramentación de Porfirio Lobo como presidente de la República de Honduras pretende legitimar y validar, más que un golpe de Estado técnico, institucional y militar, la nueva estrategia de Washington en América Latina para derrumbar gobiernos y presidentes democráticamente electos, y reprimir a pueblos que luchan por su liberación hegemónica y su reindependencia.

Así lo denunció el vicepresidente del Grupo Venezolano del Parlamento Latinoamericano, diputado Carolus Wimmer, recordando que Lobo fue elegido en un proceso electoral ilegitimo, efectuado bajo el amparo de un régimen dictatorial y represivo, que asumió el poder tras perpetrar un golpe de Estado contra el presidente constitucional del país, Manuel Zelaya.

Un Jefe de Estado (Zelaya) que fue expatriado a punta de fusil y luego regresó valientemente, aún cuando la Corte Suprema de Justicia solicitaba su aprehensión por un sinfín de expedientes judiciales que le fueron abiertos por ejercer acciones y ejecutar planes en favor de su pueblo y en detrimento de los intereses capitalistas de la burguesía subversiva al imperio norteamericano.

Entonces, por un lado Lobo asume un mandato inconstitucional, no reconocido por la gran mayoría de los Gobiernos de América y del mundo entero. Por el otro, Zelaya recibe asilo político en República Dominicana, pues corre el riesgo de ser torturado y asesinado en caso de ser capturado por las fuerzas policiales agresivas de Honduras.

Para Wimmer, este golpe institucional dado en Honduras -ya que se juntaron los poderes del Estado y las fuerzas militares para derrocar al Ejecutivo- es el nuevo modelo golpista que Estados Unidos pretende imponer en la región, adaptado al siglo XXI y con el apoyo de la oligarquía vende patria de cada país.

Destacó que es una adaptación de otroras operaciones, como el Programa Phoenix en Vietnam para acabar con el Frente Nacional de Liberación de Vietnam, la Operación Condor en América Latina para erradicar los movimientos populares que luchaban contra las dictaduras militares, o la reciente Operación Libertad en Irak, para adueñarse de las riquezas petroleras de ese país.

“Anteriormente empleaba golpes fascistas militares, guerras e invasiones para lograr sus objetivos. Ahora se apoya en sobornar, comprar y dominar a las instituciones de un país, es decir, dar golpes institucionales, cuyo objetivo es igual al de los golpes militares del pasado”, enfatizó.

Transición dictatorial

Wimmer, también secretario de Relaciones Internacionales del Partido Comunista de Venezuela, dijo que lo ocurrido en Honduras es una transición dictatorial, es decir, un dictador por otro. Roberto Micheletti dejó de cumplir sus funciones de supuesto “presidente provisional” para dejar que Porfirio Lobo ejerza una presidencia inconstitucional.

Ante ello, Lobo deberá enfrentarse a ciertos retos. El primero de ellos es la lucha popular que desarrollará el Frente Nacional de Resistencia Popular, ese que no ha descansado un sólo día desde aquel 28 de junio y que ha dicho que no descansará hasta ver retornar la verdadera democracia a su país.

Quizás el reto más importante, para él, será lograr el reconocimiento internacional, del cual no goza ahora. En América sólo EEUU, Colombia, Perú, Costa Rica y Panamá lo han reconocido. La Unión europea aún no lo ha hecho.

Por otra parte, llamó a la reconciliación nacional al jurar la Presidencia, pero paradójicamente insistió en expulsar a Zelaya fuera del país y firmó un decreto de amnistía para todos los involucrados en la crisis causada por el golpe de Estado.

Sobre el tema, una encuesta hecha por la BBC, la Corporación Británica de Difusión del Reino Unido, en el mes de enero, dejó como resultados que la investidura de Lobo como nuevo presidente de Honduras, para el 51% de los lectores, es una legitimación del golpe de estado.

El 28% consideró que es una salida a una estancada crisis política y sólo el 21% cree que una evolución natural de la democracia hondureña. Lo dicen los lectores de una transnacional privada de comunicación, que poco o nada se relaciona con el progresismo.

En conclusión, la dictadura en Honduras continuará, la lucha de Zelaya desde el exilió no morirá y los países integrantes de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (Alba) no dejarán de denunciar jamás los atropellos contra el pueblo hondureño.

“ Volveremos, volveremos”, exclamó Zelaya antes de partir hacia Dominicana. Frase similar al “Por ahora”, que un 4 de febrero de 1992 pronunció un venezolano que también se rebeló contra la oligarquía de su país, y que años más tarde llegaría a la cúspide de la popularidad y cambiaría el rumbo de su nación hacia el desarrollo, Hugo Chávez Frías.

Rafael Correa se entrevistó con Manuel Zelaya en Santo Domingo

Unos 6.000 japoneses se manifiestan en Tokio contra la reubicación de la base estadounidense de Futenma, Okinawa

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Detenidos diez estadounidenses que pretendían sacar ilegalmente de Haití a 33 menores

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Ratifica que Ecuador no reconocerá a Lobo como presidente hondureño


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"Há setores esforçados em apagar a ditadura da história do país"


Após a 2ª Guerra Mundial, os judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história, no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram condenados e o episódio marca a pior lembrança da humanidade.

Crimes cometidos em outros momentos de exceção também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, Ruanda, Argentina, no Uruguai e Paraguai.

Para filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas: o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes políticos, foi a julgamento e preso.

Em março, será lançado o livro O que resta da ditadura (editora Boitempo), organizado por Safatle e Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se alimenta no Brasil. Para Safatle,o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar (1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três Poderes.

Agência Brasil: O Brasil tem alguma dificuldade com o seu passado?

Vladimir Safatle:
Existe um esforço de vários setores da sociedade em apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que tentam reduzir o período à vigência do AI 5 [Ato Institucional nº 5], de 1968 a 1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se poderia tecnicamente chamar de ditadura.

Ou seja, existe mesmo no Brasil um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um certo passado da nossa história.

ABr: Há quem diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964, mas sim uma "ditabranda" se comparada à Argentina e ao Uruguai, por exemplo.

Safatle:
Essa leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a vida nacional.

A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se perpetuou. O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de mortes.

ABr: Qual o reflexo disso?

Safatle:
Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade.

Quando o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar, continua.

ABr:
Então, a semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura?

Safatle:
Não é difícil fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. No estado de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era alguém que fez parte do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna].

Teve toda uma discussão, mas esse debate não serviu sequer para que ele voltasse atrás na nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que as práticas não mudaram.

ABr:
Estamos atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e julgamento de crimes cometidos pelo Estado?

Safatle: Estamos aquém de todos os países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da família Teles contra o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, que foi uma declaração simplesmente de crime. Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que houve um crime.

Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura, nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai.

ABr:
Que expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para apurar crimes da ditadura?

Safatle: Uma atitude como essa é a mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [secretário dos Direitos Humanos, da Presidência da República] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais alta relevância nacional.

Acho que é muito difícil falar o que vai acontecer. A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase no livro 1984, de George Orwell, que diz: “Quem controla o passado controla o futuro”. Mexer com esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que o nosso futuro vai ser decidido.

ABr:
Mas, antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito acalorados.

Safatle:
O melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo [PNDH 3] em momento algum sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. O que ele sugeriu foi que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados pessoais.

A confusão que se criou demonstra muito claramente como a sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem pessoas que foram ligadas a esses tipos de atividades de “terroristas”. É sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde John Locke [filósofo inglês do século 17], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos também preveem essa situação.

ABr: O termo “terrorista” é usado por historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é errado?

Safatle:
Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou eleições de fachada com múltiplos casuísmos.

Podemos contar as vezes que o Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis. O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada.

No Leste Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma, de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre Direito e Justiça.

Em certas situações, as exigências de Justiça não encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao governo.

ABr: Os assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas agências?

Safatle: Todos os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso não pode ser utilizado para bloquear a discussão.

Dentro de um processo de legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da nossa noção liberal de democracia.

ABr:
Que democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado?

Safatle
: É uma democracia imperfeita ou, se quisermos, uma semi-democracia. O Brasil não pode ser considerado um país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas.

ABr:
O que isso significa?

Safatle:
Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático, bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente difundida de que a Nova República é um período de consolidação da democracia brasileira. Diria que não é verdade. É um período muito evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus impasses a todo momento.

O primeiro presidente eleito recebeu um impeachment, o segundo subornou o Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral da República era conhecido por todos como “engavetador-geral”, que levou a uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados.

O terceiro presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. Chamar isso de consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos os partidos sem exceção.

Fonte: Agência Brasil

vermelho.org.br >> Brasil


Bernard Cassen: mídias viraram arma ideológica e política

O jornalista francês Bernard Cassen criticou nesta sexta-feira (29) os meios de comunicação que, segundo ele, deixam de lado a informação e se transformam em “arma ideológica e política, abandonando toda a fachada do pluralismo”.
Ele citou como exemplo a atual situação da Venezuela e dos veículos de comunicação do país. “Oitenta por cento das mídias venezuelanas são privadas e em guerra aberta ao governo. Não fazem informação, fazem guerra”, disse o ex-diretor do jornal Le Monde Diplomatique.

O jornalista, que participou dos debates no Fórum Social Mundial Temático na Bahia, definiu as mídias como atores econômicos da globalização liberal, além de vetores ideológicos das políticas neoliberais.

Ele lembrou que, apenas na França, 75% dos veículos estão nas mãos de três grupos. A mesma concentração existe também na Itália, na Alemanha e mesmo no Brasil. “É um fenômeno global”, disse, ao enfatizar que a crítica ao sistema midiático não deve ser interpretada como uma crítica aos jornalistas. “Eles pagam preços muito altos – muitos estão desempregados e quem não está, está assalariado em situações de precariedade, como vítimas do sistema”, completou.

Ele defendeu a democratização da comunicação, por meio do favorecimento a mídias comunitárias e alternativas, e disse que é preciso “dar poder aos jornalistas”.

Cassen destacou a importância do papel da educação para a formação de leitores, espectadores e ouvintes críticos. “Nas escolas, [é preciso] oferecer ensinamento crítico sobre as mídias, desmontar a desinformação e a manipulação. Isso tem que ser ensinado, dar armas para não se deixar levar pelas mídias. Os movimentos sociais, por meio de publicações, também têm seu papel na educação para adultos.”

Fonte: Agência Brasil

vermelho.org.br >> Mídia

Desafio da Comissão da Verdade é acessar arquivos da ditadura

EUA e Honduras dizem ter reatado laços

Presidente do Banco central da Argentina renuncia

Sem remorsos, Blair defende decisão de ter atacado o Iraque

Ex-assessora de Blair tacha de "lamentável" invasão do Iraque

Chaplin roubou o grande amor de J.D. Salinger

Defesa da integração do Sul abre Fórum Social na Bahia


O Fórum Social Mundial Temático da Bahia teve início da manhã desta sexta-feira (29/1), trazendo à tona o debate quanto ao protagonismo dos países do Hemisfério Sul diante deste cenário de reconfiguração mundial por conta da crise. Em pauta, a construção de propostas unificadas de transformação estrutural, alinhando sustentabilidade ambiental e desenvolvimento social para a superação das desigualdades regionais.

O evento foi o mais concorrido no 1º dia do Fórum

Dados oficiais dão conta de que existem hoje, em todo o mundo, quatro bilhões de pessoas vivendo à margem da sociedade, excluídas dos processos de poder econômico e alheias a políticas de assistência social. “É realmente uma crise civilizatória; o que nos alerta para a necessidade de se pensar uma outra agenda, fundamentada em eixos estruturalistas e transformadoras em termos sociais, com mudanças profundas para uma sociedade devidamente formada”, pontuou o professor da PUC-SP e consultor de agências das Nações Unidas, Ladislau Dowbor, na abertura da mesa temática “O Sul-Sul como alternativa”.

É neste cenário que desponta o papel do Hemisfério Sul e, em especial, do Brasil, África do Sul, Índia e China. “Até o ano 1.000 da História, o Sul representava 82% da população e da riqueza mundial”, afirmou o sub-secretário geral da ONU, o suíço Carlos Lopes. “A partir deste século, surge um movimento de recuperação do seu papel em importância econômica, capitaneado justamente por esses países emergentes”, completou. A previsão é de que as “novas” nações atinjam o protagonismo mundial em 2050, ao lado dos Estados Unidos.

São estes países que apresentam uma realidade de crescimento e indicadores positivos na área econômica, ao contrário do cenário de crise constatado nos EUA e Europa. A África do Sul, por exemplo, tem um estoque de capital superior ao da Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa e da maioria dos países europeus. Apesar da fama da exploração de minérios, 70% do seu PIB decorrem da produção industrial. “É uma manifestação da punjância econômica que eleva o papel dos emergentes”, explica Lopes.

Nova configuração Sul-Sul

Uma das evidências notáveis desta nova configuração pró-Sul se evidencia no aumento do fluxo migratório para os países da região. E o Brasil desponta na linha de frente como dono do maior potencial para abrigar esse movimento de migração laboral. “Acho que a região tem um papel a cumprir e pode se beneficiar por estar nas rotas dos movimentos migratórios internacionais dentro dessa mudança de fluxos que estamos assistindo em função da crise e das atividades terroristas no mundo”, defendeu a pesquisadora da Unicamp e do IBGE, Neide Patarra.

Nesse aspecto, a economia de blocos entre os países do sul joga um papel positivo no fortalecimento da integração regional. “Meu argumento é em prol de uma abertura maior da região para os movimentos internos de migração, como uma forma de reforçar o mercado de trabalho e, posteriormente, o mercado consumidor”, explica Patarra. A opinião é compartilhada pelo argentino Jorge Beinstein, da Universidade de Buenos Aires. “Diria que temos que pensar no papel dos países do sul no mundo em crise; e não pós-crie. Esse papel, então, seria proteger-se das redes financeiras globais”, pontuou.

E é justamente esse “estar em crise” dos grandes pólos-financeiros internacionais que gerou oportunidades para os países do Hemisfério Sul. “As consequências políticas e ideológicas da crise abrem novas possibilidades”, observou o secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer.

Para ele, um modelo de economia sem a figura do patrão e do empregado se sobrepõe como alternativa viável às práticas vigentes dentro do estratagema capitalista. “Se olharmos as coisas com a devida perspectiva do tempo, há uma grande esperança de superação do neoliberalismo; do capitalismo selvagem que gera um desemprego em massa de um lado, e super exploração dos trabalhadores de outro; e a construção de uma nova economia, que tem valor de uso como objetivo, e não o valor de troca”, enfatizou.

A julgar pelos efusivos aplausos do público, que lotou o Salão Atlântico do Hotel da Bahia, a expectativa de mudanças em favor de uma nova configuração mundial, de integração solidária para o desenvolvimento, é coletiva.

De Salvador,
Camila Jasmin

vermelho.org.br >> Bahia >> Notícias

Allan McDonald: Mel solo dijo 7 letras: “volveré”…


Eso fue todo, no había más palabras; eso lo encerraba todo, en esas 7 letras estaban la utopía y los sueños, la esperanza y la lucha, la dignidad y la masa, la fe y la locura, la razón y la lágrima.


Portada :: América Latina :: Golpe militar y resistencia popular en Honduras

30-01-2010

Honduras
Las calles sin Manuel

Tlaxcala

Detrás de una cinta de seda bordada con manos esclavas yace el traje oscuro del nuevo presidente de Honduras, don Porfirio, un hombre de cerro abierto al igual que don Manuel Zelaya.

La televisión local a destajo soltó las imágenes del circo en vivo, del traspaso presidencial de la ultima pantomima de la democracia estilo Honduras.

Sólo dos presidentes vinieron de visita de los 256 que tiene el mundo.

Ricardo Martinelli, de Panamá, un velón del imperio, arrastrado con ansias de ser el satélite de USA. Y el presidente de la república de China (Taiwán).

Ma Ying-jeou, que ni idea tiene del idioma se habla en Honduras y de para qué sirven los garrotes que se usan en un golpe de Estado, porque allá en su país se utilizan para hacer palillos chinos.

Detrás de todo este teatro, carísimo y malo, están las calles abandonadas, aunque por ellas caminen 350 mil almas de rojo y negro, con la dignidad en las espaldas y en la vida, gritando, aclamando al presidente del pueblo: Manuel Zelaya.

Pese a esto, las calles están vacías, sin Manuel Zelaya, ningún viento pasa por la ciudad, ni ese aliento helado que en las noches verdeolivo se congelaba en las afueras de la embajada de Brasil, donde el hombre estaba secuestrado, rehén de gorilas enfundados en un caparazón servil de burgueses temerosos de las gentes del pueblo.

Zelaya se fue en un avión con su sombrero, su mujer, su hija y su nieta que caminaba triste con un vestidito rojo, volándole como un pájaro herido en medio de este pálido azul que es la patria que dejan.

Mel solo dijo 7 letras: “volveré”…

Eso fue todo, no había más palabras; eso lo encerraba todo, en esas 7 letras estaban la utopía y los sueños, la esperanza y la lucha, la dignidad y la masa, la fe y la locura, la razón y la lágrima.

El avión voló junto al presidente Leonel Fernández, de República Dominicana, sólo se vio la sombra en lo alto del cielo ya oscuro por los últimos adioses de la muchedumbre chusma, que abajo lanzaba besos y abrazos para el hombre que dio todo por ellos.

Detrás de eso, las calles son un desierto vacío, sin gorilas y sin nostalgias, sin fantasías y sin humo, sin retenes y sin cobardes trincheras, allá por donde franqueó el paso redoblado de los fantasmas verduscos. Cruzo por esas aceras donde los compañeros dieron la batalla envuelta en pañuelos rojos y banderas blancas y únicamente veo los grafitis en las paredes con un “te amo, patria” y una beso marcado en la pared de la embajada brasileña para un amor perdido.

Las calles no son ni serán nunca iguales sin Manuel, sin la lucha que el abanderó, sin la fuerza que el les dio, sin las palabras que el lanzó como un barrilete místico. Sin Manuel las calles de Honduras son huellas frescas en el asfalto, nada camina, nada anda, salvo los pasos perdidos de una anciana que busca entre la basura los escombros de la democracia.

Fuente: http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=9881&lg=es

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(“ALCArajo el Imperialismo”).

(FOTO: Lucas Dolega) Un manifestante contra la OTAN enfrenta con gestos a los policías que lanzan gases lacrimógenos en Neuhof, Estrasburgo.

Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Nobel da Dinamite


Moises Diniz *

Este artigo é motivado pela declaração da Prêmio Nobel da Paz de 2003, a iraniana Shirin Ebadi, de que “Lula não deveria fazer amizade com governos criminosos”, referindo-se ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Shirin Ebadi foi a primeira juíza e única representante feminina na corte do monarca Xá Reza Pahlevi, visto pela população como corrupto, que esbanjava gastos em festas regadas a champanhe francês enquanto os iranianos empobreciam.

A iraniana Shirin Ebadi não diz uma única vírgula contra a relação diplomática do Brasil com Israel e não escreve sequer uma poesia contra a declaração daquele mesmo Estado de que pode realizar um ataque aéreo contra o seu país, o Irã dos aiatolás que ela ajudou a construir.

Declarações desse tipo nos levam a olhar com mais profundidade para a história do Prêmio Nobel, especialmente o da Paz. Um olhar mais criterioso vai descobrir que, nem sempre, a paz foi a motivação verdadeira para a concessão de tão prestigiado prêmio.

O Prêmio Nobel, da Nobel Foundation, na Suécia, foi instituído por Alfred Nobel, químico e industrial sueco, inventor da dinamite, em seu testamento. Alfred Nobel deixou 32 milhões de coroas (atualmente uma coroa corresponde a R$ 0,25) para aplicação e distribuição aos laureados.

Numa indisfarçável contradição, o Prêmio Nobel da Paz é pago com dinheiro arrecadado de patentes da dinamite, artefato à base de nitroglicerina, que se tornou o núcleo tecnológico para a produção de material bélico que já exterminou milhões de homens, mulheres e crianças.

É como um criminoso que leva pão para a mãe de sua vítima e garante remédio para as dores terríveis que ela sente depois da morte de sua filha inocente. Alfred Nobel inventara a dinamite, núcleo tecnológico de todas as armas de destruição e morte.

Um prêmio à paz tornava charmoso o seu criador e aliviava a culpa de ter inventado a morte que esfacela corpos e arrebenta lares inocentes. Alfred Nobel não imaginava, todavia, que sua fundação fosse tão longe, laureando criminosos e protegendo interesses econômicos e geopolíticos da velha elite.

O Prêmio Nobel da Paz foi concedido 90 vezes para 120 Nobel entre 1901 e 2009, 97 vezes para indivíduos e 23 vezes para organizações. Nesses 108 anos o Prêmio Nobel da Paz nunca foi concedido a um líder verdadeiro da esquerda mundial, nunca a um líder indígena que se contrapôs aos interesses econômicos de seu país e nunca a um líder comunista.

Sequer foi agraciado um Papa progressista como João XXIII, que convocou o Concílio Vaticano II, responsável pela abertura da Igreja ao sopro da civilização, semeando o diálogo entre os homens e os povos, evitando a morte de milhões, pois a humanidade se abraçou mais e perdoou mais depois do Concílio Vaticano II.

O Prêmio Nobel da Paz, mesmo quando não pode desconhecer importantes figuras da luta pacifista do planeta, agracia os líderes populares junto com os seus algozes. O Nobel da Paz foi concedido a Yasser Arafat, em 1994, mas, na mesma data, foi dado a dois de seus inimigos: Shimon Peres e Ytzhak Rabin.

Quando Nelson Mandela mobilizava a opinião pública do planeta, a Nobel Foundation o agraciou com o Nobel da Paz, mas não esqueceu de laurear junto o principal algoz do povo negro da África do Sul: Frederik Willem de Klerk.

Em 1990 foi a vez de Mikhail Gorbatchov, responsável direto pelo desmantelamento da União Soviética e a conseqüente destruição do seu parque industrial e da infra-estrutura de proteção social dos trabalhadores, gerando milhões de desempregados, alcoólatras, prostitutas, mendigos aos milhões e todos os tipos de criminosos.

De vez em quando, para burlar a opinião pública, eles escolhem alguém que está lutando contra uma ditadura num país sem importância estratégica, como foi o caso da Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi, uma ativista da oposição em Mianmar.

Lech Walesa, em 1983, cumpriu o papel de ser agraciado por ter desmantelado o socialismo na Polônia. Demonstrando que o seu papel era apenas esse, implementou uma política nociva aos trabalhadores poloneses, sucateando a economia e despejando milhões de polacos no desemprego e na violência. Em 2000 Lech Walesa tentou de novo a eleição presidencial e obteve menos de 1% dos votos.

O fim do socialismo no Leste europeu (apesar de seus imperdoáveis erros) provocou o descontrole da elite mundial, que passou a explorar mais a classe trabalhadora, a demitir mais, a reduzir direitos sociais e trabalhistas e a aumentar a sua brutal taxa de lucro no costado dos operários. Sem contraponto político, a burguesia soltou os cachorros do lucro na rua dos pobres do planeta.

Em 1978 o Nobel da Paz foi concedido ao líder de Israel Menachem Begin, um dos pais do sionismo. Em 1981, Begin ordenou o ataque ao reactor nuclear Osiraq, no Iraque e em 1982, o governo de Begin decidiu a invasão israelita do sul do Líbano.

Todavia, foi em 1973 que a Nobel Foundation ultrapassou todos os limites éticos na concessão do Nobel da Paz, agraciando Henry Kissinger. O secretário de estado norte-americano ganhou, com Le Duc Tho, o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu papel na obtenção do acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietnam. Le Duc Tho recusou o prêmio.

Henry Kissinger, além de ser o estrategista da Guerra do Vietnam, com milhões de mortos, é acusado de ter cometido crimes de guerra durante sua longa estadia no governo, como dar luz verde para a invasão indonésia de Timor (1975) e a golpes de estado no Chile e no Uruguai (1973).

Martin Luther King, uma das honrosas exceções, foi agraciado em 1964 com o Nobel da Paz. Um ano depois o líder negro passou a questionar a Guerra do Vietnam, irritando aqueles que o queriam apenas como líder da luta contra o preconceito racial. Em 1968 foi assassinado.

Em 1945 a Nobel Foundation concedeu o seu prestigiado prêmio a Cordell Hull, considerado um dos pais das Nações Unidas. Todavia, um detalhe grotesco da sua biografia passou despercebido.

Atribui-se a Cordell Hull influência tanto sobre o presidente de Cuba, Federico Laredo Brú, como sobre Roosevelt na negação de ambos os governos para dar refúgio ao navio San Luis que em 1939 tentou chegar à América e Caribe carregado com mais de 900 judeus que procuravam escapar da Alemanha Nazi e tiveram que regressar, tendo a maioria perecido depois nos campos de concentração da Europa central.

Destacamos apenas alguns laureados, com o intuito de demonstrar que o Prêmio Nobel da Paz não representa uma instituição séria de promoção da convivência pacífica entre os povos. Excetuados os casos de concessão a líderes verdadeiros da luta pela paz, fruto da pressão da opinião pública mundial, o Nobel da Paz tem servido a interesses nada pacíficos e nada éticos.

É a paz dos mortos sendo utilizada para vampirizar as maiorias exploradas do novo e do velho mundo. Um prêmio cercado de festa, luzes e glamour, mas adubado pela morte de milhões na periferia do planeta. Subtraídas as honrosas exceções, um prêmio pacífico e ético tanto quanto a dinamite.

Até Barack Obama já recebeu o prêmio da suspeita Nobel Foundation e, enquanto embolsava os 1,4 milhão de dólares em Oslo, fez a defesa da Guerra do Afeganistão. Enquanto isso, Mahatma Gandhi nunca recebeu o Nobel da Paz!

* Neto de índios Ashaninkas, ex Irmão Marista, formado em pedagogia e
deputado estadual pelo PCdoB no Acre.

Vermelho

A politica da Adminitração Obama Ameaça a Humanidade


Recentes iniciativas do Governo dos EUA confirmam que a actual Administração, longe de renunciar a uma estratégia de dominação mundial, se propõe a ampliá-la em múltiplas frentes.

Obama

“Aquilo que parecia impossível há um ano está a acontecer: a política externa de Obama é mais agressiva e perigosa para a Ásia, África e América Latina do que a de George Bush. Mas essa realidade não se tornou ainda evidente para as grandes maiorias, influenciadas pela campanha de âmbito mundial que apresenta o presidente dos EUA como um político progressista e um defensor da paz.
Os actos desmentem-lhe, porém, as promessas e a oratória”.


Miguel Urbano Rodrigues
- 26.01.10

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Os media ocidentais dedicam atenção mínima a iniciativas que se integram na expansão planetária do militarismo estadounidense. Mas esse silêncio não impede que ela seja uma realidade.

O AFRICOM

A recente visita a países africanos do general William Garnett – é um exemplo – passou praticamente despercebida. Acontece que esse chefe militar foi dinamizar o AFRICOM, sigla que designa o comando do exército permanente dos EUA a ser instalado na África. A missão do general Garnett consistiu precisamente em contactos de alto nível com o objectivo de encontrar uma sede para esse exército, cuja criação foi aprovada há anos.

Sabe-se que até à data somente dois países, a Libéria e Marrocos mostraram disponibilidade para receber o AFRICOM. O general esbarrou, entretanto, com uma recusa frontal da Comunidade de Desenvolvimento da África do Sul, SADC, organização que reúne 15 países do Sul do Continente, incluindo Angola e Moçambique.

Dois são os objectivos do AFRICOM. Segundo a Casa Branca, o principal seria o combate ao terrorismo e o fortalecimento dos «regimes democráticos» da Região. O outro seria incentivar as relações económicas dos EUA com a África. Na realidade esse exército foi concebido como força de intervenção para apoiar governos aliados do Continente na sua luta contra movimentos progressistas. Paralelamente, a presença militar dos EUA criaria condições muito favoráveis ao controlo do petróleo e dos enormes recursos mineiros africanos.

Enquanto não se decide qual o país sede do AFRICOM, o Pentágono mantém forças nas Seychelles e em Djibuti (antiga Somália Francesa). Foi a partir daí que aviões não tripulados (os famosos drone) bombardearam a Somália. O general William Ward, do AFRICOM, afirmou recentemente que a Somália é hoje um «objectivo central do exército dos EUA no Continente».

Simultaneamente a NATO amplia a sua presença no Índico.

IEMEN

A implementação da nova estratégia dos EUA para o Índico e o Corno de África foi acompanhada no início de Janeiro de uma intensa ofensiva mediática.

O fracassado atentado terrorista de um nigeriano contra o avião da Norwest Airlines que se dirigia a Detroit funcionou como alavanca de uma campanha que através de supostas ligações desse jovem catapultou o Iémen para as manchetes da comunicação social. De um dia para o outro aquele esquecido país do Sudeste da Península Arábica passou a ser apontado como o foco principal da Al Qaeda e uma ameaça à segurança dos EUA.

Uma massa torrencial de informações falsas foi difundida pelo planeta numa repetição do que acontecera em 2004 nas vésperas da agressão ao Iraque quando Washington forjou o mito das «armas de extinção maciça» como pretexto para a invasão.

O general Petraeus, comandante supremo dos EUA para o Médio Oriente e a Ásia Central, visitou Sana, onde foi prometer ao presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh, um aliado, um grande aumento da «ajuda» norte-americana que no ano passado já ascendera a 67 milhões de dólares.

O presidente Obama, em Washington, falou do «perigo iemenita» e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, apressou-se a alinhar com a Casa Branca e a 3 de Janeiro afirmou em entrevista à BBC: «temos que fazer algo mais» no Iémen e na Somália.

Quase simultaneamente, o assessor de Obama para a segurança nacional e o antiterrorismo, John Brennan, foi mais longe: «convertemos o Iémen – informou – numa prioridade para este ano».

A agressão militar precedeu, entretanto, essas declarações oficiais.

Nem Obama, nem Petraeus, nem Brennan esclareceram que a força aérea dos EUA bombardeou intensamente o território iemenita em Dezembro com mísseis Cruzeiro e aviões não tripulados em operações coordenadas com o exército da Arábia Saudita.

Num bem documentado artigo, divulgado por Global Research, Rick Rozoff revela pormenores dessas acções militares e das iniciativas politicas que acompanham a escalada imperialista no Iémen.

O encerramento, seguido da imediata reabertura, das embaixadas dos EUA, do Reino Unido e na França, foi uma farsa montada com o objectivo de impressionar norte-americanos e europeus e neutralizar eventuais reacções de protesto contra a abertura de uma nova frente de guerra no Iémen.

Os guerrilheiros das tribos houthis, chiitas, que combatem o Governo de Saleh no Norte, são apresentados por Washington como perigosos terroristas da Al Qaeda. O mesmo acontece com as forças do Partido Socialista do Iémen que, no Sul, lutam pela autonomia que lhes é negada.

Segundo porta vozes dos houthy, a Arábia Saudita disparou em Dezembro mais de mil mísseis contra os seus acampamentos numa guerra não declarada. O número de vítimas civis dos bombardeamentos norte-americanos na área seria muito elevado.

«A pretexto de proteger o território dos EUA desta vaga e ubíqua entidade (a Al Qaeda) – escreve Rick Rozoff – o Pentágono está envolvido em operações militares que vão do ocidente africano ao leste da Ásia contra grupos de esquerda e outros, não vinculados a Obama Ben Laden, na Colômbia, nas Filipinas, e no Iémen, milícias chiitas no Líbano e no Iémen, rebeldes étnicos no Mali e no Níger, e uma rebelião cristã extremista no Uganda.»

A instalação de sete bases militares norte-americanas na Colômbia insere-se nessa escalada militarista global. Também na América Latina a estratégia da actual Administração dos EUA é mais agressiva e desrespeitadora da soberania dos povos do que a dos governos anteriores (ver odiario.info, 7 de Janeiro de 2010).

A transformação de uma iniciativa de suposta «ajuda humanitária» ao Haiti, devastado por um terramoto apocalíptico, numa operação militar através do envio de uma força de mais de 15.000 soldados que ocuparam o país, impondo discricionariamente a vontade de Washington – é mais uma demonstração da perigosa estratégia imperial da Administração Obama.

O discurso farisaico do Presidente dos EUA funciona, porém, como um anestésico das consciências, dificultando muito a percepção da ameaça que representa para a humanidade a politica orientada para a dominação da humanidade pelo sistema de poder imperial.

O discurso de fachada progressista mantêm-se, mas é negado a cada semana pelos actos. As medidas anunciadas na área financeira para punir abusos dos banqueiros de Wall Street e a corrupção dos senhores da finança são, concretamente, um exemplo da hipocrisia do discurso presidencial. Desde que tomou posse, a politica financeira de Obama tem sido orientada não para a solidariedade com as vítimas da crise – o povo dos EUA – mas para a salvação dos responsáveis, os banqueiros e as grandes empresas à beira da falência.

Tendo perdido a hegemonia económica exercida na segunda metade do século XX, o sistema de poder estadounidense tenta, através da escalada militarista e do saque dos recursos dos povos do antigo Terceiro Mundo, prolongar a dominação do capitalismo à escala universal, superando pela violência a crise estrutural que o afecta e o empurra para o desaparecimento.

Nesse contexto, a politica externa da Administração Obama configura para a humanidade a mais perigosa ameaça por ela enfrentada desde o III Reich alemão.

Uma derrota inevitável será o desfecho do desafio imperialista. Mas vai tardar.

Para lutar vitoriosamente contra essa ameaça é imprescindível que dezenas de milhões de mulheres e homens progressistas tomem na Terra consciência dessa realidade.

Vila Nova de Gaia, 20 de Janeiro de 2010

28.01.10
AFRICOM, a recolonizaçao de África pelos EUA
Tichaona Nhamoyebonde*



Pese a dificuldade que muitas pessoas ainda têm de encarar a realidade, a verdade é que com Obama a política belicista dos EUA não só se manteve, como há já vários exemplos de ter recrudescido.

Agora procuram recolonizar o continente africano para o que precisam de aí instalar um exército de armamento sofisticado – AFRICOM

24.01.10
Terramoto e ocupação
Jorge Cadima*
Jorge Cadima

Neste bem informado artigo, Jorge Cadima diz-nos que “É cada vez mais evidente a opção dos EUA por uma solução militar de largo espectro para a profundíssima crise em que estão atolados. Do Afeganistão e Paquistão, do Iémen à América Latina, quem conseguir descobrir diferenças entre Obama e Bush que avise”.

21.01.10
Nota dos Editores
Haiti: Porque falham os «Estados falhados»

Os Editores

20.01.10
EUA fracassam no Haiti
Patrick Cockburn*

A história dos últimos 100 anos do Haiti é a crónica de uma ocupação norte-americana, declarada ou por interpostas pessoas. O chamado «estado falhado» é a consequência de os EUA nunca terem permitido a construção de um aparelho estatal haitiano.

“É triste ouvir jornalistas que acorreram ao Haiti no seguimento do tremor de terra darem explicações tão enganosas e mesmo racistas sobre porque são os haitianos tão pobres e vivem em bairros de lata com serviços sanitários mínimos, pouco fornecimento de electricidade, água potável insuficiente e ruas que se parecem com regatos”.

20.01.10
Chile:
Extrema-direita regressa ao poder

Mário Amorós*

Com a vitória do candidato da extrema-direita no Chile, perspectiva-se uma nova e diferente fase de luta pela unidade das forças de esquerda consequentes e do movimento operário e popular chilenos.

odiario.info

O Haiti foi a primeira nação do mundo a libertar-se do jugo colonial, a única cuja independência foi conquistada em resultado de uma vitoriosa revolta de escravos, a primeira ex-colónia governada por negros. Ainda hoje as potências coloniais cobram ao povo haitiano esse facto, com particular destaque, nos últimos 100 anos, para os EUA. Desde o início do séc. XX os EUA dominam económica, militar e politicamente o Haiti. Ocuparam-no directamente durante mais de 30 anos. Apoiaram a mantiveram a dinastia Duvalier, uma das mais sanguinárias e retrógradas tiranias do séc. XX, puseram e depuseram governantes sempre que entenderam, institucionalizaram o atraso, a miséria, a corrupção e o banditismo. E quando não intervieram directamente os EUA, interveio o FMI. Um território com tão excepcionais condições para a agricultura que - apesar do imenso atraso das forças produtivas - permitia a auto-suficiência alimentar em alguns dos géneros da magra dieta haitiana está hoje devastado e exangue. O golpe de misericórdia deu-o o FMI, obrigando à baixa das taxas aduaneiras de 50% para 3%, o que levou a que o mercado haitiano fosse invadido por arroz dos EUA, muito mais barato. O resultado foi a ruína definitiva de milhares de agricultores e o seu êxodo para as cidades, onde se instalaram nos gigantescos bairros da lata que o terramoto agora arrasou.

Há algum tempo o dirigente do MST João Pedro Stédile, interrogado acerca do socialismo em Cuba, respondeu: “se não fosse o socialismo Cuba estaria como o Haiti. O Haiti é a Cuba capitalista”.

Trata-se de uma acertadíssima síntese. Se o Haiti é hoje um «estado falhado», à dominação imperialista o deve. Poucas vezes, como na situação actual, fica tão visível como a dominação imperialista condena os povos ao atraso, à opressão e à miséria. Tornou o povo haitiano completamente vulnerável e indefeso perante a tragédia natural que sobre ele se abateu. Actua agora no sentido de que nem a própria solidariedade humanitária possa chegar, em condições de dignidade nacional, a esse povo martirizado.

Os Editores de odiario.info

Imago:http://resistir.info/

Cartoon de Poderiu.







Cebrapaz lança campanha contra bases estrangeiras


Além de promover um rico debate sobre soberania e autodeterminação dos povos na América Latina, o debate promovido pelo Cebrapaz nesta quinta-feira (28/1), lançou campanha “América Latina e Caribe, uma região de paz”, pela erradicação de bases militares estrangeiras no continente.
A campanha foi lançada em conjunto com diversas entidades dos movimentos sociais após o debate “A presença militar dos Estados Unidos na América Latina”, durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre (RS), que se encerra hoje com a Assembléia dos Movimentos Sociais, marcada para as10h na Usina do Gasômetro.

A presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, abriu o debate dizendo que a América Latina está em disputa, mas que, “embora o poder do imperialismo seja imenso, também nós acumulamos vitórias”, e citou como exemplos a resistência de meio século de Cuba contra as tentativas dos Estados Unidos de derrubar o regime socialista ainda em vigor naquele país; e a capacidade do movimento popular brasileiro de ter revertido a concessão de território em Alcântara, no Maranhão, para a instalação de base militar norte-americana.

Joel Sanchez, do Equador, parabenizou povo brasileiro por completar oito anos que o Brasil logrou vitória na luta contra a implementação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Para ele, esta luta se constitui em um tripé, composto ainda pela questão da revisão das dívidas públicas e externas dos países periféricos, e da luta contra a militarização e contra a permanente ameaça de guerras. Outra vitória citada por Joel foi à saída das tropas americanas da base de Malta, no Equador. Sanchez terminou sua intervenção apontando agenda vigorosa no ano de 2010.

Golpe em Honduras continua

O debate contou ainda com a presença da hondurenha Lorena Zelaya, que destacou que o golpe de Honduras continua e agora o “presidente” de direita assumiu o poder, tal como desejado pelas “elites golpistas”, como classificou Lorena. Para a hondurenha, trata-se de “uma triste derrota para a América Latina” e completa dizendo que o desfecho do golpe em Honduras “demonstra que há uma nova estratégia onde as bases estrangeiras se apresentam não mais como opressoras, mas, como prestadoras de serviços humanitários”. Lorena relatou a luta do povo hondurenho sob repressão, e denunciou: “tudo isso cercado da brutal conivência e silêncio da mídia quanto à resistência popular”. Ao mesmo tempo, destacou a enorme solidariedade proveniente dos meios alternativos de comunicação. Lorena Zelaya revelou ainda as articulações de ex-embaixadores americanos na articulação e financiamento do golpe, estando as visitas deles a Honduras sempre justificadas como combate ao narcotráfico. Ela encerrou dizendo que os exércitos da América Latina são “irmãos entre si”, e que, mesmo com essa derrota, muita coisa mudou no amadurecimento do seu povo.

A principal liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, também participou do ato, e afirmou que a Via Campesina e o MST vão levar campanha para suas assembleias populares em maio e em todas as outras atividades. Stédile propôs introduzir a questão das bases militares no referendo sobre as questões climáticas, proposto pela Coordenação latino-americana de Organizações Camponesas. A proposta é realizar este debate durante Cúpula Mundial de Movimentos Sociais sobre a Mudança Climática, que o presidente boliviano, Evo Morales, quer realizar em Cochabamba entre 19 e 22 de abril. Stédile propôs incluir também uma questão sobre a Quarta Frota neste referendo.

Cuba: tornar revolução irreversível

A representante de Cuba, Lourdes Regueiro, do Centro de Estudos da América, destacou que o processo emancipatório que está em curso na última década na América Latina está sob ameaça e ataque explícito. Mesmo Cuba tem diante de si a tarefa de tornar sua revolução irreversível, e é um desafio. Lourdes falou ainda da tensão e do desejo do povo cubano para retomar o controle do território de Guantanamo que, no governo Bush, se transformou em um campo de torturas. Sobre a campanha de desmilitarização, entende que é preciso reforçar as alianças de solidariedade e manter uma articulação “séria e monolítica”, para responder ao avanço a militarização, movimento que acontece sob o manto das “ações humanitárias”. Lourdes denunciou que estas ações humanitárias são apenas fachada para um novo avanço do controle do Império, representado pelos Estados Unidos. Para exemplificar, citou a invasão militar, e não de médicos e engenheiros, como seria necessário, no Haiti. Lourdes finalizou sua fala enfaticamente: “não podemos nos enganar, hoje são mais de 200 mil soldados americanos nas 865 bases espalhadas por todo mundo, sempre em regiões onde as riquezas minerais, aqüíferos e diversidade biológica são incontestáveis”.

O representante do MST, Joaquim, reforçou apresentou os materiais da campanha “América Latina e Caribe, uma região de paz” e convocou o conjunto dos movimentos a “colocar a campanha nas ruas”. Em apoio `a campanha falaram ainda representantes do Jubileu Sul, da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do Encuentro Nuestra América, da CUC da Guatemala, da Assembléia Permanente dos Direitos Humanos da Argentina, do Grito dos Excluídos Continental, da Organização Caribenho dos Estudantes (Oclae), do Congresso Popular do Paraguai e, por fim, a representante da Marcha Mundial das Mulheres leu o manifesto de lançamento da campanha.

Resistência ao imperialismo

O manifesto que diz que, "diante da nova escala de agressões do imperialismo" contra "o processo de mudanças que se vive na América Latina", é necessário preparar "a mobilização para a resistência". Segundo o documento, "a invasão do Haiti depois do terremoto (do último dia 12), a reativação da IV Frota (Naval dos EUA), as iniciativas golpistas apoiadas pelos americanos em Honduras, o bloqueio a Cuba e as agressões contra Venezuela, Bolívia e outros países" revelam "as intenções imperiais" de Washington em relação à América Latina.

O paraguaio Daniel Amado, da organização La Comuna, sugeriu aos ativistas prepararem um grande mobilização em Assunção, que, em meados de agosto, abrigará o Fórum Social da América.

Socorro Gomes encerrou os trabalhos conclamando a todos e todas a tornarem a campanha “um movimento político forte e intransponível pelas forças imperialistas”. O encaminhamento final foi que a campanha contra as bases estrangeiras será promovida em todos os eventos que o Fórum Social Mundial realizar ao longo de 2010, em cerca de 30 países.

De Porto Alegre, Sônia Latge e Luana Bonone

vermelho.org.br >> Movimentos


El primer ministro de Haití, Jean-Max Bellerive, reconoció que en el país se están produciendo casos de tráfico de niños y de órganos a raíz del terremoto del pasado 12 de enero, en el que ya se ha confirmado la muerte de al menos 170.000 personas.
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Informó este viernes un portavoz del ministerio de emergencias
haitianos-en-rd.jpg
(Foto: Hospital móvil de Rusia concluye su misión en Haití)

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Según Eva Golinger
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Afirma Eva Golinger que a pesar del cambio de gobierno en Estados Unidos, éste sigue arremetiendo contra Venezuela.

El gobierno de Estados Unidos continuó la agresión contra los países de América Latina pese al cambio en la Casa Blanca, denunció la escritora Eva Golinger en La Habana, Cuba.
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Alumnos procedentes de Haití podrán estudiar en Rusia gratis
YVKE Mundial

EE.UU.
Obama, un año después

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Socorro Gomes defende Brasil contra ataque de Eric Toussaint


A manhã desta quinta-feira (28/1) de Fórum Social Mundial (FSM) foi preenchida por debates que deram continuidade ao Seminário "Dez anos depois: desafios e propostas para um outro mundo possível". Os debates foram em torno dos elementos da nova agenda mundial, assim como na quarta-feira (27/1). A presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, esteve em uma das mesas e enfrentou uma polêmica levantada pelo belga Eric Toussaint sobre a postura do Brasil em relação a outros países da América Latina.

Iberê Lopes

Na mesa "Direitos e responsabilidades coletivas" estava o marroquino Kamal Lahbib, do Forum des Alternatives du Maroc, que aproveitou o espaço do Fórum Social Mundial para dizer que "existe uma região no mundo que não está incluída no processo do Fórum Social Mundial, e onde os direitos humanos não são respeitados". Kamal relatou os inúmeros conflitos religiosos e de classes existentes no Oriente Médio e conclamou o FSM a desenvolver ações concretas em nível internacional sobre questões como a criação do Estado palestino. Ele afirmou participar de um movimento que fez uma escolha clara pela luta pacífica e ainda falou sobre o Brasil, dizendo achar importante que se abram os arquivos da Ditadura Militar para que as gerações futuras saibam o que ocorreu e se previnam de fenômeno similar.

Muitos consensos e uma polêmica


Já o debate "Novo Ordenamento Mundial", embora tenha construído muitos consensos, foi também palco para uma polêmica entre a presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, e o belga Eric Toussaint, do Committee for the Abolition of Third World Debt (CADTM). Além de Socorro e Eric, a mesa foi composta também pelo representante da University of Kwa Zulu-Natal School of Development Studies da África do Sul, Patrick Bond, pelo senegalês Taufik Ben Abdallah, da Environmental Development Action in the Third World (Enda), pelo brasileiro Antônio Martins, da Attac e o finlandês Teivo Teivainen, da Network Institution for Global Democratization (NIGD).

Os integrantes da mesa apresentaram críticas ao atual ordenamento mundial em seus diversos aspectos: criticaram o funcionamento dos organismos internacionais, a relação predatória do desenvolvimento dos países com o meio ambiente e sobretudo criticaram a lógica imperialista das relações entre países e o instrumento principal de dominação: a máquina de guerra da maior potência do capitalismo munidal, os Estados Unidos. A conclusão consensual é que o capitalismo é um sistema falido e que sua principal potência, os Estados Unidos, assim como outras nações mais industrializadas, quando em período de crise, como o que vivemos agora, "saqueiam outras nações e os trabalhadores", como expressou Socorro Gomes.

A polêmica do debate se deu em torno da afirmação de Eric Toussaint de que o Brasil pratica o que ele classificou de "subimperialismo" em relação a outros países da América Latina. Socorro Gomes pediu licença a Eric Toussaint e disse que como "bom democrata", ele teria permitir que ela discordasse deste ponto de vista. Em seguida, Socorro discorreu sobre a defesa da soberania nacional aliada a ações que promovem a integração solidária do continente promovidas pelo governo brasileiro. Segundo Socorro, esta ação solidária é inclusive reconhecida pelos governantes de outros países e pelos povos dessas nações. Socorro disse ainda que o Brasil tem sido fundamental no processo de construção de uma América Latina forte e que busca o desenvolvimento de suas nações por meio de caminhos alternativos ao neoliberalismo.

Os demais membros da mesa que se pronunciaram sobre a polêmica e também intervenções do público presente dirigidas à mesa apoiaram a posição de Socorro, isolando a opinião apresentada pelo belga Eric Toussaint.

Assembleia dos Movimentos Sociais

Sobre o FSM, a presidente do Cebrapaz opinou que se trata de um importante espaço de reflexão e, como tal, ajuda a elevar a consciência. Para ela, os movimentos devem se organizar na assembleia dos movimentos sociais, que será na sexta-feira (29/1), às 10h, na Usina do Gasômetro, para organizar suas ações unificadas e agendas políticas.

De Porto Alegre, Luana Bonone

vermelho.org.br >> Movimentos

FSM: Um novo mundo socialista possível, urgente e necessário

Davos pinta cenário sombrio; bancos e governos se enfrentam

Sombra do golpe paira sobre o novo governo de Honduras

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BC repõe país no topo... dos juros. Alguém comemora?

Ao não reduzir Selic, turma de Henrique Meirelles faz Brasil voltar a ter a maior taxa real do mundo. Alguém comemora? Citando dados da consultoria Up Tradind, o economista Marcos Coimbra, do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres), afirmou que, com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano, o Brasil voltou a liderar o ranking dos maiores juros reais no mundo.

"Nossa taxa real está próxima de 4%, seguida da Indonésia (3,6%) e da China, que caiu para 3,3%, por causa do aumento da inflação", contabiliza. Coimbra concorda apenas parcialmente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem o déficit crescente nas contas externas vai aumentar a demanda por dólares, o que amenizaria a sobrevalorização do real.

Passivo externo

A moeda brasileira desvalorizou-se pela sétima vez seguida nesta quarta-feira frente ao dólar, que fechou cotado a R$ 1,836 para venda. "A previsão do déficit já superou os US$ 57 bilhões e, realmente, deve pressionar o dólar para cima. Por outro lado, voltamos a ser a maior taxa real de juros do mundo. É um mosaico no qual várias variáveis atuam e o resultado é incerto", diz, lembrando existirem US$ 722 bilhões em capitais especulativos buscando remuneração em países “emergentes”.

Coimbra lembra também do passivo externo do Brasil, que se aproxima de US$ 1 trilhão, para relativizar o poder das reservas cambiais acumuladas pelo Banco Central (BC) a alto custo: "Teoricamente, o que Mantega falou tem lógica, mas as demais variáveis estão em frequente movimento. Isso provoca um desequilíbrio. Ainda é muito cedo para fazer qualquer afirmativa nesse sentido. A conjuntura não é tão rósea", frisa, lembrando que o desemprego na América Latina fechou 2009 na faixa de 8% e, nos países desenvolvidos, acima de 10%.

Crescimento sustentável

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como "positiva" a decisão do Copom de manter a taxa de juros em 8,75% ao ano. Segundo nota divulgada nesta quarta-feira, a manutenção da taxa Selic "vai garantir a retomada dos investimentos". "O cenário de juros estáveis é importante para voltarmos ao nível de investimento anterior à crise", disse o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, para quem a expansão da produção, das empresas e da infra-estrutura "é indispensável para o crescimento sustentável do país".

Ele acrescentou que o indicador de capacidade instalada está longe do patamar pré-crise e afirmou que o processo de deflação dos produtos industriais é suficiente para cobrir eventuais pressões oriundas de outros setores. Para Armando Monteiro Neto, existe espaço para estimular a produção.

Produção indutrial

Apenas três dos 14 estados que integram a pesquisa do IBGE sobre a produção industrial já retornaram à produção ao patamar pré-crise, de setembro de 2008: Pernambuco, Goiás e Ceará. Os três têm segmentos mais voltados para o mercado interno. No outro extremo, Minas Gerais, que tem a atividade mais voltada para o mercado externo, mostra a maior perda na produção (10,7%) em relação ao último mês de bom desempenho da indústria antes das turbulências.

O economista André Macedo, do IBGE, observou que as regiões cuja indústria está concentrada em segmentos voltados para o mercado interno lideram a recuperação do setor. Macedo diz que a evolução da massa de salários permitiu a continuidade do aquecimento do mercado doméstico, apesar dos efeitos da crise sobre a economia. E essas regiões se beneficiaram desse cenário: "Isso é mais evidente no Nordeste, onde há presença forte de segmentos de semi e não-duráveis, como alimentos e vestuário."

Na indústria cearense, os últimos números divulgados pelo IBGE, relativos a novembro passado, mostram que a produção na região vem sendo impulsionada por calçados e artigos de couro (mais 41,3% ante o mesmo mês de 2008) e têxteis (16,4%).

Em Pernambuco, o destaque, nessa base de comparação, ficou com alimentos e bebidas (6,3%). Em novembro de 2009, ante setembro de 2008 - mês que marcou o patamar recorde de produção da indústria, antes do estouro da crise - a indústria do Ceará cresceu 0,3%, ante queda de 5,9% na produção total do país no período. Em Pernambuco, houve alta de 0,6%. Mas o principal destaque regional é Goiás, cuja produção aumentou 8,9% em novembro ante setembro.

Decisão tímida

O chefe da Divisão de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Guilherme Mercês, disse que, mesmo com a manutenção dos juros, o país ainda precisa de medidas complementares que levem ao aumento da competitividade das empresas. Segundo Mercês, essas medidas teriam que priorizar o aperfeiçoamento do sistema tributário e do comércio exterior.

A Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomercio-RJ) considerou a decisão tímida, sobretudo se for levado em conta o cenário confortável para a inflação neste ano e a retomada da economia abaixo das expectativas. Orlando Diniz, presidente da Fecomercio-RJ, lembrou que o comportamento do emprego em dezembro, segundo os números do Ministério do Trabalho, surpreendeu de forma negativa e que a manutenção dos juros neste patamar pode retrair o consumo das famílias.

"Nessas circunstâncias, manter o custo do crédito elevado irá de encontro ao consumo das famílias, principal agente amortecedor dos efeitos da crise", observou Diniz, ressaltando que os juros altos ainda limitam os investimentos das empresas e pesam sobre a questão fiscal, já agravada pela recente expansão dos gastos correntes.

Dois fatores

A Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP) foi na mesma linha ao avaliar como conservadora a posição do BC, uma vez que a economia nacional mostra sinais claros de recuperação, mas ao mesmo tempo não há nenhum indício de excesso de demanda ou estrangulamento na capacidade de oferta. "Acreditamos que o país precisa manter o compromisso com o desenvolvimento, emprego e geração de renda, com a redução dos gastos públicos e com taxas mais ousadas dos juros, tanto para a Selic quanto para o consumidor final", destacou Abram Szajman, presidente da Fecomercio-SP.

O Sindicato das Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (Secif-RJ), por sua vez, disse que seria demais esperar uma queda da Selic. "Não creio que, em momento algum, pelo menos em 2010, haverá qualquer gargalo que obrigue o BC a aumentar juros", enfatiza José Arthur Assunção, presidente do Secif.

Segundo ele, dois fatores justificam, no mínimo, a estabilidade da taxa básica em 8,75%. "Temos uma expectativa de inflação dentro da meta para esse ano, devido principalmente aos preços administrados, que terão deflação. Além disso, os principais bancos centrais do mundo continuam trabalhando com taxas artificialmente muito baixas, o que não nos deixa margem para elevar juros aqui no Brasil", explica.

Mercado interno

Do lado dos trabalhadores, a decisão do Copom não foi bem aceita. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) criticou a manutenção da Selic. Para ele, a decisão demonstra "miopia econômica" do colegiado de diretores do BC. “Enquanto todos os indicadores sinalizam para o crescimento econômico, inflação sob controle e queda no índice de desemprego, o Copom insiste em impor um forte obstáculo ao desenvolvimento.”

Paulinho disse ainda que a manutenção dos juros é “nefasta para o setor produtivo e totalmente insensível para com os consumidores do mercado interno". Para a Força Sindical, a manutenção dos juros em 8,75% evidencia a "miopia" da equipe monetária e coloca em risco o desenvolvimento do país.

Aperto fiscal

A decisão do Copom ocorre em um momento em que o desvio de recursos da economia para a gastança com juros (superávit primário) consumiu R$ 39,2 bilhões em 2009. Apesar de equivaler praticamente ao orçamento anual da Educação, o valor é 45% menor que os R$ 71,4 bilhões esterilizados em 2008 e o menor arrocho fiscal desde 2002, último ano do período Fernando Henrique Cardoso.

Os números foram divulgados pelo Tesouro Nacional. Pela primeira vez, o governo usou o mecanismo do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) para atingir a meta de aperto fiscal.
O resultado leva em conta as receitas e despesas do governo central - Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC). Se forem levados em conta os critérios do BC, que usa outra metodologia para calcular o esforço fiscal, o superávit primário somou R$ 42,3 bilhões ano passado, pouco abaixo da meta de R$ 42,7 bilhões.

Recessão

Os R$ 400 milhões de diferença foram abatidos da meta usando a margem de R$ 17,9 bilhões de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em setembro, o Congresso Nacional aprovou medida provisória que ampliou o abatimento de recursos gastos em obras de infra-estrutura e saneamento, flexibilizando o torniquete que travava a economia em plena recessão.

Para tirar o país da recessão, o governo, para ativar a economia elevando as despesas públicas, reduziu o superávit primário ano passado. A receita líquida cresceu 4,8% em 2009, contra aumento de 15% nas despesas. O crescimento das despesas foi puxado, principalmente, pelos investimentos, que somaram R$ 34,137 bilhões no ano passado, valor 20,8% maior que o de 2008. Os gastos com custeio (manutenção da máquina pública) subiram 14,2% e as despesas com o pagamento do funcionalismo público aumentaram 15,9%.

Com informações da Agência Brasil e do Monitor Mercantil

vermelho.org.br >> Economia

Estes homens são o Povo.


Eça de Queirós

PÁGINAS DE JORNALISMO - O Distrito de Évora
II. POLITICA NACIONAL

N. 2, 10 de Janeiro

Ha no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, e se lamentam em vão.

Estes homens são o Povo.

Estes homens, sob o peso do calor e do sol, transidos pelas chuvas, e pelo frio, descalços, mal nutridos, lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua forca, para criar a pão, o alimento de todos.

Estes são o Povo, e são os que nos alimentam.

Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam 0 linho, o pano, a seda, os estofos.

Estes homens são o Povo, e são os que nos vestem.

Estes homens vivem debaixo das minas, sem o sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minerio, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.

Estes homens são o Povo, e são as que nos enriquecem.

Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, a neve, a chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.

Estes homens são o Povo, e são os que nos defendem.

Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.

Estes homens, são os que nos servem.

E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?

Primeiro, despreza-os não pensa neles, não vela por eles; trata-os como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga; não lhes dá protecção; e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.

E por isso que os que tem coração e alma, e amam a Justica, devem lutar e combater pelo Povo.

E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.

A prueba de terremotos
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Haití no aguantaría otro desastre similar

El presidente de Haití, René Preval, anunció este jueves que la capital del país, Puerto Príncipe, será trasladada a otro lugar, que deberá ser determinado por los especialistas y donde no sea afectada por futuros terremotos
Leer más

Denuncian tráfico de niños y de órganos en el país
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(Foto: Haití reconoce que está habiendo tráfico de niños y órganos)

Haití: la invasión humanitaria de EEUU
por James Petras

Presidente Chávez reconoce labor del actor Sean Penn
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El actor estadounidense Sean Penn llegando a Haití

Médicos del Alba han prestado ayuda a más de 23 mil pacientes
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“Es importante señalar que el ALBA no va para Haití, el ALBA ha estado allí desde hace 11 años”

YVKE Mundial

Noticias y artículos sobre

Ana Maria Prestes defende Rafael Corrêa, acusado de "neoliberal"


O presidente da Assembleia Legislativa do RS, deputado Ivar Pavan (PT), abriu a mesa "Elementos de uma Nova Agenda I - Bem Viver", que ocorreu hoje (27/1) pela manhã. O evento contou com a presença de representantes de diversos países, além da brasileira Ana Maria Prestes, representando a Oclae. Durante o debate, representante de movimento indígena equatoriano acusou o governo Rafael Corrêa de neoliberal, e Ana Maria defendeu o processo de eleição de governos progressistas na América Latina.

Luana Bonone

Ana Maria Prestes defendeu os governos progressistas da América Latina, após críticas contundentes do equatoriano Segundo Churuchumbi ao presidente Rafael Corrêa

Parte da programação do Seminário de Avaliação dos 10 Anos dos Fórum Social Mundial, a mesa de painelistas foi composta pelo professor Zraih Ab Der Kadel, representante do Forum des Alternatives du Maroc (Marrocos); Mercia Andrews, do Trust for Community Outreach and Education (África do Sul); sociólogo Marco Deriu, da Universidade de Parma (Itália); Ana Maria Prestes, da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae); Segundo Churuchumbi, do movimento Ecuarunari (Confederación Kichwa del Ecuador); e Daniel Pasqual, coordenador do Comitê Via Campesina (Guatemala). A mediação da mesa ficou por conta do sindicalista Lélio Falcão, da Força Sindical.

Na abertura da discussão, o presidente do Parlamento gaúcho, deputado Ivar Pavan (PT), afirmou que o modelo de consumo norte-americano é insustentável. Um dos problemas resultantes é o desequilíbrio ambiental, destacou. Na visão de Pavan, o bem viver passa por uma sociedade focada na vida: “Uma sociedade focada na vida é uma sociedade democrática, equilibrada socialmente, diversa culturalmente e economicamente viável”.

FSM tem que propor pautas

A insustentabilidade do modo capitalista de produção, tanto econômica, quanto social e ambientalmente foi apontada por todos os painelistas. A sulafricana Mercia Andrews destacou ainda importância da superação da divisão social do trabalho existente entre homens e mulheres na construção de uma nova sociedade, que possibilite o "bem-viver".

Zraih Abderkadel falou sobre a crise de perspectiva das esquerdas após a queda do muro de Berlim e defendeu o Fórum Social Mundial como um espaço de diálogo para o desenvolvimento de um novo processo, para construir o novo mundo "que agora nos parece possível" e que teria por pilares os direitos humanos, a justiça social e a preservação da natureza. Para o marroquino, cabe ao Fórum estabelecer o que é prioritário e consensual, para que cada movimento, cada país, possa trabalhar a construção deste novo mundo possível a partir das discussões do FSM.

O representante de Marrocos ressaltou ainda que este debate de "bem-viver", ou de uma sociedade com condições dignas de vida é um debate novo, visto que o debate predominante na história do Marrocos foi a libertação do coloniaalismo estadunidense, inglês e francês. Já o equatoriano Segundo Churuchumbi, crítico de Rafael Corrêa, esclareceu que este termo vem da cultura indígena e é um tema milenar.

Em sua fala, Churuchumbi desferiu inúmeras críticas ao presidente do Equador, Rafael Corrêa, acusando-o de neoliberal, de querer privatizar as águas e de humilhar a população indígena do país.


Foto: Luana Bonone

Assembleia dos movimentos sociais
Na sequencia: Ana Maria Prestes ao microfone, deputado Ivar Pavan, Lélio Falcão, Segundo Churuchumbi, Marco Deriu e Mercia Andrews




A brasileira Ana Maria Prestes iniciou sua fala demarcando a importância, dentro do debate de 10 anos de FSM, de valorizar o aniversário de uma década também da assembleia dos movimentos sociais que se organiza a cada edição do Fórum. Ainda no âmbito da avaliação do fenômeno FSM, Ana Maria o valorizou como espaço que "tem a capacidade de fazer sobressair nas nossas discussões questões reprimidas secular, milenarmente" e deu como exemplos a própria discussão sobre "bem-viver", que na sua avaliação é resultado do sucesso do FSM ocorrido em Belém em 2009 e a grande participação de povos e organizações indígenas naquela edição. Outro exemplo citado pela estudante foi o debate sobre as castas, que ocorreu na edição 2004 do Fórum Social Mundial, na Índia.

Em contraponto às críticas apresentadas a Rafel Corrêa, Ana Maria disse que a América Latina vive uma situação especial e que a eleição de governos progressistas, que estabelecem uma relação diferenciada com os movimentos sociais, deve também entrar na avaliação dos 10 anos de FSM. E citou os governos da Bolívia, da Venezuela, do Brasil, do Uruguai, da Argentina e também o governo de Rafael Corrêa, no Equador. Para sustentar sua posição, argumentou que as próprias reformas constitucionais relizadas na Bolívia e também no Equador incorporam o conceito de bem viver no seu texto.

Ao final de sua intervenção, Ana Maria defendeu ainda que a sustentabilidade não pode se contrapor ao desenvolvimento, e concluiu que o desenvolvimento tecnológico e até industrial podem servir à emancipação ou ao aumento do grau de opressão, mas não são maléficos ouo benéficos à humanidade por si.

De Porto Alegre, Luana Bonone


Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

David Harvey defende transição anti-capitalista


Após a derrocada da União Soviética e dos regimes socialistas do Leste Europeu, e a queda do Muro de Berlim, falar em anti-capitalismo tornou-se proibido. O comunismo fracassou, o capitalismo triunfou e não se fala mais no assunto: essa mensagem cruzou o planeta adquirindo ares de senso comum. Mas os muros do capitalismo seguiram em pé e crescendo. E excluindo, produzindo crises, pobreza, fome, destruição ambiental e guerra. Para David Harvey, o capitalismo entrou em uma fase destrutiva que recoloca a necessidade de se voltar a falar de anti-capitalismo, socialismo e comunismo.


Economia| 26/01/2010 | Copyleft
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David Harvey defende transição anti-capitalista

Por que é preciso pensar em uma transição anti-capitalista? E o que seria tal transição? A participação de David Harvey, professor de Geografia e Antropologia da City University, de Nova York, no seminário de avaliação de 10 anos do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi uma tentativa de responder estas perguntas. A resposta, na verdade, inclui, em primeiro lugar, uma justificativa da pertinência das perguntas. Após a derrocada da União Soviética e dos regimes socialistas do Leste Europeu, e a queda do Muro de Berlim, falar em anti-capitalismo tornou-se proibido. O comunismo fracassou, o capitalismo triunfou e não se fala mais no assunto: essa mensagem cruzou o planeta adquirindo ares de senso comum. Mas os muros do capitalismo seguiram em pé e crescendo. E excluindo, produzindo pobreza, fome, destruição ambiental, guerra...

E eis que, nos últimos anos, voltou a se falar em anti-capitalismo e na necessidade de pensar outra forma de organização econômica, política e social. David Harvey veio a Porto Alegre falar sobre isso. Para ele, a necessidade acima citada repousa sobre alguns fatos: o aumento da desigualdade social, a crescente corrupção da democracia pelo poder do dinheiro, o alinhamento da mídia com este grande capital (e seu conseqüente papel de cúmplice na corrupção da democracia), a destruição acelerada do meio ambiente. Esse cenário exige uma resposta política, resume Harvey. Uma resposta política, na sua avaliação, de natureza anti-capitalista. Por que? O autor de “A produção capitalista do espaço” apresenta alguns fatos de natureza econômica para justificar essa afirmação.

O capital fictício e a fábrica de bolhas
O capitalismo, enquanto sistema de organização econômica, está baseado no crescimento. Em geral, a taxa mínima de crescimento aceitável para uma economia capitalista saudável é de 3%. O problema é que está se tornando cada vez mais difícil sustentar essa taxa sem recorrer à criação de variados tipos de capital fictício, como vem ocorrendo com os mercados de ações e com os negócios financeiros nas últimas duas décadas. Para manter essa taxa média de crescimento será preciso produzir mais capital fictício, o que produzirá novas bolhas e novos estouros de bolhas. Um crescimento composto de 3% exige investimentos da ordem de US$ 3 trilhões. Em 1950, havia espaço para isso. Hoje, envolve uma absorção de capital muito problemática. E a China está seguindo o mesmo caminho, diz Harvey.

As crises econômicas nos últimos 30 anos, acrescenta, repousam (e, ao mesmo tempo, aprofundam) na disjunção crescente entre a quantidade de papel fictício e a quantidade de riqueza real. “Por isso precisamos de alternativas ao capitalismo”, insiste. Historicamente essas alternativas são o socialismo ou o comunismo. O primeiro acabou se transformando em uma forma menos selvagem de administração do capitalismo; e o segundo fracassou. Mas esses fracassos não são razão para desistir até por que as crises do capitalismo estão se tornando cada vez mais freqüentes e mais graves, recolocando o tema das alternativas. Para Harvey, o Fórum Social Mundial, ao propor a bandeira do “outro mundo é possível”, deve assumir a tarefa de construir um outro socialismo ou um outro comunismo como alternativas concretas.

A irracionalidade do capitalismo
“Em tempos de crise, a irracionalidade do capitalismo torna-se clara para todos. Excedentes de capital e de trabalho existem lado a lado sem uma forma clara de uni-los em meio a um enorme sofrimento humano e necessidades não satisfeitas. Em pleno verão de 2009, um terço dos bens de capital nos Estados Unidos permaneceu inativo, enquanto cerca de 17 por cento da força de trabalho estava desempregada ou trabalhando involuntariamente em regimes de meio período. O que poderia ser mais absurdo que isso!” – escreve Harvey em seu livro “O enigma do capital”, que deve ser lançado em abril de 2010 pela editora Profile Books. Ele descarta, por outro lado, qualquer inevitabilidade sobre o futuro do capitalismo. O sistema pode sobreviver às crises atuais, admite, mas a um custo altíssimo para a humanidade.

Não basta, portanto, denunciar a irracionalidade do capitalismo. É importante lembrar, assinala Harvey, o que a Marx e Engels apontaram no Manifesto Comunista a respeito das profundas mudanças que o capitalismo trouxe consigo: uma nova relação com a natureza, novas tecnologias, novas relações sociais, outro sistema de produção, mudanças profundas na vida cotidiana das pessoas e novos arranjos políticos institucionais. “Todos esses momentos viveram um processo de co-evolução. O movimento anti-capitalista tem que lutar em todas essas dimensões e não apenas em uma delas como muitos grupos fazem hoje. O grande fracasso do comunismo foi não conseguir manter em movimento todos esses processos. Fundamentalmente, a vida diária tem que mudar, as relações sociais têm que mudar”, defende.

“Precisamos falar de um mundo anti-capitalista”
Harvey está falando da perspectiva de um possível fracasso do capitalismo, de um ponto de instabilidade que afete as engrenagens do sistema. Mais uma vez, ele não aponta nenhuma inevitabilidade ou destino histórico aqui. Trata-se de um diagnóstico sobre o tempo presente. “O capitalismo entrou numa fase de cada vez mais destruição e cada vez menos criação”. E quais seriam, então, as forças sociais capazes de organizar um movimento anti-capitalista nos termos descritos acima? A resposta de Harvey é curta e direta: Hoje não há nenhum grupo pensando ou falando disso. “As ONGs e movimentos sociais que participam do Fórum precisam começar a falar de um mundo anti-capitalista. A esquerda deve mudar seus padrões mentais. As universidades precisam mudar radicalmente”.

A justificativa desses imperativos? Harvey dá mais um exemplo da “racionalidade” capitalista atual. Em janeiro de 2008, 2 milhões de pessoas perderam suas casas nos EUA. Essas famílias, em sua maioria pertencente às comunidades afroamericanas e de origem hispânica, perderam, no total, cerca de 40 bilhões de dólares. Naquele mesmo mês, Wall Street distribuiu um bônus de 32 bilhões de dólares para aqueles “investidores” que provocaram a crise. Uma forma peculiar de redistribuição de riqueza, que mostra que, nesta crise, muitos ricos estão fincando ainda mais ricos. “Estamos vivendo um momento de negação da crise nos EUA. Os trabalhadores, e não os grandes capitalistas, é que estão sendo apontados como responsáveis. É por isso que precisamos de uma transformação revolucionária da ordem social”.

Fotos: Eduardo Seidl

Lula e o Fórum Social Mundial, dez anos depois
Ao afirmar que o Fórum Social Mundial, após uma década, “está mais maduro, mais calejado”, o Presidente Lula parecia estar falando de seu próprio governo. “O que um presidente sonhou a vida inteira e o que ele pode fazer é diferente”, completou Lula, dizendo que a advertência era destinada para quem o substituir e para cada um dos colegas latinoamericanos, especialmente a Pepe Mujica, recém eleito no Uruguai. Lula estava bem humorado e falou durante quase uma hora para as 7 mil pessoas presentes no Gigantinho, na noite de terça-feira.
> LEIA MAIS | Política | 27/01/2010


Um projeto estratégico, para além do FSM
Debate sobre conjuntura política internacional teve uma ausência exemplar: o palestino Jamal Juma enviou uma mensagem em vídeo. Ele não viajou a Porto Alegre, temendo uma nova prisão, na volta, por Israel. Muita coisa mudou em dez anos de FSM, mas não a questão palestina. “O mundo na época do primeiro Fórum, há dez anos, era muito mais simples", disse Bernard Cassen. "Os Estados Unidos, a OTAN atuando como polícia do mundo, a OMC, o FMI todos tinham um papel muito claro e fácil de se identificar”. Os desafios impostos pelas mudanças no mundo ao FSM vão além da questão de seu formato, defende o jornalista.
> LEIA MAIS | Política | 26/01/2010


A esquerda e a crise do capitalismo
Na avaliação de ativistas do movimento altermundista, nem governos nem movimentos populares conseguiram até agora apresentar alternativas concretas à ultima crise sistêmica do capitalismo , perdendo uma oportunidade histórica para, de fato, superá-lo. Buscar essas respostas é mais um desafio colocado para o FSM. Para o venezuelano Edgardo Lander (foto), "o capitalismo, como sistema global, é incompatível com a preservação da vida". Quem quiser discutir superação do capitalismo sem discutir o Estado que queremos estará girando em falso. A resistência eterna é o caminho da derrota", adverte Emir Sader.
> LEIA MAIS | Economia | 26/01/2010


Via Campesina no Brasil pede a Lula apoio para o Haiti
Em carta entregue ao Presidente na República nesta terça-feira (26), durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre, o movimento reivindicou apoio do Brasil para garantir aos camponeses haitianos acesso à água, sementes e recursos humanos para a reestruturação do campo no processo de reconstrução do país. A Via Campesina se dispõe a trabalhar com 50 mil famílias de camponeses haitianos, a partir de um plano construído em conjunto com movimentos do país. CUT também planeja ação de solidariedade ao Haiti.
> LEIA MAIS | Internacional | 27/01/2010


Pouco a pouco, a imprensa vai abandonando o Haiti
Pouco a pouco a imprensa vai abandonando Porto Príncipe. Ainda que um grande número de jornalistas permaneça no país, vários meios de comunicação já se retiraram. Os jornalistas estadunidenses seguem em busca de imagens espetaculares. O edifício da rádio Caribe segue inteiro, mas as rachaduras fizeram com que a equipe de locutores fosse para a rua fazer seus programas. Misturam música com informação sobre os lugares de distribuição de comida. A rádio é, neste momento, a única maneira que os haitianos tem de se distraírem. O artigo é de Susana Hidalgo.
> LEIA MAIS | Internacional | 27/01/2010


David Harvey defende transição anti-capitalista
Após a derrocada da União Soviética e dos regimes socialistas do Leste Europeu, e a queda do Muro de Berlim, falar em anti-capitalismo tornou-se proibido. O comunismo fracassou, o capitalismo triunfou e não se fala mais no assunto: essa mensagem cruzou o planeta adquirindo ares de senso comum. Mas os muros do capitalismo seguiram em pé e crescendo. E excluindo, produzindo crises, pobreza, fome, destruição ambiental e guerra. Para David Harvey, o capitalismo entrou em uma fase destrutiva que recoloca a necessidade de se voltar a falar de anti-capitalismo, socialismo e comunismo.
> LEIA MAIS | Economia | 26/01/2010
• Começa Fórum Social 10 anos: Grande Porto Alegre
• Direito à Memória e à Verdade no Fórum Social Mundial


O FSM dez anos depois: em busca de mais ação

Dez anos depois, o futuro do FSM é debatido em Porto Alegre. O acúmulo de forças conquistado e a certeza de que ele pode e deve gerar ações efetivas no mundo aparece em diversas avaliações do Seminário Dez anos depois: Desafios e propostas para um outro mundo possível. Para João Pedro Stédile, do MST, Fórum precisa construir idéias mais unitárias. “Não conseguimos ter um programa mais propositivo, não que o FSM tenha que ter um programa próprio, mas que neste espaço pudéssemos construir idéias mais unitárias que representem um acúmulo de forças".
> LEIA MAIS | Movimentos Sociais | 26/01/2010
• Marcha do FSM reuniu milhares em Porto Alegre


Balanço do outro mundo possível
Aos dez anos de Seattle e do primeiro Fórum Social Mundial, o balanço que é preciso fazer é da luta pelo “outro mundo possível”. Deve ser não o balanço dos Fóruns, mas dos objetivos a que se propôs, quando começamos a organizá-los. A avaliação do FSM ter que ser feita em função das suas contribuições à construção de alternativas ao neoliberalismo. A análise é de Emir Sader.
> LEIA MAIS | Política | 24/01/2010
• FSM Temático Bahia: seminário debaterá crise civilizatória
• O triunfo neoliberal e os desafios do FSM


Marcha do FSM reuniu milhares em Porto Alegre
Fotos: Eduardo Seidl

Miriam Merlet e outras vozes altivas do Haiti que se foram


Fatima Oliveira *


Não consigo ver as imagens do Haiti na TV. Não é apenas dor e dó. É o dia seguinte que bate fundo, o futuro de um país, que para muitos já era sem futuro, cujo horizonte está invisível ao perder no terremoto parte substancial de suas cabeças pensantes mais firmes e patriotas.

Veja galeria de imagens em http://www.vday.org/myriam_merlet3.html

Miriam Merlet em foto de Paula Allen. Veja galeria em http://www.vday.org/myriam_merlet3.html

Até conhecer feministas haitianas, o país era uma incógnita entalada na garganta. A primeira vez que ouvi sobre os dissabores do Haiti foi de um professor de cursinho, nos idos de 1972, José Maria do Amaral; discorrendo sobre excrescências da humanidade, citou Nero e o Papa Doc (Papai Doutor: François Duvalier, 1907-1971), médico negro e ditador do Haiti (1957-1971), que vivia cercado de "Tontons Macoutes" (bichos-papões), uma guarda pessoal sanguinária; se autonomeou presidente vitalício, com direito familiar de transmissão do poder (1964), e se comprazia diante de cabeças decepadas dos inimigos!

Pontuou ser incompreensível que um povo altaneiro, que fez uma revolução antiescravista numa ilha do Caribe - ilha Hispaniola, onde ficam Haiti e República Dominicana - e aboliu a escravidão enfrentando o exército de Napoleão (1794), tornando-se um fantasma para os senhores de escravos do mundo, ao instaurar uma república camponesa negra (1804), que se submetia ao Papa Doc! Enojavam as diatribes de Baby Doc (Jean-Claude Duvalier), ditador hereditário (1971-85), e suas regalias num palácio em Paris, onde, segundo diziam, até as torneiras eram de ouro!

O mundo inteiro sabia que a riqueza dos Duvalier era roubada da boca do povo, o que torna eticamente inexplicável o apoio dos países ricos, sobretudo do vizinho Estados Unidos. Em "Limites éticos", narro meu encontro com uma feminista haitiana, que jamais compactuou com governos trogloditas, dia em que perdi a inocência com as denominadas Tropas de Paz, na reunião da Mesa Diretora Ampliada do Comitê Especial de População e Desenvolvimento (Cairo +10), em Porto Rico, em julho de 2004 (O TEMPO, 25 de agosto de 2004).

Ao nos abraçarmos, ela murmurou pesarosa: "O seu país está ocupando o meu país". Um vexame! Para ela, eu era a materialização do colonizador. Entendi o que minha amiga quis dizer vendo o delírio de haitianos atrás dos urutus (precisavam ser urutus?) com jogadores da seleção brasileira acenando como deuses no Olimpo. Era degradante. Força de Paz da ONU (Brasil no Haiti) ou força de ocupação truculenta (EUA no Iraque) despertam o mesmo sentimento de perda de soberania: há tanques estrangeiros zanzando em minha pátria.

Minha interlocutora, Miriam Merlet, teve a vida ceifada pelo terremoto. A Rede de Saúde das Mulheres Latino-Americanas e do Caribe declarou, em "Un Dolor Compartido, pero Siempre un Dolor - Solidaridad con Miriam Merlet y Todas las Compañeras Muertas en Haiti": "A paixão de Miriam foi a defesa dos direitos humanos das mulheres e foi ali em sua pátria, onde chegou a ser ministra da Mulher - que coerência com sua trajetória histórica! Quem melhor que ela poderia exercer um cargo como esse? Quem melhor que ela poderia fazer valer a participação das mulheres em igualdade de condições com os homens, e fazê-lo desde o mesmo centro de poder? É por isso que estamos doídas, perplexas e sem voz. É demasiado difícil encontrar uma frase, sequer uma palavra, que alcance expressar a profundidade do sentimento que nos embarga".

Um país que perde mulheres como Miriam Merlet (53), Magalie Marcelin (50) e Anne Marie Coriolan (53) fica na orfandade e adia o futuro de dignidade que o mundo deve ao Haiti.



* Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005.

Ex-assessora de Blair tacha de "lamentável" invasão do Iraque

vermelho.org.br >> Colunas


Haiti: o que é imperialismo e o que é sub-imperialismo , por Duarte Pereira, 23/Jan


http://www.crisisenergetica.org/ . A crise energética que a humanidade atravessará nas próximas décadas, com o fim da era do petróleo, é o tema central deste sítio web.


http://www.odiario.info/ Novo sítio web progressista destinado a combater a perfídia desinformativa dos media empresariais. Lançado em 15/Outubro/2006, terá inserções diárias.


Fora com todas as tropas estrangeiras do Haiti , por Renato Nucci Junior, 26/Jan


"O Haiti é um laboratório para os militares brasileiros" , por Otávio Calegari Jorge, 16/Jan


A verdade acerca do sofrimento do Haiti , por Finian Cunningham, 15/Jan


Porque os EUA devem milhares de milhões ao Haiti , por Bill Quigley, 21/Jan


http://mitos-climaticos.blogspot.com/ . O mito do aquecimento global explicado em pormenor.


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Destapan la mayor fosa común del continente: Colombia, en el paroxismo del horror, clama solidaridad


Por: Azalea Robles

Por los Derechos Humanos, Contra la Impunidad

A raíz de la visita de una delegación de sindicalistas y parlamentarios británicos que investigaban la situación de derechos humanos en Colombia, en diciembre 2009, se ha destapado la mayor fosa común de la reciente historia de América. La fosa común contiene los restos de al menos 2.000 personas, está en La Macarena, departamento del Meta. Varios pobladores ya habían dado la voz de alerta, en varias ocasiones durante el 2009, y había sido en vano… pues la fiscalía no procedía a investigar. Fue gracias a la perseverancia de los familiares de desaparecidos y a la visita de la delegación británica, que se ha logrado destapar este horrendo crimen, perpetrado por los agentes militares y paramilitares de un Estado que les garantiza impunidad. Un Estado que usa el terror y las masacres para viabilizar el Saqueo multinacional, desapareciendo y reprimiendo a los que osan reivindicar por sus derechos.

Se trata de la mayor fosa común del continente. Desde 2005 el Ejército, cuyas fuerzas de élite están desplegadas en los alrededores, ha estado enterrando allí cientos y miles de personas, sepultadas sin nombre. Para encontrar una fosa de esta magnitud, hay que remitirse a la barbarie Nazi: su amplitud deja claro que la macabra práctica de desaparición forzada ejercida por el ejército y su Herramienta paramilitar es aún más horrenda que lo que ya conocemos. Sin duda el carácter genocida del Estado colombiano, exige una movilización de solidaridad urgente, y que los criminales agentes del Estado y de las multinacionales paguen por sus crímenes de Lesa humanidad.

Jairo Ramírez, jurista, secretario del Comité Permanente por la Defensa de los Derechos Humanos en Colombia, que acompañó a la delegación británica al lugar, cuando empezó a descubrirse la magnitud de la fosa, testimonia: "Lo que vimos fue escalofriante (…) Infinidad de cuerpos, y en la superficie cientos de placas de madera de color blanco con la inscripción NN y con fechas desde 2005 hasta hoy".

Ramírez agrega: "El comandante del Ejército nos dijo que eran guerrilleros dados de baja en combate, pero la gente de la región nos habla de multitud de líderes sociales, campesinos y defensores comunitarios que desaparecieron sin dejar rastro".

El horror de La Macarena recuerda a Colombia y al mundo la cantidad escalofriante de fosas comunes, cuyas coordenadas han sido obtenidas en los recientes años y meses, tras laS audiencias a paramilitares, que, acogiéndose a la “ley de Justica y Paz”, confiesan sus crímenes y dan coordenadas de fosas y otros detalles de su rol como herramienta de guerra sucia del Estado.

El Paramilitarismo es una Estrategia Estatal, financiado por el Estado y las multinacionales

En estas audiencias los paramilitares han dejado claro (por si cabía alguna duda) que son una estrategia de guerra sucia del Estado y también reciben financiación de multinacionales y oligarcas. Pero por dar demasiados detalles, y denunciar que su formación, armamento, implementación y protección venía desde el mismo Estado colombiano, varios de ellos han sido extraditados hacia Estados Unidos: así se les calla la boca sobre los responsables estatales y multinacionales de las masacres. Así se evita que los Apellidos de la gran oligarquía y las corporaciones salten demasiado a la luz en su rol de financiadores y creadores del horrendo fenómeno Paramilitar. Pese a haberlos silenciado, los paramilitares extraditados alcanzaron a arrojar bastante claridad sobre la evidencia: El Paramilitarismo es una Herramienta del Estado colombiano, creada por y según recomendación de la CIA, con formadores estadounidenses y del Mossad, y financiado para sus masacres por el Estado, los latifundistas, y las multinacionales (Repsol, BP, OXY, United Fruits entre otras) (1). La razón de haber creado el paramilitarismo es la neutralización de la reivindicación social: en todas sus expresiones. Por ello Colombia es el lugar más peligroso del mundo para ejercer la actividad sindical; por ello los estudiantes son asesinados, incluso en las universidades, por ello son asesinados los líderes campesinos, por ello son desaparecidas decenas de miles de personas por la Herramienta paramilitar: para acallar reivindicaciones.

La ley de “Justicia y Paz” fue confeccionada por el Estado, diseñada por el actual presidente Uribe, para que sus Paramilitares lograran impunidad, o unas condenas raquíticas en comparación con la crueldad y amplitud de sus crímenes: es así como centenares de capos paramilitares, autores de miles de asesinatos, han logrado librarse casi por completo de la cárcel, a cambio de dar algunas coordenadas de fosas y decir “su arrepentimiento”. Pero las grandes fortunas, nacionales o de multinacionales, que han acumulado aún más capital gracias a estas masacres, siguen intocadas.

Impunidad para grandes capitalistas, multinacionales y oligarquía: extraditar sepulta la Verdad

En el caso de Mancuso(2)y Hebert Veloza (3),por ejemplo, van a ser juzgados en Estados Unidos por narcotráfico, y no podrán ser juzgados por crímenes de Lesa Humanidad en Colombia. Al sacar a estos asesinos de Colombia, muchas víctimas se quedan sin conocer los paraderos de sus desaparecidos, pues en una primera audiencia, estos capos paramilitares suelen dar solamente una que otra coordenada de fosas. En casos como el de Veloza, que admitió 3000 asesinatos al menos, hay aún muchos detalles que revelar sobre los paraderos de las víctimas, por ejemplo. Y lo más importante ha quedado sin esclarecer del todo, truncado por la extradición, que es en realidad una sustracción de la Verdad: el Estado busca evitar a toda costa que se filtren los nombres de los autores intelectuales de los crímenes.

Hebert Veloza declaró, acerca de sus actividades entre 1994 y 2003: "Calculo que mis dos grupos asesinaron a 3 mil personas o más. Muchos de ellos eran tirados al (río) Cauca", respondió a la pregunta de cuántas personas había matado.

La disuasión por el Terror: disuadir la reivindicación social, y vaciar extensos territorios

Veloza, alias HH, uno de los más cruentos capos de las paramilitares Autodefensas Unidas de Colombia (AUC); dijo haber utilizado la "decapitación" para aterrorizar a las comunidades. "Cuando llegamos a Urabá decapitamos a mucha gente, era una estrategia para promover el terror”. Es la Estrategia de “disuadir por el Terror”: está teorizada en los manuales de contra-insurgencia del Estado (cortesía de USA), y consiste en infundir un intenso pánico a través de las torturas y desmembramientos públicos para así lograr en los sobrevivientes acallar las reivindicaciones sociales, económicas, ecológicas: se busca “disuadir por el Terror” de la reivindicación y desplazar así poblaciones enteras.

Siempre que el gobierno habla de “diálogos” con los paramilitares en aras de su “desmovilización”; las víctimas califican estos “diálogos” de monólogos”: siendo el Paramilitarismo una estrategia del propio Estado.

A la vez masacrar con ostentación, y a la vez encubrir a los beneficiarios de tanta muerte

Para los “autores intelectuales” de estos crímenes la extradición de los paramilitares es la salvación de que se conozca la verdad plena. Mandan a los paramilitares a Estados-Unidos para que sean juzgados por delitos menores que los genocidios que cometieron, y así se tapa la verdad, se callan los nombres, los apellidos de la oligarquía, de los empresarios, de los gerentes y agentes de multinacionales, de los congresistas, ministros y hasta… los nombres de algún presidente…

"En Urabá, cuando comenzamos, dejábamos los cuerpos en el mismo lugar donde las personas eran muertas", relató Veloza, "Después de un tiempo el poder público comenzó a presionar y (dijeron) que nos dejarían continuar trabajando, pero teníamos que desaparecer con las personas. Así comenzaron a surgir las fosas comunes", afirmó.

Y así se expresó Veloza, refiriéndose al ejército oficial de Colombia: “Nosotros éramos ilegales y son más culpables ellos que nosotros, porque ellos representaban al Estado y estaban obligados a proteger a esas comunidades y nos utilizaban a nosotros para combatir a la guerrilla. Nosotros cometimos muchos homicidios y tenemos que responder, pero ellos también deben responder…”

"Asesinábamos a personas todos los días, en todos los municipios de Urabá", agregó. Fue en estos mismos departamentos de Córdoba y Urabá que se constituyeron las AUC, en 1998, bajo el auspicio del Estado colombiano: acabaron totalmente con la población en numerosas poblaciones sospechadas de ser simpatizantes o familiares de los guerrilleros. También se implementaron los paramilitares para acabar con los sindicalistas y ecologistas, en aras de implantar un modelo de “desarrollo” económico que necesitaba grandes y rápidos desplazamientos poblacionales.

John Jairo Rentería, alias Betún, ha sido uno de los últimos paramilitares en dar declaraciones: reveló ante el fiscal y los familiares de las víctimas que él y sus paramilitares enterraron "al menos a 800 personas" en la finca Villa Sandra, en Puerto Asís, región del Putumayo. Declaró metodología: “Había que desmembrar a la gente. Todos en las Autodefensas tenían que aprender eso y muchas veces se hizo con gente viva”

El movimiento de víctimas de Crímenes de Estado en Colombia, estima en más de 50.000 las personas desaparecidas por la herramienta paramilitar del Estado, o por sus agentes policías y militares. La propia Fiscalía General de la Nación ha tenido que reconocer 25.000 “desaparecidos”. Los cuerpos deben estar en algún sitio: los familiares de desaparecidos recorren el país a cada destape de fosa, en un recorrido de dolor.

Lanzar las víctimas a los caimanes: el horror de la desaparición total

Hay fosas enormes en Colombia: también se conoce por otras declaraciones de paramilitares y de víctimas sobrevivientes, que los paramilitares tenían fincas con criaderos de cocodrilos para desaparecer a sus víctimas (a veces dejaban sobrevivientes para que contaran lo visto en las fincas de tortura). En San Onofre, Sucre, en una finca conocida como “El Palmar”, el jefe paramilitar “Rodrigo Cadena” lanzaba los cadáveres de las víctimas o incluso a las victimas aún con vida, a los caimanes de una represa que tenía (4). Así, los torturados eran lanzados a los criaderos de caimanes. Muchas personas han podido ser totalmente desaparecidas, como comida para caimanes, o lanzadas a los ríos, o al mar, o en hornos crematorios.

Pero el Gobierno no tiene voluntad de investigar a fondo, y sólo dejará que aparezcan algunas fosas. Además, se entorpecen mucho las identificaciones, pruebas químicas y pruebas de ADN.

¿Cuántas fosas se podrán encontrar? La ubicación de las fosas las dan paramilitares para lograr una rebaja de hasta un cuarto de su condena. Pero muchos seres humanos fueron completamente “borrados”…

Salvatore Mancuso, por ejemplo, confesó que para evitar que hallaran el cuerpo del líder indígena Kimi Pernía, lo sacaron de la fosa y lo echaron al río Sinú. Y otros paramilitares cuentan que el mismo Mancuso, para esconder sus crímenes, mandó a levantar tierra de una finca en Ralito que su grupo había sembrado con cadáveres. Ahora, las Águilas Negras, herederas de los paramilitares, están desenterrando y lanzando a los ríos el contenido de varias fosas, dicen investigadores.

Los cursos para infundir Terror

Los testimonios de paramilitares y los resultados de los equipos forenses permiten concluir que las Autodefensas Unidas de Colombia no solo diseñaron un método de descuartizar a seres humanos sino que llegaron al extremo de dictar “cursos” utilizando a personas vivas que eran llevadas hasta sus campos de entrenamiento. Francisco Villalba, el paramilitar que dirigió en el terreno la barbarie del Aro (Antioquia), en la que torturaron y masacraron a 15 personas durante 5 días, revela detalles de esos “cursos”: "Eran personas que llevaban en camiones, vivas, amarradas (...) Se repartían entre grupos de a cinco (...) las instrucciones eran quitarles el brazo, la cabeza... descuartizarlas vivas".

Los “cursos de descuartizamiento”, eran para adiestrar a los paramilitares en su función más específica: infundir terror en la población, para lograr “disuadir por el terror” y lograr desplazar a los sobrevivientes que habían presenciado las masacres. Así logró el gran capital desplazar de sus tierras a más de 4 millones de personas.

El Paramilitar Villalba contó a la Fiscalía, desde su iniciación hasta sus masacres:"A mediados de 1994 me mandaron a un curso en la finca La 35, en El Tomate, Antioquia, donde quedaba el campo de entrenamiento" Cuenta que las instrucciones las recibía directamente de altos mandos, como 'Doble cero' (Carlos García). Villalba asegura que para el aprendizaje de descuartizamiento usaban campesinos, personas que reunían durante las tomas de pueblos vecinos: “Las bajaban del vehículo con las manos amarradas y las llevaban a un cuarto. Allí permanecían encerradas varios días, a la espera de que empezara el entrenamiento.” repartían a la gente en grupos "y ahí la descuartizaban", dice Villalba en la indagatoria. "El instructor le decía a uno: 'Usted se para acá y fulano allá y le da seguridad al que está descuartizando'. Siempre que se toma un pueblo y se va a descuartizar a alguien, hay que brindarles seguridad a los que están haciendo ese trabajo". De los cuartos donde estaban encerrados, las mujeres y los hombres eran sacados en ropa interior. Aún con las manos atadas, los llevaban al sitio donde el instructor esperaba para iniciar las primeras recomendaciones:"Las instrucciones eran quitarles el brazo, la cabeza, descuartizarlos vivos. Ellos salían llorando y le pedían a uno que no le fuera a hacer nada, que tenían familia". Villalba describe: "A las personas se les abría desde el pecho hasta la barriga para sacar lo que es tripa, el despojo. Se les quitaban piernas, brazos y cabeza. Se hacía con machete o con cuchillo. El resto, el despojo, con la mano. Nosotros, que estábamos en instrucción, sacábamos los intestinos".

El entrenamiento lo exigían, según él, para "probar el coraje y aprender cómo desaparecer a la persona", está claro que las prácticas de descuartizamiento tenían una función clara de aterrorizar al ser practicadas ante poblados enteros. “A mí me hicieron quitarle el brazo a una muchacha. Ella pedía que no lo hicieran, que tenía dos hijos". Los cuerpos eran sepultados en la finca “La 35”, donde calculan que enterraron en fosas a más de 400 personas. (5)

Ante el desprecio del Estado, las madres de la Candelaria excavan ellas mismas

La fiscalía es extremadamente lenta en destapar las fosas, tiene más de 4200 coordenadas de fosas y no ha buscado más de trescientas, en cuanto a los restos humanos, la prueba de ADN ha sido hecha en una mínima medida, prueba del desprecio que el Estado profesa hacia los familiares y las víctimas. Desprecio de un Estado que aduce “falta de recursos”, cuando bien que ha endeudado al país para pagar los gastos militares y paramilitares. Por eso, desde comienzos del 2007, cuando una delegación de las "Madres de la Candelaria" sostuvo varias reuniones en la cárcel con el jefe paramilitar Diego Fernando Murillo alias “Don Berna” y con otros jefes paramilitares -hoy ya extraditados a Estados Unidos- y éstos les aproximaron la localización de las fosas, en la Comuna 13 de Medellín, varios familiares decidieron armarse de picos y palas para buscar desenterrar a sus seres queridos. "No pretendemos reemplazar la labor de la fiscalía (…) Nosotros, de acuerdo a lo que nos dijeron estos señores (victimarios), vamos por nuestra cuenta y echamos pala (por los barrios de la Comuna 13) a ver qué encontramos. Muchas veces ellos no quieren o no les sirve confesar dónde está "x" o "y" persona, y no les conviene decírselo a los jueces, entonces nosotros les decimos: 'tranquilos, dígannos dónde están nuestros hijos y vamos y nosotras calladitas los buscamos'.”

La comisión británica que visitó Colombia recientemente, escuchó múltiples testimonios acerca de las violaciones de derechos humanos y sindicales, acerca de ejecuciones extrajudiciales, asesinatos, desplazamiento forzado, desapariciones forzadas, criminalización de la oposición política, montajes judiciales, robo de la tierra de los campesinos para beneficio de las corporaciones multinacionales.

La comisión declaró en sus conclusiones finales que: “Después de haber escuchado tales testimonios creemos que el ejército colombiano es responsable por la mayoría de las violaciones de derechos humanos en contra de la población civil”, y también que: "La actividad paramilitar persiste, especialmente en las regiones rurales y además hay evidencia de que siguen los vínculos entre los paramilitares y el ejército”

Datos para conocer qué es el Terrorismo de Estado en Colombia:

*al menos 50.000 personas desaparecidas (secuestradas y torturadas) por el Terrorismo de Estado, bajo la lógica de “disuadir la reivindicación por el terror” (El Estado busca que el terror perdure al desaparecer el cuerpo, pues prolonga así la angustia en los sobrevivientes),

*más de 4 millones de personas desplazadas de sus tierras mediante las masacres de los militares y sus paramilitares, dentro de la Estrategia Estatal de “tierra arrasada”, para vaciar el campo de población y ofertar así a las multinacionales terrenos de alto interés económico, baldíos de reivindicaciones y habitantes;

*6 millones de hectáreas de tierra han sido así robadas a las víctimas y desplazados, y ofertadas a multinacionales, gran latifundio, y nuevos gamonales paramilitares, ahora el escándalo del “agro ingreso seguro”, viene a consolidar este robo a las víctimas (6)

*más de 4200 fosas comunes (denunciadas) con miles de cadáveres de colombianos masacrados por el paramilitarismo del Estado colombiano: Los paramilitares han dado algunas coordenadas de las fosas con el fin de poderse así acoger a la “Ley de Justicia y Paz”, ley confeccionada bajo la dirección de su padrino Uribe con el fin de conseguirles la impunidad si muestran “arrepentimiento”, ley que les legaliza las tierras usurpadas. Ya en abril 2007, cuando se cumplía el primer año de búsqueda de fosas comunes, la Fiscalía había recibido 3.710 denuncias de sitios en donde hallarlas; pero la mayoría no se había podido explorar, según el Estado, por “falta de recursos”…

*miles de cadáveres se han hallado en las fosas, pero el Estado ya ha anunciado a los familiares de víctimas que no podrá practicar los análisis de ADN a todos los cuerpos por “falta de recursos”…pero para pagar a los asesinos y torturadores si tuvo y si tiene…

*más de 2649 sindicalistas asesinados;

*miles de ejecuciones extrajudiciales, entre ellas el escándalo de los falsos positivos”: los militares raptan a muchachos y muchachas jóvenes, los disfrazan de guerrilleros y los asesinan, y presentan los cadáveres a los mass-media, que se encargan de terminar el montaje con la parte mediática; ya que en Colombia los medios de difusión masiva no investigan, y dan por cierto lo que les dicen sus fuentes militares. Esto lo hacen los militares para “mostrar resultados” en su guerra anti-insurgente, y también para asesinar a los civiles que les incomodan. La mediatización de los muertos que son supuestos guerrilleros en Colombia es absolutamente macabra: muestran cuerpos alineados, semi-desnudos, siendo movidos por las botas de militares…de esta forma se moldea a la opinión pública en la deshumanización de los guerrilleros.

*más de 7.500 presos políticos, muchos de ellos víctimas de montajes judiciales contra luchadores sociales

*centenares de auto-atentados(7) otro tipo de “falsos positivos” por parte de las fuerzas policiales y militares que han puesto bombas en pleno Bogotá para poder así crear la base para un montaje mediático de desprestigio de las FARC. Uno de los incidentes más burdos de auto-atentado ocurrió al norte de Bogotá, cerca a la Escuela Militar José María Córdoba: al paso de un camión militar, estalló un camión-bomba, dejando como saldo un reciclador muerto y diez soldados heridos. Militares están siendo "investigados" por los auto-atentados... investigados como “personas individuales”, no cómo parte de una Estrategia Estatal...

La violencia de la arremetida del gran capital, en su ansia por no perder a Colombia como valiosa “bodega de recursos”, ha implantado y mantenido a ese engendro que es hoy el Estado colombiano.

Sin la “ayuda” bélica descomunal de USA y UE, sin haber endeudado al pueblo colombiano para sufragar los gastos militares, y sin su Estrategia paramilitar de terrorismo de Estado, hace años que ese Estado criminal no existiría. Sin sus apoyos militares y mediáticos, el Estado colombiano no hubiera podido perpetrar tanta barbarie; y el pueblo colombiano hubiera logrado su verdadera independencia, su emancipación de tanta codicia, muerte y dolor.

NOTAS:

(1) Las empresas siguientes, y sus filiales, fueron declaradas culpables por el TPP, culpables de fomentar paramilitarismo y prácticas genocidas en Colombia: Coca Cola, Nestlé, Chiquita Brands, Drummond, Cemex, Holcim, Muriel mining corporation, Glencore-Xtrata, Anglo American, Bhp Billington, Anglo Gold Ashanti, Kedhada, Smurfit Kapa – Cartón de Colombia, Pizano S.A. y su filial Maderas del Darién, Urapalma S.A., Monsanto, Dyncorp, Multifruit S.A. filial de la transnaciona Del Monte, Occidental Petroleum Corporation, British Petroleum, Repsol YPF, Unión Fenosa, Endesa, Aguas de Barcelona, Telefónica, Canal Isabel II, Canal de Suez, Ecopetrol, Petrominerales, Gran Tierra Energy, Brisa S.A., Empresas Públicas de Medellín, B2 Gold – cobre y oro de Colombia S.A;

(2)http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo91305-mancuso-dice-fuerza-publica-le-ayudo-masacre-del-aro

Mancuso audiencia, Rito alejo del Río Coordinador paramilitares: http://www.youtube.com/watch?v=3WlH5RpofaU

(3)Alias 'H.H' revela vínculos de AUC con Byron Carvajal y Rito Alejo del Río: http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo116951-alias-hh-revela-vinculos-de-auc-byron-carvajal-y-rito-alejo-del-rio

HH confiesa más de 3000 asesinatos; será extraditado para callar los nombres de los autores intelectuales: http://www.kaosenlared.net/noticia/paramilitar-confiesa-mas-3000-asesinatos-sera-extraditado-para-callar-

(4) http://www.colectivodeabogados.org/UN-CAMPO-DE-CONCENTRACION-Y

http://www.cambio.com.co/paiscambio/831/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-5346135.html

(5) http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-3525024

(6) sobre “agro ingreso seguro”: http://www.kaosenlared.net/noticia/democracia-colombia-bases-militares-usa-neocolonialismo-expolio

(7) auto-atentados: http://www.kaosenlared.net/noticia/video-piedad-cordoba-denuncia-analiza-colombia-ocultada-medios-desinfo

http://www.kaosenlared.net/noticia/video-autoatentados-macabra-estrategia-terrorismo-estado-para-montajes


UMA PERSONAGEM SOMBRIA
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Esta biografia, com 260 páginas, é o resultado do trabalho de investigação de Joseph Contreras, correspondente da revista. Newsweek. Ela revela a trajectória de um indivíduo que se guindou do narcotráfico à presidência da Colômbia.

Para descarregar o livro (em castelhano) clique aqui com o botão direito do rato e faça Save As... (PDF, 1216kB).

O que não estamos a ouvir acerca do Haiti: petróleo


por Pakalert [*]

"Há prova de que os Estados Unidos descobriram petróleo no Haiti décadas atrás e que devido a circunstâncias geopolíticas e a interesses do big business foi tomada a decisão de manter o petróleo haitiano na reserva para quando o do Médio Oriente escasseasse. Isto é pormenorizado pelo dr. Georges Michel num artigo datado de 27/Março/2004 em que esboça a história das explorações e das reservas de petróleo no Haiti, bem como na investigação do dr. Ginette e Daniel Mathurin.